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5 mitos sobre óleos

João Motta Guedes por João Motta Guedes
8 Maio, 2023
em MOTO+
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Com os fabricantes da maioria das motos a recomendarem óleo de motor sintético nos seus modelos Adventure, é útil esclarecer alguns mitos que foram surgindo sobre os óleos, sintéticos e em geral.

1. Se mudar regularmente o seu óleo convencional, não precisa de óleo sintético.

Existem muitos benefícios na utilização de óleo de motor sintético que não se obtêm apenas com mudanças de óleo regulares. Os óleos sintéticos protegem melhor os motores em condições de calor e fluem melhor em condições de frio extremo. Os óleos sintéticos não só mantêm o motor a trabalhar a uma temperatura inferior, como também de uma forma mais suave, devido à forma como são concebidos. Os óleos sintéticos são conhecidos por resistirem melhor ao calor e não se deteriorarem a altas temperaturas.

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Além disso, podemos contar com intervalos de mudança de óleo mais longos, “detergentes” mais eficientes na limpeza das impurezas, mudanças de caixa mais suaves e níveis gerais de desempenho mais elevados. Alguns óleos sintéticos também incluem Ésteres, que oferecem uma protecção extra nos arranques a frio, deixando uma película fina em todos os componentes de metal ferroso para evitar o desgaste prematuro de peças sujeitas a grandes esforços.

2. Quando se passa para o sintético, não se pode voltar atrás. E nunca misturar!

É um mito dizer que não se pode voltar a usar óleo mineral depois de usar um sintético. Se isso fosse verdade, todas as empresas petrolíferas teriam de colocar um aviso na garrafa a alertar o consumidor. De facto, existem muitos produtos no mercado que são misturas sintéticas/minerais – são os óleos semi-sintéticos. São, em grande medida, uma decisão de custo versus benefício. Misturam óleo mineral tradicional com óleo sintético tecnologicamente mais avançado, pelo que se obtêm muitas das vantagens dos aditivos melhorados e do refinamento. São no entanto menos dispendiosos do que um óleo de motor totalmente sintético, mas oferecem um desempenho superior ao de um óleo mineral.

É seguro alternar entre um óleo sintético e um óleo mineral mas é importante estarmos cientes das diferenças de desempenho destes dois tipos de óleo, pelo que se o fabricante recomenda óleo sintético, por exemplo, poderemos usar óleo mineral numa situação de recurso (estamos numa aventura num destino remoto e não encontramos o óleo que desejamos) e, idealmente, voltamos ao óleo recomendado assim que possível.

3. O óleo de motor “sintético” é um óleo criado artificialmente que não é derivado do petróleo

O óleo sintético é um lubrificante constituído por compostos químicos produzidos artificialmente e por uma base que é, predominantemente, petróleo destilado e depois modificado física e quimicamente. O processo real de síntese e composição dos aditivos é geralmente um segredo comercial e varia entre os vários fabricantes.

A palavra “sintético” descreve o processo e não tanto o material. Através de diferentes processos acabamos com diferentes grupos de óleos projetados para diferentes aplicações. Existem cinco grupos diferentes de óleos básicos usados em óleos de motor. Os Grupos I e II são óleos minerais, enquanto os Grupos III, IV e V são sintéticos. Um sintético do Grupo III é mais refinado do que o óleo mineral e normalmente hidrocraqueado (“hidrocraqueamento” é o processo para converter moléculas de hidrocarbonetos maiores em moléculas menores usando alta pressão de hidrogénio a uma temperatura elevada) para obter um óleo básico mais puro. O Grupo IV (PAO) é um óleo mineral refinado que passa por um processo especial chamado “síntese”. De um modo geral, os óleos do Grupo IV têm melhor desempenho do que os óleos do Grupo III no tratamento do calor, oxidação, arranque a baixa temperatura e possuem maiores resistência do filme e índice de viscosidade (capacidade de fluir). No entanto, com a tecnologia atual, alguns óleos do Grupo III funcionam tão bem quanto os do Grupo IV.

Os óleos sintéticos do Grupo V (Ésteres) são feitos principalmente de vegetais, minerais e ácidos gordos animais. Os ésteres são muito mais caros porque os ingredientes são recolhidos da natureza e depois sintetizados (o que é um processo muito caro). Os ésteres do Grupo V têm todas as vantagens de um PAO do Grupo IV, além de poderem suportar temperaturas ainda mais elevadas. Além disso, os ésteres deixam muito menos resíduos ou depósitos quando são queimados e são atraídos pelas peças metálicas por uma ligação eletroquímica cinco vezes mais forte que no caso dos óleos minerais.

4. Se o fabricante recomendar óleo sintético, posso continuar a utilizar o óleo convencional

Se o fabricante recomenda óleo sintético, então devemos utilizar o que o fabricante recomenda. Os engenheiros das marcas concebem os motores para funcionarem com um tipo de óleo específico que satisfaz as tolerâncias e características específicas do motor.

Devemos ter em mente que um óleo de alta qualidade não é apenas para manutenção, é também uma salvaguarda para o motor. Isto é especialmente importante para aqueles que andam longe da civilização, como fazemos nós, motociclistas de aventura. E se uma pedra atingir o radiador ou a bomba de água falhar, ou se perdermos óleo devido a uma tampa lateral partida numa queda fora de estrada? O que será melhor ter dentro do cárter – um óleo convencional que se queima e carboniza muito rapidamente, ou um óleo sintético que pode suportar temperaturas de funcionamento mais elevadas (160ºC a 180ºC) e continuar a proteger o motor mesmo em menor quantidade?

5. Não há diferença entre óleos de motor de moto e de carro

As motos utilizam o mesmo óleo tanto para o motor como para a caixa de velocidades. Os óleos para motos são, por isso, formulados de forma única para oferecer protecção aos componentes do motor e da transmissão. Têm de ter uma fluidez que, ao mesmo tempo, proteja o motor e suporte as exigências de uma embraiagem em banho de óleo, comum à maioria das motos.

Os óleos para motociclos são por isso concebidos para atingir um bom equilíbrio entre o desempenho da embraiagem e a protecção do motor e da transmissão – algo que não é considerado no fabrico de óleos para automóveis. Quando se utiliza um óleo de automóvel numa moto, a embraiagem pode não engatar totalmente, o que leva ao seu deslizamento e à perda de potência. Assim, mesmo que as garrafas de óleo indiquem a mesma medida de viscosidade (10W-50 por exemplo) os óleos para automóvel ou moto continuam a apresentar características diferentes.

Tags: óleo mineralóleo moto vs óleo carroóleo semi-sintéticoóleo sintéticoóleo sintético vs mineraltipos de óleo
João Motta Guedes

João Motta Guedes

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