Antes da pausa de verão, Marc Márquez deixou claro que iria ter férias, mas mais curtas do que o habitual. O piloto de Cervera queria concentrar-se em melhorar a sua condição física e o treino, e foi exatamente isso que fez. No entanto, neste fim de semana, no regresso da temporada de MotoGP, nem tudo correu como esperava. Já na qualificação conseguiu apenas o sexto lugar na grelha para a Sprint e para a corrida principal, e a situação não melhorou.
Na Sprint terminou apenas na nona posição, somando um único ponto, algo pouco habitual para um piloto que costuma destacar-se nas corridas curtas. Já este domingo cruzou a linha de meta em sétimo lugar. O próprio Márquez explicou o resultado após a corrida:
“O resultado otimista era terminar entre os cinco primeiros, mas não conseguimos gerir tudo da melhor forma e acabámos em sétimo.”
O piloto da Ducati afirmou ainda que o problema não está na moto, mas sim nele próprio.
A todos os problemas que Marc Márquez enfrentou este ano junta-se agora a hegemonia da Aprilia. Jorge Martín venceu a Sprint e terminou em segundo na corrida principal, reforçando a liderança do campeonato. Marco Bezzecchi somou dois terceiros lugares ao longo do fim de semana, recuperando posições na classificação geral para subir ao segundo posto.
Ai Ogura foi segundo na Sprint, mas uma queda na corrida deste domingo impediu-o de somar pontos. Ainda assim, mantém-se no terceiro lugar do campeonato. Já o seu companheiro de equipa, Raúl Fernández, conquistou a vitória em Silverstone, aproximando-se dos primeiros classificados.
Com este cenário e os seus próprios problemas, Marc Márquez caiu para a quarta posição do campeonato, a 40 pontos do líder. No total, perdeu 22 pontos durante o fim de semana britânico, uma situação delicada para um piloto do seu estatuto.
Também a Ducati saiu prejudicada, vendo-se ultrapassada pela Aprilia. A marca de Noale tem atualmente quatro pilotos entre os seis primeiros do campeonato, todos eles já vencedores de pelo menos uma corrida principal esta temporada.
É importante ter em conta que cada moto possui características próprias, incluindo diferenças significativas na aerodinâmica.
A Aprilia destaca-se pela facilidade na entrada em curva e pela velocidade de passagem em curva. Silverstone, com as suas inúmeras curvas rápidas, favorece precisamente essas características, razão pela qual as RS-GP dominaram de forma tão evidente.
A Ducati, por outro lado, tem uma filosofia diferente. É uma moto menos eficaz em curvas rápidas e mais orientada para um estilo de pilotagem “stop-and-go”, baseado em travagens fortes e acelerações agressivas. No caso de Francesco Bagnaia, a situação é agravada pela falta de aderência que tem sentido em várias corridas.
Além disso, a aerodinâmica moderna e dispositivos como o holeshot — que desaparecerão em 2027 — também influenciam o comportamento das motos. O próprio estilo de pilotagem de Márquez evoluiu ao longo dos anos, tornando-se menos fluido e mais adaptado às características da Ducati.
Tudo isto contribui para que, apesar de continuar a ser considerado um dos pilotos mais talentosos da grelha, Márquez não disponha atualmente do conjunto mais competitivo, permitindo que os seus rivais aproveitem essa situação.
Ao longo da sua carreira em MotoGP, Marc Márquez nunca tinha falado tanto sobre o seu estado físico. Também é verdade que nunca tinha enfrentado tantos problemas físicos como aqueles que surgiram desde 2020.
As sucessivas lesões obrigaram-no a explicar frequentemente as razões pelas quais não consegue alcançar os resultados de outrora — ou mesmo os desempenhos demonstrados ainda em 2025.
Silverstone também nunca foi um dos seus circuitos favoritos. Antes da pausa de verão, o campeonato passou por Sachsenring, um traçado onde voltou a dominar e conquistou a sua décima vitória. Mas a realidade britânica foi completamente diferente, até porque Silverstone não é um circuito particularmente favorável à Ducati, ao contrário da Aprilia.
O traçado britânico evidencia ainda mais as limitações físicas de Márquez. Silverstone possui dez curvas para a direita e o espanhol continua a sofrer com o ombro direito.
Por isso, é natural que o seu rendimento em pistas deste tipo não seja o ideal. Em pista, faz o melhor possível com os recursos físicos de que dispõe.
As quatro operações ao úmero direito, somadas à recuperação de duas cirurgias ao ombro direito, continuam a condicionar o piloto espanhol. Além disso, ao longo da carreira, esse ombro sempre lhe causou problemas, especialmente porque o seu estilo de pilotagem é mais eficaz em curvas para a esquerda.
Essa é uma das razões pelas quais costuma dominar em circuitos de sentido anti-horário. A próxima ronda será em MotorLand Aragón, um dos seus traçados preferidos, com mais curvas à esquerda do que à direita. Por isso, é muito provável que o piloto da Ducati consiga apresentar resultados mais competitivos.
O verdadeiro desafio será continuar a melhorar fisicamente para conseguir ser igualmente competitivo nos circuitos que menos favorecem as suas características.
















