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Dicas de preparação para o Lés-a-Lés Offroad

João Motta Guedes por João Motta Guedes
24 Julho, 2023
em MOTO+
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O Lés-a-Lés Off-Road é um evento anual que acontece desde 2015 (interrompido em 2020 por causa da pandemia) e que atravessa Portugal de uma ponta à outra pelo todo-terreno, levando assim os seus participantes a locais e paisagens fantásticos e inacessíveis de outra forma.

É de fato um evento extraordinário que recomendamos, e para usufruírem ao máximo e tirarem o melhor partido do investimento de tempo (são vários dias de evento e talvez tenham que meter uns dias de férias) e dinheiro deixamos aqui algumas dicas para que tudo corra pelo melhor.

Logística

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Como dissemos este é um evento de vários dias que atravessa o país de uma ponta à outra, geralmente de Norte a Sul, e implica por isso que se dê atenção extra à logística.

A organização do Lés-a-Lés transporta um saco/mochila de cada participante
  1. Inscrição: o número de inscrições é limitado pelo que é importante tratar da mesma o mais rapidamente possível. Naturalmente que para a inscrição será necessário apresentar a documentação válida para piloto e moto;
  2. Transporte da moto: independentemente de ir com uma maxi-trail ou uma moto de enduro convém planear, e decidir, se vai a rolar de casa para o ponto de partida e do ponto de chegada para casa ou se, por outro lado, opta por transportar a mota para e de esses pontos. Há inúmeras soluções: um amigo para nos levar ao ponto de partida e apanhar no ponto de chegada com a carrinha ou atrelado; alugar uma carrinha para levar a mota, entregar no ponto de partida, e alugar uma carrinha no ponto de chegada para trazer a mota para casa, e entregar aí; recorrer a um serviço especializado de transporte de motos como o www.assenha.com. Todas estas opções têm vantagens e desvantagens e vale a pena ponderar os custos de cada uma antes de decidir;
  3. Alojamento: este ponto é muito importante e deve ser tratado com a maior antecedência possível visto que o percurso atravessa o país por zonas e percursos mais remotos e em alguns dos pontos de paragem a oferta de alojamentos é escassa. É importante reservar cedo porque depois de um dia com mais de 300Km em cima da moto vai saber bem um bom duche e uma boa cama para dormir!

Revisão e manutenção da moto

Tendo em conta um percurso de cerca de 1000Km a realizar em 3 dias consecutivos (aproximadamente o dobro se forem a rolar para a partida e da chegada para casa) é crucial fazer uma revisão e ter as noções básicas para manutenção da moto.

Para quem vai numa moto de enduro é aconselhável mudar o óleo do motor visto que a generalidade das marcas recomenda essa mesma mudança de óleo a cada 20 horas de funcionamento. Para quem participa numa maxi-trail esse intervalo é naturalmente mais alargado mas é importante verificar quando foi a última mudança de óleo e não esquecer que estes 1000Km, ou mais, vão ser duas ou três vezes mais exigentes e desgastantes para o motor que numa utilização típica, com mais picos de aquecimento, mais solicitações ao motor em subidas mais íngremes ou pisos de areia, etc.

Visto o óleo passemos ao filtro de ar. Limpar ou substituir de acordo com o necessário e, especialmente para as maxi-trails, considerar a utilização de um “pré-filtro” para o caso de estar tempo seco a fazer pó porque estas motas costumam ter uma caixa de ar mais exposta que as motas de enduro. Se houver possibilidade é também boa ideia levar um filtros extra para o segundo e terceiro dias.

Tratado o motor, passemos às rodas, via a transmissão final: verificar o estado de desgaste da corrente, cremalheira e pinhão de ataque, substituir se necessário e afinar a folga da corrente de acordo com as recomendações do manual da moto. Da transmissão passamos aos pneus: para as motas de enduro uma vez que não é uma corrida não será imperativo levar pneus novos, mas são 1000Km e uma boa percentagem deles em asfalto, pelo que convém os pneus estarem em bom estado. Para as maxi-trails, são 1000Km de percurso e a maior parte deles em todo-terreno, os pneus mistos de origem não são a escolha ideal, é importante investir em bons pneus para todo-terreno, tendo em conta se a moto vai a rolar ou se vai ser transportada.

