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Técnica – A bateria – Parte II

Paulo Araújo por Paulo Araújo
20 Dezembro, 2018
em MOTO+
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Na primeira parte deste artigo, falámos dos componentes elétricos principais de uma moto, com particular incidência na bateria. Vejamos em maior detalhe de que é feito e como funciona este órgão vital… Já vimos como a capacidade de uma bateria se exprime em Amperes/hora e a sua tensão em Volts. Uma célula completamente carregada chega a produzir um pouco mais que 2,2 volts, daí uma bateria bem carregada produzir, em teoria, 2,2 x 6 ou cerca de 13,4 volts, mas mais nominalmente em operação, são produzidos 2 volts. A resistência interna da bateria determina a velocidade a que os eletrões fluem dum lado para o outro, normalmente acumulando-se no terminal negativo. O processo de carga é o reverso do de descarga, com a corrente a fluir na direção oposta- para o ânodo. Os elétrodos positivos voltam a ser convertidos em dióxido de chumbo, e o ciclo perpetua-se.

A razão por que é desaconselhável carregar as baterias em modo rápido prende-se com a fase final do processo de carga: corrente demais nesta altura provoca a formação de gases, suficientes para arrancar material das placas. Assim, carregar a bateria em ritmo lento é a melhor solução. Ao líquido que preenche o espaço entre as placas, normalmente uma solução de ácido sulfúrico em água destilada, dá-se o nome de eletrólito. A gravidade específica do eletrólito varia com o estado de carga, razão pela qual vemos por vezes mecânicos introduzir um aparelho que a mede. Embora isso seja mais vulgar para os automóveis, a leitura da gravidade específica dá uma ideia do estado da bateria.

As baterias vêm em muitas formas e dimensões

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Uma bateria carregada tem uma gravidade específica de cerca de 1,28 no eletrólito, enquanto uma perto de descarregada mede menos de 1,13. Como a água também tende a evaporar, ficando só o ácido, isso aumenta a condutibilidade, e portanto, a medida, por isso é importante adicionar água destilada pura, que em teoria não é condutora, pelo menos no tipo de bateria em que podemos destapar as células. Também a temperatura de operação vem influenciar as coisas, com uma bateria fria a produzir menos corrente que uma morna. Combinem isto com o efeito espessante das baixas temperaturas no óleo do motor, cuja viscosidade aumenta, e temos a receita para arranques difíceis em manhãs frias! Quando se põe a moto a trabalhar, se as luzes avivam quando se acelera a moto, é sinal duma bateria fraca- menos nas pequenas cilindradas, em que é normal, pois o sistema gerador está a alimentar as luzes diretamente sem passar pela bateria, pelo que mais rotação equivale a mais corrente!

Ficha para ligar a bateria a um carregador

Há também sistemas que acoplam uma ficha aos terminais, tornando possível ligar a bateria a um carregador externo e carrega-la na própria moto… Eventualmente, a vida da bateria chega ao fim, tipicamente quando esta já não é capaz de receber ou aguentar carga. Isto deve-se a sulfatação excessiva das placas, que tem lugar quando a bateria descarrega completamente, e que é irreversível a partir dum certo ponto. Incidentalmente, quando retirarem a bateria e a voltarem a colocar, certifiquem-se de que o tubo de respiração, se houver um, está colocado corretamente e desobstruído- é que se não, pode causar acumulação de gases na bateria e uma explosão!

As baterias muito modernas já nem sequer têm este respirador, pois não têm elementos imersos em eletrólito no sentido convencional, mas sim um gel que faz as vezes de eletrólito. Por fim, uma bateria morta ou estragada não deve ser deitada fora de qualquer maneira, pois tanto o chumbo como o ácido são perigosos e extremamente nocivos para o ambiente.

Deixá-la numa garagem, que têm esquemas de recolha próprios, é uma opção. Na Europa relativamente rica, apenas deitamos a bateria fora e compramos outra, mas em países em desenvolvimento, como na India ou no Brasil, em que quase nada se deita fora, há um truque que consiste em remover o eletrólito e deitar dentro da bateria água a ferver com bicarbonato de sódio, que em teoria dissolve a sulfatação. A água é então esvaziada com as impurezas, podendo depois o eletrólito ser reposto e a bateria recarregada – teoricamente!

O facto é que uma bateria que tem os separadores das células desgastados por vibração ou carga rápida em excesso não aguenta corrente, de qualquer modo. Aliás, um dos grandes avanços na conceção de baterias é o uso de plásticos porosos muito resistentes nos separadores. A sua elevada resistência também permitiu utilizar espessuras menores, e assim diminuir a distância entre as células, possibilitando baterias mais compactas e pequenas. Um avanço ainda mais moderno é a bateria de acumuladores, em que o eletrólito é completamente absorvido por material poroso dentro das células em vez de andar em estado líquido, evitando o perigo de entornar em queda ou rutura.

Bateria selada, sem manutenção

Depois, há as baterias alcalinas, de ferro-níquel ou níquel-cádmio, mas estas têm um custo elevado, que as tem excluído da maioria de aplicações em motos até à data. Mesmo assim, à medida que as baterias se tornam melhores, oferecendo mais potência em formatos mais compactos e leves, os progressos gerais da mecânica também contribuem: os sistemas eletrónicos utilizam menos energia que os anteriores eletromecânicos, e motores feitos com maior rigor e lubrificados por combustíveis sintéticos de alta performance oferecem menos resistência à rotação em primeiro lugar. O trabalho desempenhado pelas baterias nunca há-de ser fácil- mas o progresso não lhes tem passado ao lado, por isso, à medida que exigimos mais delas, encontram-se novas formas de aumentar as suas prestações.

OS 10 MANDAMENTOS DA BATERIA

  • Nunca carregar rapidamente
  • Verificar a sua condição e o nível de eletrólito de tempos em tempos
  • Se necessário, carregar com um carregador apropriado pelo menos 24 horas
  • Desligar os terminais se a moto vai estar parada alguns meses ou mesmo semanas
  • Manter os terminais ligeiramente lubrificados com vaselina, que os manterá limpos e livres de corrosão
  • Manter o tubo respirador no lugar e desobstruído
  • Evitar expor a excessos de frio
  • Evitar descarregar completamente
  • Manusear com cuidado quando fora da moto- não deixar cair ou salpicar!
  • Dispor ecologicamente quando chega a altura de deitar fora

 

 

Tags: ácidoamperesarranquebateriacargacondutorcuidadosmassanegativosistemasolenoidestartersulfúricoterminaisterravolts
Paulo Araújo

Paulo Araújo

Jornalista especialista de velocidade, MotoGP e SBK com mais de 36 anos de atividade, incluindo Imprensa, Radio e TV e trabalhos publicados no Reino Unido, Irlanda, Grécia, Canadá e Brasil além de Portugal

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