O piloto da KTM Tech3 falou abertamente sobre o seu percurso com a marca austríaca no MotoGP. Depois de duas temporadas na equipa satélite, Enea Bastianini vai mudar-se para a Trackhouse Aprilia no próximo ano. O italiano explicou o que aprendeu durante este período e o que espera de uma temporada marcada por grandes novidades, nomeadamente as motos de 850cc e os novos pneus da Pirelli.
«Em poucas palavras, diria que é estranho, porque ainda não encontrei a fórmula que me permita estar sempre a render ao máximo. Por vezes, consigo tirar o máximo partido da situação, mas noutras ocasiões não. Nem sempre consigo explorar todo o meu potencial, embora agora possamos estar no caminho certo», começou por afirmar o italiano.
Bastianini soma duas temporadas ao serviço da KTM e reconhece que teve de mudar a sua abordagem.
«Aprendi a adaptar-me às situações. No início, não me adaptei à KTM; tentei adaptá-la a mim. Perceber que essa não era a abordagem correta foi talvez a coisa mais difícil de aceitar. No entanto, quando me adaptei, consegui fazer algumas boas corridas.
«Percebi, assim, que, mesmo tendo pontos fortes, não significa que tenha de os utilizar necessariamente para ser rápido. Tentei estudar e aprender com pilotos que tinham uma forma de pilotar diferente da minha, para conseguir alcançar o resultado pretendido. No início, é preciso fazer sacrifícios, mas é assim que as coisas funcionam», confirmou Bastianini.
O italiano também destacou a importância do acompanhamento psicológico no desporto de alta competição.
«É importante ter alguém ao nosso lado, tanto nos momentos difíceis como nos felizes, que nos ajude a manter o foco», explicou Enea, referindo-se ao trabalho com um psicólogo desportivo.
«É uma questão de equilíbrio: por vezes, temos demasiada confiança; noutras ocasiões, temos muito pouca. Quando percebi que existia um desequilíbrio na minha vontade de me destacar, decidi procurar um psicólogo. Na minha opinião, qualquer desportista que queira estar no topo deve ter alguém que o ajude a manter sempre a mentalidade adequada.»
Bastianini considera que ainda não conseguiu explorar todo o seu potencial na MotoGP.
«Na minha opinião, poderia ter conseguido mais. Tenho consciência de que deixei escapar algumas oportunidades, por isso ainda não alcancei aquilo que acredito ser capaz de conseguir. No entanto, muitas vezes é necessário que várias coisas se conjuguem. Por vezes, também precisamos de uma pequena dose de sorte, algo que, provavelmente, não tem estado muito do meu lado desde que cheguei à MotoGP. Ainda não acabou, por isso vamos continuar a tentar», explicou.
O italiano recordou também o início da sua passagem pela categoria rainha e a disputa por um lugar na equipa oficial da Ducati.
«Cheguei à MotoGP bastante jovem e tanto eu como Jorge Martín fomos muito rápidos desde o início. Disputámos o lugar na equipa oficial da Ducati e gostei muito daquela fase. A partir daí, penso que cometi alguns erros na minha abordagem. É verdade que me lesionei na primeira corrida, mas, se pudesse voltar atrás, tentaria fazer as coisas de outra forma», afirmou Bastianini.
O piloto da KTM acredita que a relação com a Ducati mudou depois de uma segunda lesão, numa fase importante da sua carreira.
«Acho que a Ducati confiou bastante em mim quando cheguei à equipa oficial, mas, depois da segunda lesão, a forma como me viam mudou», contou.
«A partir desse momento, quando entrava na box, já não sentia as mesmas sensações positivas de antes. Essa situação prolongou-se também em 2024, um ano que, ainda assim, foi interessante. No entanto, vivi essa temporada com a certeza, desde a primeira corrida, de que já não continuaria na Ducati no ano seguinte. Gostaria de ter demonstrado o meu potencial de outra forma.»
Bastianini ainda não experimentou as motos de 850cc nem os pneus Pirelli que serão utilizados na nova era da MotoGP. O italiano não esconde alguma insatisfação por ainda não ter tido essa oportunidade.
«Não quero dizer que esteja zangado, mas a situação incomoda-me um pouco, porque todos deveríamos ter realizado pelo menos um dia de testes antes de Valência, onde talvez acabemos por trocar presentes de Natal em vez de dar voltas à pista.
«O teste no Red Bull Ring deveria ter estado aberto a todos, talvez com motos de 1000cc ou com a potência reduzida, para começarmos a compreender os pneus. Na minha opinião, quem não experimentar os pneus ficará em desvantagem», admitiu Enea Bastianini.
Em 2027, Bastianini iniciará uma nova etapa da carreira com a Trackhouse Aprilia, numa temporada que marcará também a introdução das motos de 850cc e dos pneus Pirelli.
«Vamos tentar fazer o nosso melhor, é natural. A Trackhouse é uma boa equipa e poderemos fazer grandes coisas, mas não quero criar expectativas demasiado cedo, porque ainda tenho de conhecer os membros da equipa. O apoio da Aprilia não vai faltar, por isso dependerá muito de mim», concluiu o italiano.















