Com duas provas em Portugal, os fãs puderam ver Oliveira lutar com as Ducati

O Mundial de Superbike de 2026 foi a época de Nicolò Bulega, que ganhou 32 das 36 corridas, e a última da Pirelli como fornecedor único de pneus, depois de 23 temporadas. Com Toprak Razgatlıoğlu no MotoGP, a Ducati dominou por completo: a equipa Aruba.it Racing venceu todas as 36 corridas, repartidas entre Bulega (32 vitórias) e o companheiro Iker Lecuona (quatro), e ficou com todas as doze poles. Foram 40 vitórias seguidas da Ducati, desde a segunda corrida do Estoril de 2025 até à segunda corrida de Jerez.

O Campeonato ronda por ronda

Phillip Island, 21 e 22 de fevereiro. Bulega ganhou as três corridas a partir da pole. Yari Montella (5) foi segundo na primeira, Axel Bassani, da Bimota, foi segundo na Superpole Race e na segunda corrida, e Álvaro Bautista fechou o pódio da segunda. Baldassarri (34) fez o melhor resultado do ano com 3 Miguel Oliveira caiu na Superpole, largou do último lugar da grelha na primeira corrida e acabou em oitavo.

Portimão, 28 e 29 de março. Bulega repetiu o pleno e chegou a nove vitórias seguidas, incluindo as do final de 2025. Oliveira foi a surpresa da ronda ao ser terceiro nas três corridas, perante mais de 82 mil espectadores. Na primeira corrida herdou o lugar quando Montella caiu da segunda posição, na quinta volta, e terminou a 4,815 segundos de Bulega.

Na Superpole Race repetiu o terceiro lugar e, na segunda corrida, resistiu a Alex Lowes, que fez dois terceiros, marcando a boa forma da Bimota. Petrucci foi 10.º, 12.º e 7.º.

Assen, 18 e 19 de abril. Bulega voltou a vencer tudo, com Lecuona sempre em segundo. Na primeira corrida teve de resistir ao companheiro, à medida que os pneus começaram a perder rendimento. Foi o primeiro duplo pódio de Sam Lowes com dois terceiros na Ducati da Marc VDS. Oliveira fez sétimo na primeira corrida.

Balaton Park, 2 e 3 de maio. A ronda dos recordes de sequência. Bulega somou a 14.ª, 15.ª e 16.ª vitórias consecutivas, cada uma novo máximo, e fez o melhor arranque de sempre numa época de SBK, com 12 vitórias seguidas, batendo as 11 de Bautista em 2019. Igualou os 25 pódios consecutivos de Colin Edwards e de Razgatlıoğlu, e chegou à ronda seguinte com uma vantagem de 82 pontos, a maior desde 2015. Oliveira foi terceiro na primeira corrida, mas foi abalroado na Superpole Race e fraturou o ombro.

Most, 16 e 17 de maio. Bulega fez outro pleno, Lecuona marcou a volta mais rápida da primeira corrida, e a BMW esteve diminuída: Oliveira falhou a ronda, Petrucci desistiu na primeira corrida depois de uma queda que lhe partiu o cóccix e Michael van der Mark foi chamado como substituto. Foi o momento alto da época de Garett Gerloff na Kawasaki, com 4º na primeira manga.

Aragón, 30 e 31 de maio. Bulega ganhou as três corridas. Na Superpole Race, uma aposta dos pilotos entre pneus macios e duros deu uma das melhores corridas do ano, com vários toques entre rivais, e foi Bulega, com o pneu mais duro, quem venceu. A BMW correu sem os dois titulares, com Van der Mark e o estónio Hannes Soomer como substituto.

Misano, 13 e 14 de junho. Bulega somou o sétimo pleno da época, com Lecuona e Montella no pódio. A segunda corrida foi a 25.ª vitória consecutiva de Bulega, um recorde absoluto. Oliveira regressou ainda combalido e fez oitavo e sexto, antes de desistir na segunda corrida.

Donington, 11 e 12 de julho. Lecuona venceu a primeira corrida e interrompeu a sequência de Bulega, que ganhou depois a Superpole Race e a segunda corrida. A Ducati garantiu os títulos de construtores e de equipas, e foi uma ronda sem nenhum top 10 para a BMW.

