SBK: Sykes fala candidamente

Por a 17 Agosto 2019 16:15

A prova portuguesa do Mundial de SBK aproxima-se a passos largos, e já vimos como poderá ter uma influência decisiva na definição dos lugares subalternos do Campeonato, senão propriamente na luta pelo título… um dos possíveis candidatos a glória é o antigo Campeão de 2013 Tom Sykes, que nos fala com  franqueza dos últimos tempos, dos seus problemas em pista e fora dela e da vontade de voltar a vencer que ainda o motiva, 10 anos depois de embarcar nas séries.

Foi uma história fenomenal quando Tom Sykes (BMW Motorrad Team) se tornou Campeão de SBK em 2013, à custa de muito esforço para o piloto de Huddersfield, na zona mineira do Norte de Inglaterra.

Muita coisa aconteceu em seis anos, embora a fome de sucesso de Sykes só tenha aumentado.

“O meu avô foi uma das pessoas que mais me motivou, é uma parte enorme da minha vida e eu ainda sinto que devo tudo a ele. Ele é meu maior fan e sempre achou que eu tinha potencial para ser campeão mundial e me apoiou em tudo. Eu estou aqui por causa do apoio dele; É absolutamente fantástico que ele ainda vem às provas europeias seguir-me.”

“Foi fantástico que, em 2013, tenhamos conseguido conquistar o campeonato em Jerez; foi o sonho realizado e nós tivemos a paixão. Foi um momento inestimável e algo que terei comigo na memória para o resto dos meus dias.”

“O que me fez perceber que eu queria fazer carreira a correr de moto? Eu estava na escola e dei todo o meu esforço lá, mas um dos professores dizia sempre como, “Tom não sejas burro, o motociclismo não te vai dar uma carreira” e que eu precisava era de um emprego e precisava de estudar; acho que provei que ele estava errado, na verdade!”

“Eu comecei a correr quando tinha 14 anos, mas para mim tudo começou a acontecer quando eu tinha 18 ou 19 anos. Eu estava a pilotar para o Paul Bird em 2007 e foi nesse momento que pensei: “Eu posso fazer uma carreira disto” e as coisas desenvolveram-se a partir daí, e estou muito grato por isso.”

O meu único arrependimento na minha carreira foi quando alguns tipos deixaram os miolos na boxe por um momento e me custaram dois títulos de SBK. Por mim, ainda acredito que poderíamos ter tido três títulos uns a seguir aos outros.”

(Em 2012 é bem sabido como Sykes perdeu o Campeonato para Max Biaggi por meio ponto, depois de na ronda de Monza terem dado só meia pontuação -convenientemente, já que o Italiano ficara em 4º e Sykes venceu – e em 2014 Sykes perdeu o Campeonato para Guintoli por apenas 6 pontos, embora com um número muito superior de vitórias em mangas, 8 contra apenas 5 do Francês)

“As pessoas têm direito à sua opinião, muitas das pessoas que dizem que eu estou apenas amargo são invejosas e não entendem os sacrifícios que são necessários. Por mim, eu só acho “que pena”, porque sem esses dois momentos de loucura desses dois pilotos, teríamos três títulos mundiais. consecutivos”

“Com os problemas na minha a minha vida pessoal, foi uma fase de luta para me concentrar em andar na Kawasaki e se eu tivesse estado mais focado, provavelmente teria tido melhores resultados. Mas é assim, a equipa BMW Motorrad encaixa mais comigo porque é mais descontraída. Eles são uma equipa inglesa e têm qualidades diferentes e, mais uma vez, estamos a começar de um nível diferente de onde eu estive no passado.”

“Sem rodeios, quero ser novamente Campeão de SBK. Acredito que temos as qualidades para alcançar isso e esse é o alvo, por isso, se eu me concentrar nisso e aproveitar a minha família, sinto que voltarei ao meu melhor. Eu quero ganhar algumas corridas este ano, isso é certo”.

“Eu sempre tive bons companheiros de equipa, muito fortes, o que realmente ajudou. Em 2009, Ben Spies entrou e absolutamente derreteu todos os outros, inclusive eu próprio, o seu companheiro de equipa! Mas eu posso viver com isso e foi o mesmo com o Jonathan Rea.”

“Em 2015, o Jonathan veio na hora em que as coisas mudaram e sim, ele derrotou-me, mas eu também acredito – e as pessoas têm direito às suas próprias opiniões – que com a moto com que eu estava em 2013 e 2014, eu tinha-o batido, a de 2015 não me encaixou tão bem…”

“Eu tive muitos problemas pessoais nos últimos três anos, com o meu divórcio e só na última semana é que eu me tornei num homem livre. Apesar do que as pessoas tentaram fazer comigo nos últimos anos, a minha família e as minhas filhas são o mundo para mim. Na vida das corridas, tem de se estar fisicamente apto e psicologicamente focado ao mais alto nível para executar bem o trabalho na pista.

A mentalidade tem que estar no ponto máximo e o desempenho tem que ser impecável. A única coisa difícil é que se deve encontrar um equilíbrio entre tudo isso e os filhos e acredito que agora, finalmente, encontrei esse equilíbrio.”

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