O comentador de MotoGP Ricard Jové elaborou um ranking pessoal de pilotos e lendas do Mundial de Motociclismo, deixando opiniões fortes sobre vários nomes da história da modalidade. Entre todos, aquele que mais destacou foi Marc Márquez. O piloto de Cervera renasceu desportivamente em 2025, quando voltou a conquistar o título mundial depois de vários anos marcados pelos problemas físicos causados pela grave lesão no úmero.
“Hoje em dia, para mim, o melhor é Marc Márquez, por mil detalhes. Mas claro que tenho dúvidas quando comparo com Agostini, que tinha motos muito boas na sua época, mas também foi o melhor, tal como Mick Doohan. Ainda assim, para mim, neste momento, Marc foi o mais completo. Passou por todas as dificuldades possíveis, por todos os momentos negativos, e continua a ser o melhor”, afirmou Jové.
Ricard Jové continuou a sua análise referindo-se a outras figuras históricas do motociclismo.
“Lendas? Todos eles são lendas. Claro que Agostini é uma delas e, para mim, também um dos melhores. Por isso digo que é uma discussão muito ambígua. E Ángel Nieto é outra lenda. Tive a sorte de ser manager do seu filho, Pablo Nieto, durante vários anos. Convivi com ele, conheci-o bem, também na vida privada, e era uma pessoa única. Talvez o piloto que mais se aproxima dele seja Marc Márquez. É especial. Quando estavas com ele, tal como acontecia com Rossi, sentias algo diferente. Já estive em entrevistas com os dois e era impressionante. Tinham um magnetismo, uma aura.”
Jové recordou ainda a primeira vez que viu Ángel Nieto competir.
“Quando vi Ángel Nieto pela primeira vez, nos anos 70, eu era apenas uma criança. Fiquei completamente fascinado. Foi algo que nunca mais esqueci.”
Ao distribuir os pilotos pelas várias categorias do seu ranking pessoal, Jové colocou Francesco Bagnaia na categoria de “bom piloto”, explicando que precisava de deixar alguns nomes fora dos escalões superiores.
“Grande piloto de nível mundial? Coloco Álex Crivillé, pelo que representou numa determinada época. É uma lenda. Rossi é claramente uma lenda. Doohan também entra nesse grupo, embora tenha conquistado mais títulos do que Crivillé. Mas para a nossa geração, Crivillé teve uma importância enorme.”
Sobre Jorge Lorenzo e Casey Stoner, também deixou a sua opinião.
“Jorge Lorenzo é um piloto de topo mundial pelo que fez, pela forma como chegou e venceu. Stoner também foi extraordinário, mas eu não consigo classificá-lo como uma lenda. Não me transmitiu a mesma paixão pelas motos que Ángel Nieto ou outros pilotos transmitiam.”
Jové reservou elogios especiais para Dani Pedrosa.
“Pedrosa foi um grande piloto e uma figura importante do Mundial. Conheci-o antes e depois da reforma. Ele próprio reconhece que era introvertido e difícil de lidar, mas sempre tive conversas muito interessantes com ele.”
Segundo o comentador espanhol, o conhecimento técnico de Pedrosa continua a impressioná-lo.
“Hoje é alguém com um nível de conhecimento extraordinário. Ficas à espera para ouvir o que ele vai dizer. Gosto disso, porque há pessoas que veem coisas que eu simplesmente não consigo ver. Ex-pilotos como ele ou Pol Espargaró conseguem interpretar situações na pista de uma forma completamente diferente.”
Jové aproveitou ainda para criticar quem acredita conseguir identificar diferenças mínimas de desempenho apenas observando os pilotos da bancada ou das escapatórias.
“Há quem vá para junto da pista e diga que viu onde um piloto ganhou ou perdeu três décimos. Desculpem, mas eu não compro isso. Três décimos distribuídos por um circuito com quatro quilómetros e meio não se veem dessa forma.”
Ainda assim, admite que algumas tendências podem ser observadas visualmente.
“Podes perceber certas combinações de fatores, uma trajetória incorreta ou um ponto de travagem diferente, e depois confirmar isso na telemetria. Mas três décimos numa curva? Não acredito.”
Para terminar, Jové falou dos ídolos da sua juventude.
“Fui fã de Barry Sheene e Kenny Roberts. Depois apareceu Freddie Spencer e fiquei completamente rendido. Cheguei a pintar uma moto com as cores da Honda por causa dele.”
Contudo, à medida que entrou profissionalmente no mundo das motos, deixou de idealizar tanto os seus heróis.
“Tive a sorte de conhecer personagens muito importantes. Mas Ángel Nieto e outros daquela geração tinham algo especial. Tinham uma aura que funcionava como um íman. É algo impossível de explicar a quem nunca os conheceu. Tinham uma inteligência emocional incrível e conseguiam conquistar qualquer pessoa.”
