Magny-Cours, 5 e 6 de setembro. Bulega ganhou outra vez as três corridas, a segunda interrompida por bandeira vermelha, com Lecuona e Montella no pódio. Os dois pilotos da BMW partiram do 18.º e do 19.º lugares da grelha e ficaram fora dos dez primeiros nas três corridas.

Cremona, 26 e 27 de setembro. Lecuona fez a pole e o triplete, e Bulega foi segundo nas três corridas, o que lhe chegou para ser campeão com seis corridas por disputar, o primeiro piloto a conquistar os títulos de Supersport e de Superbike e apenas o segundo italiano campeão, depois de Max Biaggi. Lecuona terminou a época com recordes de segundos lugares, seguidos e no total. Dixon, regressado de lesão, marcou o melhor resultado da Honda em 6º. Oliveira caiu duas vezes, mas a equipa falou em sinais de melhoria na BMW.

Estoril, 10 e 11 de outubro. Bulega fez a pole com 1:33:884, a primeira da Ducati no circuito, e baixou o recorde da pista para a casa dos 1:33. Ganhou as três corridas, com voltas mais rápidas de 1:34:949 na primeira, 1:34:525 na Superpole Race e 1:34:696 na segunda. Chegou às 29 vitórias numa época, batendo as 27 de Bautista de 2023, e ultrapassou o recorde de pontos de Jonathan Rea, com 664. Lecuona foi sempre segundo e o estreante Alberto Surra foi sempre terceiro, mas foi Montella que garantiu o título de piloto independente.

Jerez, 17 e 18 de outubro. Bulega fez a 11.ª pole da época, igualando o recorde de Ben Spies, com 1:36:643. Ganhou as três corridas: a primeira foi a sua 50.ª vitória em apenas 106 partidas, mais depressa do que qualquer piloto, e a segunda corrida levou-o às 52 vitórias de Troy Bayliss. Com Bautista a despedir-se da Barni com um terceiro, a Ducati ocupou os sete primeiros lugares na primeira corrida, só a terceira vez na história. Terminou com 726 pontos, 163 acima de Lecuona.

Os recordes do ano de despedida da Pirelli
Além do que já se referiu, Bulega fez a primeira época com mais de 700 pontos, 36 pódios (o anterior recorde eram 34, de Rea em 2019) e 49 pódios seguidos. Os recordes de volta caíram em vários circuitos: além do Estoril, em Portimão, a melhor volta da Superpole Race ficou em 1:39:107, e em Cremona o recorde de corrida passou para 1:27:783. A Pirelli despediu-se com os compostos extramacio e supermacio, que foram usados na maior parte da época.

As duas rondas portuguesas
Portimão foi a festa de Oliveira, com os três terceiros lugares e a BMW a anunciar que ele já estava abaixo do melhor tempo de Razgatlıoğlu na Superpole, com 1:39:068. O Estoril foi menos sensacional no resultado, mas igualmente forte: Oliveira fez quinto na Superpole, com 1:34:549, e foi quarto nas duas primeiras corridas, a Superpole Race a pouco mais de um décimo do pódio, antes de recuperar de um erro na segunda corrida e chegar ao oitavo lugar. A curva sete do circuito passou a chamar-se “Curva Miguel Oliveira”, numa cerimónia diante de mais de 36 mil adeptos. Petrucci, por seu lado, terminou 18.º, 16.º e 16.º.

O que isto tudo implica para 2027
Oliveira acabou o ano em 11.º, com 142 pontos, e a BMW em terceiro dos construtores até ao Estoril, a 504 pontos da Ducati. A equipa de Munique renovou com Oliveira “para 2027 e depois”, contratou Brad Binder e despediu-se de Petrucci. O chefe de equipa Sven Blusch diz que só terá equipa satélite em 2028, e também não ajuda o facto de os pneus passarem a ser da Michelin e de os travões e o combustível também mudarem, o que obriga toda a gente a recomeçar. Bulega vai para o MotoGP, o que abre a maior vaga da Ducati em anos. O Calendário de 2027 já foi anunciado, tem 12 provas e continua com duas vindas a Portugal, Portimão em março e Estoril em outubro.















