O Grande Prémio da Grã-Bretanha marcou o início da segunda metade da temporada de MotoGP. Jorge Martín chegou a Silverstone como líder do campeonato e manteve esse estatuto após os resultados do fim de semana. A Aprilia foi a clara dominadora da ronda britânica, conseguindo um triplo pódio tanto na Sprint Race como na corrida principal de domingo. Andrea Dovizioso analisou o que aconteceu em Silverstone através do seu podcast.
Apesar do excelente momento da Aprilia, Dovizioso acredita que a marca italiana não pode relaxar.
«Têm de aproveitar este momento porque, neste momento, o Marc [Márquez], que é quem mais os pode incomodar, está a sofrer. Além disso, nesta pista [as Ducati] talvez fossem um pouco inferiores, ou então ele tem limitações físicas. Por isso, têm de somar o máximo de pontos possível nestas corridas. Porque depois, por exemplo em Aragão, existe a possibilidade de o Marc fazer a diferença, como aconteceu em Sachsenring. Por isso, sim, têm de aproveitar», explicou.
Para o italiano, o que aconteceu em Silverstone não reflete totalmente a realidade da temporada.
«Silverstone é uma pista muito particular. Não é o circuito que te mostra exatamente qual é a situação real do campeonato, porque é extremo, muito largo e exigente em todos os aspetos. Mas acho que Silverstone voltou a confirmar os valores em pista desta temporada. Ou seja, uma Aprilia ligeiramente superior à Ducati. Não muito, porque o Álex Márquez, que é especialmente forte na gestão da aderência, podia perfeitamente ter subido ao pódio e a diferença teria sido pequena. Isso significa que a diferença entre as motos não é tão grande como pareceu. Mas a Aprilia confirmou ser mais competitiva, porque os seus pilotos estiveram sempre mais facilmente na frente. Na qualificação, na Sprint e na corrida principal», afirmou.
Para Dovizioso, o ambiente dentro da box é um fator determinante nos resultados dos pilotos. Nesse sentido, destacou a influência de Marc Márquez.
«Acho que o Marc é um líder pela sua abordagem e pela forma como faz com que as pessoas que trabalham com ele se sintam confortáveis. É lógico que o talento o ajuda, porque quando és rápido e as coisas te saem naturalmente, tudo se torna mais simples.»
«Mas isso não basta. Se observares, analisares e estudares o comportamento dele, percebes que tudo é pensado e trabalhado. Ele não entra em pista com a ideia de destruir toda a concorrência e desaparecer. Há muito trabalho por trás disso, tal como aconteceu com muitos outros pilotos que ganharam muito e que apostaram nesses aspetos. Para mim, o Marc é um líder. Mas se falares agora com a Ducati, eles já perceberam como ele é, enquanto antes não o viam dessa forma. Eu, quando disputava corridas com ele, já via isso e sabia o quão forte ele era nesse aspeto. A Ducati está apenas a aperceber-se disso agora», explicou.
Dovizioso também elogiou o desempenho de Marco Bezzecchi, que depois de quatro corridas sem pontuar e de várias lesões conseguiu dois terceiros lugares.
«Para mim, ele fez bem em arriscar e garantir aquele terceiro lugar, porque foi mais uma confirmação de que está lá, entre os melhores. Isso vai ajudá-lo nas próximas corridas. Não é apenas pelos pontos que conquistou, mas pela abordagem e pela mentalidade. Fez bem. Foi bonito vê-lo tão emocionado, é bom vê-lo assim.»
Quanto à luta pelo título, o antigo piloto italiano não quis apontar um favorito claro.
«Se tivermos de escolher quem está mais preparado dentro da Aprilia, pela força que demonstra e também porque já foi campeão, então é o Martín. Mas ainda faltam muitas corridas. Porque agora vão surgir pistas onde a Ducati e o Marc podem fazer a diferença. E aí será interessante ver como tudo será gerido», concluiu.
















