Um bocadinho dos antecedentes do mais falado ‘manager’ da MotoGP

Mal recordo quando conheci e comecei a falar regularmente com Davide Brivio, um Lombardo de Casatenovo, perto de Milão, nessa altura ‘manager’ da equipa da Yamaha Itália nas SBK, a BYRD (Belgarda Yamaha Racing Division)…algures por 1989, calculo.

Meregalli, Brivio e um jornalista
A formação da BYRD entrava no campeonato com Yamaha FZs imaculadamente preparadas pelo mago italiano ‘Beppe’ Russo (e depois com as OW 01) e um autocarro adaptado com uma rampa especial que permitia ascender as motos, e como pilotos Pirovano, falecido piloto de Biassono, encostado ao Parque de Monza, que sob a gestão de Brivio foi pelo menos duas vezes vice-Campeão de SBK, e Massimo Meregalli, hoje o manager da Yamaha em MotoGP… Brivio era modesto, pouco falava de si, mas provou-se uma força no ‘paddock’ pela sua capacidade de lidar com gente a todos os níveis e detetar talento à distância, fosse em pilotos ou mecânicos… ‘Sou apenas um empregado da Yamaha, vou aonde me mandam!’, dizia ele modestamente.
O caso é que, ‘apenas um empregado’ ou não, ascendeu à gestão da equipa de fábrica em MotoGP, sob a tutela de Lin Jarvis, e nessa capacidade foi material em atrair Rossi para sair da Honda e integrar a formação. Para isso, pelo meio de reuniões noturnas secretas por baixo das mesas da hospitality da Yamaha, (seria uma grande bronca se um piloto de alto gabarito como Rossi, contratado por uma marca, fosse visto a falar com os chefes da outra equipa, que só podia ter uma finalidade). Brivio convenceu Rossi daquilo que ele mais queria ouvir, que a Yamaha estaria 100% por detrás dele para lhe dar a melhor moto possível.
Para a promessa não ser vã, Brivio teve de convencer as cúpulas da Yamaha que o multi-campeão só deixaria a Honda para assinar pela casa de Ywata se houvesse um esforço concertado para desenvolver uma moto competitiva sob a sua orientação. A resposta da Yamaha foi trazer dos EUA Masao Furusawa, um credenciadíssimo engenheiro da casa que estivera a resolver uns problemas com as motos de água da marca nos ‘States’. É parte da lenda de Valentino que Furusawa desenvolveu 4 motores e 5 chassis para Rossi, anotando mentalmente, mas sem partilhar com ninguém, qual a combinação vencedora na sua opinião. Quando após os testes, Rossi escolheu exatamente a mesma combinação de motor e chassi, sabiam estar a caminho da vitória…

Da Yamaha, Brivio transitou para a Suzuki, com Iannone, Rins e Joan Mir como pilotos, conquistando o título com este último em 2020, o primeiro título da marca desde Kenny Roberts Jr. em 2000.
Em janeiro de 2021, Brivio deu um passo sem precedentes para um manager da MotoGP e foi convidado a tornar-se diretor de corrida da equipa de Fórmula 1 da Alpine. Em fevereiro do ano seguinte, Brivio foi transferido da equipa de Fórmula 1 para se concentrar no programa de jovens pilotos da Alpine e supervisionar outras categorias do automobilismo como diretor de projetos de expansão de corridas. Porém, em dezembro de 2023, a Alpine anunciou que Brivio deixaria a organização até o final do ano, com o retorno à MotoGP para gerir a americana Trackhouse com as Aprilia entre 2024 e 2026.

Agora, a grande notícia foi que provavelmente assumirá um projeto especial na estrutura da Honda, não meramente a gerir a equipa de MotoGP mas com responsabilidades mais alargadas no campo da estratégia. Entrevistado pela Sky Itália, Brivio, decerto por respeito à equipa atual, nunca mencionou a Honda, mas referiu-se ao ‘maior fabricante de motos do mundo’, que é a mesma coisa. Por nós, como um velho amigo, só podemos desejar-lhe tudo do melhor e aguardar com expectativa mais novidades.
















