Para além do desafio que todas as marcas enfrentam de conseguirem fazer evoluir a maioria dos seus modelos face às exigências do Euro 5 em matéria de emissões acresce o contexto de pandemia e de paralização económica a que a mesma obriga.
E mesmo que num esforço titânico as marcas consigam
reactivar as suas fábricas e os seus departamentos de investigação de forma a
garantir que em janeiro de 2021 as suas gamas estarão compatíveis com as
exigências do Euro 5 o problema subsiste para o parque existente em stock no
início do próximo ano pois de acordo com as regras estabelecidas não será
possível matricular qualquer moto que seja compatível com o Euro 4.
O encerramento de fábricas atrasa o desenvolvimento dos
modelos para poderem vir a ser compatíveis com o Euro 5 no início de 2021 mas
mesmo que as marcas o consigam realizar existe o problema da falta de
escoamento dos stocks existentes no mercado de motos que são ainda compatíveis
com o Euro 4.
O risco neste momento das marcas e dos seus representantes,
distribuidores e concessionários poderem ficar com enormes quantidades de motos
Euro 4 em stock é por isso enorme face ao que a presente legislação obriga para
o início de 2021.
A indústria italiana tem sido particularmente afectada pela
pandemia e aquilo que a ANCMA, Associação de Industriais do Sector das Motos
sugere é que os prazos sejam alargados e a efectivação das medidas
estabelecidas sejam adiadas por pelo menos 6 meses. Para além da Itália outros
países como a Espanha, a Alemanha e a França, afectados igualmente pelo COVID-19
estão a braços com a mesma problemático no sector pois tanto a maioria das
fábricas como dos canais de distribuição encontram-se neste momento encerrados
sem previsão da sua reactivação.
No Reino Unido a MCIA – Motorcycle Industry Association declarou recentemente que o sector está muito preocupado com os termos presentemente definidos em relação às obrigações de escoamento de stocks de motos compatíveis com o Euro 4 e os prazos actualmente definidos de implementação do Euro 5. A direção da MCIA vai mais longe e solicita o adiamento da implementação das anteriores medidas por um período de 12 meses.
Entretanto também a ACEM- European Motorcycle Industry
Association , manifestou estar atenta ao problema e a estudar possíveis
soluções tendo recentemente manifestado a sua preocupação numa declaração
pública onde refere precisamente a presente paralização do sector, quer ao
nível da produção quer ao nível da distribuição, em quase todos os países da
União Europeia criando uma situação de enorme incerteza cara ao futuro. Os
canais de distribuição sobretudo ao nível dos pequenos dealers, empresas quase
sempre familiares, é aquele que é mais afectado e a imponderabilidade do seu
futuro também tem implicações graves na cadeia de distribuição actualmente
existente.
Considerando o actual contexto adverso e a enorme
imponderabilidade sobre o futuro que nos aguarda a ACEM apelou à Comissão
Europeia e às administrações dos vários países para que aprovem e implementem
medidas especiais para ajudar o sector a enfrentar a actual crise e a
salvaguardar os cerca de 300.000 postos de trabalho ligados à indústria do
sector.
A Solução passaria portanto pelo seguinte:
- Adiar a implementação do Euro 5 para janeiro de
2022 - Permitir a venda de motos com Euro 4 até final
de 2021 - Criar apoios ao nível da União Europeia para
reactivar toda a cadeia de produção e distribuição no sector
Uma coisa é certa, nada será como antes e o tempo que a
situação irá levar a normalizar é incerto. O primeiro passo terá que ser dado
pela a União Europeia no sentido de aprovar o adiamento na implementação dos
prazos definidos para o Euro 5 e para o escoamento de motos compatíveis com o
Euro 4.
Fonte: BikeSocial














