Senna Agius prepara-se para dar o salto mais importante da sua carreira. O australiano, que na próxima temporada se estreará na MotoGP com a Tech3 KTM, falou ao MotoGP.com sobre o percurso até à elite, as suas referências e aquilo que espera encontrar na categoria rainha. Com a naturalidade de quem ainda mal acredita no que está a acontecer, deixou claro que não pretende contentar-se apenas por fazer parte da grelha.
Agius não escondeu a admiração por Casey Stoner, seu compatriota e campeão do mundo, com quem partilha as mesmas raízes no motociclismo.
«Toda a gente ouve quando Casey Stoner fala. A sua capacidade em cima de uma moto e a forma como pilotava são incomparáveis», destacou, referindo-se à personalidade do bicampeão dentro e fora de pista.
O jovem explicou por que razão se identifica tanto com Stoner: «Consigo estabelecer essa ligação porque a minha forma de pilotar vem do mesmo sítio, de casa, do dirt track. Só tenho de conquistar tantos títulos mundiais como ele e conquistar esse respeito.»
Questionado sobre o significado da MotoGP, o piloto resumiu a modalidade numa frase: «É um desporto alimentado pela adrenalina. É como um caos calculado. Fazemos coisas que parecem uma experiência extracorporal, mas estamos sempre no controlo.»
Sobre o primeiro contacto com uma moto da categoria rainha, recordou uma sensação difícil de esquecer: «A moto era um animal. Na primeira volta, fiquei completamente impressionado com tudo, com a física da moto e até com a caixa de velocidades. Não conseguia acreditar na capacidade de travagem. Sentes todas as forças na reta, quando vais tão rápido, mas, quando travas, sentes a mesma quantidade de força para parar.»
Agius reconheceu a dimensão da oportunidade de chegar ao Campeonato do Mundo de MotoGP: «Não consigo acreditar. Correr na MotoGP no próximo ano é um grande objetivo para mim, tal como seria para qualquer pessoa. É algo surreal. É um sonho tornado realidade.»
No entanto, o australiano não pretende ficar apenas pela admiração pelos seus ídolos: «Quero vencer os meus heróis. Eles serão os meus adversários. Quero aprender tudo com eles e quero vencê-los. Mas haverá sempre uma pequena parte de mim que vai querer beliscar-se para ter a certeza de que isto é real.»
O piloto explicou também que o seu percurso foi diferente do habitual: «Tivemos a sorte de ter acesso a algumas quintas dos meus avós onde podíamos andar de moto. O meu irmão andava primeiro e depois levavam-me a mim. Acho que é natural que, quando os teus irmãos fazem alguma coisa, tu também queiras fazer o mesmo.»
Numa primeira fase, concentrou-se no off-road, até experimentar as corridas em asfalto. «Assim que experimentei as corridas de velocidade, percebi que era aquilo que queria fazer. Foi como se uma lâmpada se tivesse acendido.»
Mais tarde, chegou uma fase de vida particularmente intensa: «Comecei a fazer viagens entre quinta-feira e domingo para o Japão. Na quinta-feira à tarde, voava para o Japão, competia no campeonato japonês e, na segunda-feira de manhã, já estava de volta à escola. Quando falava com os meus amigos no recreio sobre o que tinha feito no fim de semana, dizia-lhes que tinha estado no Japão a correr de moto. E eles respondiam: ‘Não acredito!’»
Agius revelou que a família estabeleceu uma condição desde o início: «Deixaram bem claro que me apoiariam se a minha dedicação e o meu esforço estivessem ao nível do sacrifício que isso exigia. Se eu der 50% e eles derem 120%, a certa altura não vai funcionar. Mas ao longo de toda a minha carreira, viram que sempre dei mais de 100%.»
Segundo o australiano, esse compromisso contribuiu para criar uma relação muito especial com o pai, que continua a acompanhá-lo de perto.
«A minha família apoiou-me durante todo o percurso e não estaria aqui sem eles. O meu pai continua comigo no circuito todos os dias. Temos uma relação especial e vamos tentar chegar juntos ao topo.»
A pensar em 2027, o australiano não esconde as ambições para a temporada de estreia na categoria rainha: «Quero que o meu país se orgulhe de mim. É uma grande responsabilidade. Quero ser o Rookie do Ano e tenho vários objetivos, porque sinto que sou totalmente capaz de os alcançar. Quero olhar para trás, para esta experiência, e saber que dei tudo na minha primeira temporada.»
Agius terminou com uma mensagem que resume a sua atitude perante o desafio que tem pela frente: «A pressão é um privilégio, por isso vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance.»