E agora que já temos a moto a andar com o motor, transmissão e pneus, precisamos de garantir que a conseguimos parar. Verificar o estado das pastilhas de travão e, na dúvida, substituir, especialmente para as maxi-trails visto que estes 3 dias com terra, pó e lama vão ser mais desgastantes para as pastilhas que o habitual.

Um pormenor importante e muito útil: todas estas operações deveriam ser feitas, ou no mínimo acompanhadas de perto, pelo respetivo piloto para ter o conhecimento e autonomia necessários para qualquer intervenção mais pequena durante o evento (a organização tem uma assistência técnica mas apena nos pontos de chegada de cada dia).

Equipamento piloto e moto

O equipamento para o piloto é relativamente simples de aconselhar: equipamento completo de proteção para todo-terreno, que inclui: botas, calças, joelheiras, peitoral, cotoveleiras, luvas, capacete e óculos. A opção por blusão ou camisola é mais pessoal, e o impermeável vai ser necessário conforme aquilo que a meteorologia ditar.

Além deste equipamento recomenda-se uma sacoche para ferramentas, documentos, telemóvel, etc, ainda uma forma de levar água, pode ser numa garrafa ou cantil na sacoche ou numa mochila tipo camelbak.

Em relação à moto, se for uma moto de enduro não haverá muito a recomendar para além de uma boa proteção de cárter, proteções das mãos e as luzes em bom funcionamento visto que as etapas diárias serão longas, com muitos momentos de convívio, e os dias podem prolongar-se noite dentro. Em relação às maxi-trail, as mesmas recomendações para proteções de cárter e de mãos. Além disso a recomendação nas maxi-trails acaba por ser para retirar equipamento: top-case, malas laterais, eventualmente luzes extra. Tudo isto acrescenta volume e peso que se quer reduzido ao máximo para o todo-terreno.

Um ponto de equipamento comum, que não pode falhar, o GPS. Idealmente instalado numa posição central e algo elevada para facilitar ao máximo a sua consulta. Se tiver ligação ao sistema elétrico da moto melhor, se não tiver é importante levar pilhas ou baterias suficientes para o evento.

Treino de condução e navegação

É provável que quem participe com uma moto de enduro esteja habituado a andar com ela no todo-terreno mas para muitos este tipo de eventos são uma oportunidade de se estrearem no todo-terreno com a sua Adventure. Por isso mesmo, e para que usufruam ao máximo é conveniente fazerem umas incursões e treinos em terra antes da hora H. Claro que podem optar por um curso de condução especializado mas algumas saídas com amigos já serão o suficiente para quebrar o gelo.

Mas talvez mais que a condução vai ser a navegação a pôr à prova os vários pilotos. Para quem não está habituado ou nunca “navegou” com GPS é importante que se familiarize com o mesmo antes do evento. Em primeiro lugar tem que se familiarizar com o GPS que vai utilizar, seja próprio ou emprestado. As opções como escolher o track a ser visualizado e navegado, entrar e sair do modo de mapa, aumentar e diminuir o zoom do mapa, como procurar e navegar para um ponto, quanto mais à vontade com as funcionalidades do GPS, melhor! Se possível carregar para o GPS os mapas ou cartas militares de Portugal que serão uma grande ajuda, e salvaguarda à navegação. O ideal portanto será montar o GPS e treinar com ele tanto nessas incursões no todo-terreno como nalgumas saídas em asfalto.

Com estes preparativos todos tratados basta esperar pela data e disfrutar ao máximo com os amigos que se levam, os que se encontram e os que se fazem durante o Lés-a-Lés Offroad!

Consultem o site oficial do Lés-a-Lés Offroad aqui:https://www.les-a-les.com/Events/View/PT_LAL_OFFROAD

Tags: Lés a LésLés a Lés OffRoadPortugal Lés-a-Lés
João Motta Guedes

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