Ontem publicámos a primeira parte da entrevista com Stefano Cecconi, proprietário da equipa Aruba.it Racing Ducati. O dirigente italiano analisou o presente e o futuro do Mundial de Superbike, avaliando a evolução do campeonato e as perspetivas para os próximos anos.
Enquanto o mundo das corridas aguarda para ver como a Liberty Media irá gerir o futuro da modalidade, a equipa Aruba continua a dominar em pista com Nicolò Bulega e a Ducati Panigale V4R.
O piloto italiano parece cada vez mais próximo de dar o salto para o MotoGP, o que deixaria uma vaga importante na estrutura da equipa. Naturalmente, as especulações sobre quem poderá ocupar esse lugar já começaram, e Cecconi quis esclarecer a situação após a conquista dos títulos de Construtores e Equipas.
“Estou verdadeiramente feliz por este quinto título consecutivo de equipas”, afirmou. “Estamos a falar de um feito extremamente gratificante, porque reflete melhor do que qualquer outra coisa o trabalho extraordinário realizado pelos nossos pilotos e por cada elemento da equipa, dia após dia, todos a trabalhar em conjunto. Um agradecimento especial à Ducati, a Claudio Domenicali, Luigi Dall’Igna, Marco Zambenedetti e a todos os que trabalham em Borgo Panigale com tanta paixão. Deram-nos motos excecionais e permitiram-nos sonhar em grande. Os meus parabéns mais sinceros pelo quinto título consecutivo de Construtores, um feito que demonstra o nível impressionante que a Panigale V4R atingiu.”
Com o Mundial de Superbike agora parado durante dois meses, aumentam os rumores sobre quem poderá substituir Bulega caso este siga para o MotoGP.
“Antes de mais, quero sublinhar que ainda não existe nenhum nome definido para um eventual substituto”, explicou Cecconi. “Acima de tudo, queremos ter a certeza de que Nicolò vai realmente para o MotoGP. Como dizia Boskov — ou melhor, parafraseando-o — ‘o contrato só existe quando o piloto assina’. Até lá, temos de manter a porta aberta à possibilidade de tentar ficar com o Nicolò. Se ele assinar tudo e tivermos a certeza de que vai seguir outro caminho, então começaremos a procurar um substituto. O requisito principal? Antes de mais, tem de ser um piloto com vontade.”
“A vontade de estar aqui, um piloto feliz por fazer parte deste projeto. Tivemos uma situação semelhante quando escolhemos o Lecuona. É claro que só a motivação não basta: um piloto tem de ser rápido, isso é evidente. Mas quando há tantos pilotos rápidos disponíveis, a motivação torna-se um fator decisivo.”
“Alguém que se sinta excluído, zangado com o mundo ou que esteja à procura de vingança não representa o espírito que gostamos de ver num piloto. Quero alguém feliz por estar aqui, que considere este o melhor lugar para estar, satisfeito com as condições e que não se sinta desvalorizado ou vítima de alguma injustiça. Se alguém chega com essa mentalidade, sinceramente, não quero pagar-lhe apenas para provar alguma coisa. Quero pessoas convencidas de que estão no lugar certo.”
“Acho que muitos jovens pilotos começam a perceber que não é obrigatório passar pela Moto2 para chegar ao MotoGP. Existe outro caminho. Nos últimos anos, a Superbike conseguiu mudar bastante a sua imagem: as pessoas já não vêm para cá para terminar a carreira, vêm para construir uma carreira. É uma perspetiva completamente diferente da do passado. Ainda temos alguns veteranos, claro, mas também muitos talentos jovens. Basta olhar para o Toprak ou para o próprio Bulega: passaram por aqui e depois tiveram a oportunidade de chegar ao MotoGP. Por isso, muitos jovens que querem construir uma carreira olham para este campeonato com muito interesse. Veem-no como uma plataforma que lhes pode permitir tornar-se pilotos de topo aqui ou dar outro salto em frente. Já não é um Plano B. Tornou-se um Plano A. E é exatamente isso que eu gostaria que fosse, porque acredito que há muitos pilotos que ficariam verdadeiramente felizes por correr aqui.”
















