Joan Mir fez uma retrospetiva da sua carreira no MotoGP, com especial destaque para a sua complicada passagem pela Honda e para o título mundial conquistado com a Suzuki em 2020. Numa entrevista ao Moto.it, o piloto maiorquino considera que esse campeonato não recebeu o reconhecimento que merecia e explica também as dificuldades que tem enfrentado ao serviço da Honda.
O piloto reconhece que a sua etapa na Honda ainda não terminou e valoriza os pódios conquistados num período particularmente difícil para a marca japonesa:
«Acho que o ciclo ainda não está fechado, ainda há muito caminho pela frente, mas a realidade é que, neste período difícil para a Honda, conseguimos alguns pódios, e isso é algo que poucos podem dizer que fizeram, numa era em que as marcas europeias estão a fazer a diferença.»
Sobre a evolução da RC213V desde a sua chegada em 2023, Mir destaca as melhorias no motor e na aerodinâmica, embora considere que a essência da moto continua praticamente igual:
«O caráter da moto manteve-se muito semelhante, o caráter do motor melhorou, a aerodinâmica melhorou, mas para além disso, não muito mais.»
As inúmeras quedas das últimas temporadas também estão relacionadas, segundo o próprio piloto, com a necessidade de ultrapassar constantemente o limite para conseguir ser competitivo:
«Eram outros tempos: em 2020 e 2021 tinha uma moto competitiva e era fácil arriscar, mas com esta moto é difícil não ultrapassar o limite. Se o ultrapasso, sou rápido, mas tenho de o ultrapassar, e depois acontecem as quedas.»
A situação também afetou a sua confiança e o seu estado mental. Mir admite que a falta de resultados foi particularmente difícil depois de ter sido campeão do mundo:
«Foi muito difícil controlar a minha mente, porque quando cheguei pensei que seria fácil: em 2020 fui campeão, em 2021 terminei em terceiro, em 2022 estava a lutar e terminei em quarto no campeonato do mundo, até que a Suzuki anunciou a sua saída. Não estar na luta pelos pódios foi estranho para mim. O que me motiva são os resultados e não foi fácil lidar com a falta deles. Fiz tudo o que estava ao meu alcance.»
Mir considera que o seu título de 2020 foi injustamente desvalorizado. O espanhol recorda que a Suzuki não conquistava um campeonato há 20 anos e que esse desafio foi precisamente um dos motivos que o levou a assinar pela marca.
«Não sei se as pessoas pensam que corri sozinho nesse ano… ou que, se não ganhas com uma Honda, uma Yamaha ou uma Ducati, isso não conta. Quando fui para a Suzuki, gostei do desafio de ganhar com a Suzuki, que não vencia um título há 20 anos (precisamente com Kenny Roberts Jr., em 2000, quando o campeonato ainda era de 500cc). Queria fazer algo que ninguém tinha conseguido e, por outro lado, as pessoas não valorizaram essa vitória, o que é impressionante.»
Também respondeu a quem reduziu esse campeonato ao facto de ter vencido apenas uma corrida. Mir recorda o incidente de Maverick Viñales na Áustria e defende o valor da sua consistência:
«Diziam que eu era muito consistente, mas eu ganhei com uma Suzuki, algo que ninguém conseguiu! Depois diziam que só tinha vencido uma corrida, mas se o Maverick não tivesse ficado sem travões na Áustria, também teríamos ganho essa corrida, e seriam duas vitórias.»
















