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Royal Enfield Himalayan – Aventura acessível

Paulo Araújo por Paulo Araújo
8 Janeiro, 2019
em MOTO+
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Não é só o preço que coloca a Himalayan numa posição única… apesar da potência modesta de 25 cavalos do seu motor monocilíndrico, as qualidades dinâmicas e facilidade de condução também impressionam, em estrada ou fora dela.

O nome nas barras laterais que unem a unidade do farol ao quadro, protegendo o depósito, pode bem ser o maior ”handicap” desta Royal Enfield, se puser na nossa cabeça imagens de motos Indianas algo ultrapassadas, com travões básicos e equipamento rudimentar. É que esta Enfield não é nada disso, antes é dotada de um motor único, projetado especialmente para esta moto, que é um modelo de suavidade, resposta linear e binário tão agradáveis que a ficha técnica deixa de fazer sentido.

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Tudo na Himalayan funciona bem, a começar pelo motor, que pega sem dramas com um aflorar do botão do starter. Mesmo com um dia frio, não necessitou do choke no guiador para assumir um ralenti descontraído, e que permanece muito suave à medida que aceleramos.

De facto, quase parece um bicilíndrico e só exibe aquela qualidade dos monocilíndricos de bater quando insistimos em levá-lo ao redline. A injeção eletrónica funciona impecavelmente, não há qualquer hesitação nem ressalto, como em motos que poderíamos mencionar a 3 vezes o preço da Himalayan.

A resposta do acelerador é perfeitamente linear e conjugada com uma caixa suavíssima e positiva, proporciona condução muito agradável e fácil. Para isso contribui também uma posição de condução perfeita e um assento que trilhava o meio –termo entre o confortável e o firme sem pender para qualquer dos extermos.

Para uma aventura, dedicada ao todo terreno a ritmo calmo, (em estrada também não esperem muito acima dos 120 km/h) esta Enfield é muito acessível, mesmo com as malas de alumínio facilmente removíveis sem recurso a ferramenta, que são uma opção que, com um conjunto de barras de proteção do motor, custa algo menos que 600€ e completa o look de pronta a tudo da moto. Acessível, porque com a altura de assento de 800 mm, das mais baixas do segmento e um peso de 190 Kg, não assusta os menos experientes e a suavidade de embraiagem e caixa tornam a condução num prazer.

Em estrada, não podemos deixar a rotação baixar muito, obrigando-nos a reduzir para o motor de 411 cc não começar a bater, mas afinal isso é uma característica de qualquer monocilíndrico, e este não é excepção.

O comportamento em estradão também é exemplar, com a moto a mostrar-se completamente à vontade a passar de alcatrão para terra. A suspensão dianteira, em particular, a absorver o terreno dando feedback adequado e ao mesmo tempo mantendo a direção muito neutra – tal e qual o mesmo que se sente em alcatrão, onde colocar a Himalayan na trajetória é fácil, com uma toque nos guiadores largos e direitos estilo MX.

O conjunto permanece neutro mesmo sob boas inclinações e regressa à posição vertical sem reações adversas apesar de parecer muito alto, fruto daquele pequeno acrílico na zona dianteira. Que, já agora, faz um excelente trabalho de defletir a deslocação de ar do peito do condutor, outro fator que torna a condução do modelo muito relaxante.

Em estrada, a única coisa que podíamos desejar fosse um bocadinho mais potente, ou com mais sensação, seria o disco dianteiro de 300mm. Este acusa alguma falta de mordida inicial, no entanto quando complementado pelo traseiro de 240mm, acaba por ser adequado –e seria um bónus em termos de travagem equilibrada em todo-terreno, com o ABS do modelo a permitir ligeiro derrapar da traseira, como é desejável numa TT.

Com malas, bússola, descanso lateral e central, assento duplo de dois níveis e travões de disco frente e trás, a Himalayan acaba por ser uma mais valia excelente, especialmente considerando o preço base abaixo dos 5.000 Euros..

A instrumentação, que inclui uma pequena bússola ao lado do manómetro de combustível para mostrar que a Himalayan leva a sério a sua vocação de viajante, é muito completa, com velocímetro e pequeno conta-rotações analógicos, mais uma seção em LED que exibe horas, mudança engrenada na caixa de 5, parciais e outra informação, além dos botões de repor as leituras.

Tudo tem um ar robusto e bem protegido de eventuais pequenas quedas. Ao todo, um modelo bem concebido, que ainda por cima oferece excelente economia, com cerca de 3,5 litros aos 100 de consumo… a Royal Enfield está no rumo certo com esta Himalayan, e lá para Junho, vêm ai as novas 650…

 

Cores

Branco Neve, Negro, Sleet (cinza camuflado)

Concorrência

Benelli TRK500X Preço: 6.480€      Peso: 235 Kg      Potência: 47,6 cv

BMW G310GS  Preço: 5.900€      Peso: 130 Kg      Potência: 34 cv

 

SWM Super Dual X  Preço: 8.300€     Peso: 187 Kg      Potência: 54 cv

 

FICHA TÉCNICA Royal Enfield Himalayan
Motor Monocilíndrico com refrigeração a ar, 4 tempos, cabeça SOHC de 4 válvulas
Diâmetro x Curso 78 x 86 mm
Alimentação Injeção eletrónica
Taxa Compressão 9,5:1
Emissões CO2 Euro 4
Cilindrada 411 cc
Potência máxima 18 kW (24,5 cv) às 6.500rpm
Binário Máximo 32 Nm às 4.250rpm
Embraiagem Húmida, multi-disco
Caixa 5 velocidades
Ciclística Quadro em tubo de aço
Dimensões 2.190 x 840 x 1.360 mm
Suspensão

Frente

Forquilha telescópica com PA de Ø 41mm
Traseira Monoamortecedor a gás, 180 mm curso
Pneus, Frente – Trás 90/90 R21 – 120/90 R17
Travão dianteiro Disco 300 mm, ABS
Travão traseiro Disco 240 mm, ABS
Trail 220 mm
Altura do assento 800 mm
Distância entre eixos 1.465 mm
Distância livre ao solo 162 mm
Transmissão final Por corrente
Peso, ordem de marcha 190 Kg
Depósito de combustível 15 litros
Importador Zemarks, Lda

 

 

Tags: 400ccaventurabagagembússolaexplorarHimalayanÍndiamalasmonocilíndricoRoyal Enfield
Paulo Araújo

Paulo Araújo

Jornalista especialista de velocidade, MotoGP e SBK com mais de 36 anos de atividade, incluindo Imprensa, Radio e TV e trabalhos publicados no Reino Unido, Irlanda, Grécia, Canadá e Brasil além de Portugal

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