A BMW não se limitou a contratar Brad Binder para a sua equipa de WSBK em 2027. O construtor alemão está a reconstruir uma das duplas mais surpreendentemente duradouras do paddock. Binder vai reencontrar Miguel Oliveira, com quem já partilhava pista nas 125 cc em 2011, antes de se tornarem companheiros de equipa na Moto2 e, mais tarde, na KTM em MotoGP. Dezasseis anos depois, os dois vão tentar, juntos, devolver a BMW à luta pelo título mundial.
“O meu companheiro de equipa para 2027… Acho que o conheço.” Miguel Oliveira dificilmente poderia ter encontrado uma melhor forma de dar as boas-vindas a Brad Binder à BMW. O português brincou com o anúncio oficial do construtor alemão nas redes sociais. “Magro, rápido, uma travagem excecional. Acho que fui companheiro de equipa dele durante dois anos. Brad, bem-vindo à equipa BMW Motorrad!”
É preciso recuar dezasseis anos para encontrar os primeiros sinais desta associação. Em 2011, Binder e Oliveira já competiam com as mesmas cores na equipa Andalucia Banca Civica, no Campeonato do Mundo de 125 cc. Os seus caminhos separaram-se posteriormente, antes de voltarem a cruzar-se na Red Bull KTM Ajo, na Moto2, em 2017 e 2018.
Nessa altura, os dois já eram referências na categoria. Em 2018, Oliveira terminou como vice-campeão, atrás de Francesco Bagnaia, enquanto Binder conquistou o terceiro lugar. Alguns anos mais tarde, deu-se um novo reencontro, desta vez no topo do motociclismo mundial.
Em 2021 e 2022, Binder e Oliveira partilharam a box da equipa oficial da KTM no MotoGP. As duas temporadas em conjunto acabaram por evidenciar bem as diferenças entre ambos. Binder mostrou-se mais consistente, terminando por duas vezes entre os seis primeiros do campeonato e somando 339 pontos, contra 243 de Oliveira.
No entanto, o português conseguiu mais pódios nesse período: cinco contra quatro. Eram dois pilotos capazes de alcançar resultados por caminhos diferentes. Binder destacou-se sobretudo pela capacidade de travagem, que se tornou numa das suas principais características, enquanto Oliveira demonstrou por várias vezes uma eficácia impressionante quando todas as condições estavam reunidas.
A parceria terminou quando a KTM escolheu Jack Miller para 2023. Quatro anos depois, vai renascer noutro campeonato.
A situação será, no entanto, invertida na BMW. No MotoGP, Binder tinha a vantagem de contar com continuidade na KTM quando Oliveira partilhava a mesma box. No WorldSBK, é agora o português quem dispõe de uma vantagem.
Oliveira já disputa a temporada de 2026 aos comandos da BMW M 1000 RR. Quando Binder chegar, terá de descobrir simultaneamente uma nova moto, um campeonato diferente e as particularidades das máquinas derivadas de produção. É precisamente nesta complementaridade que a BMW deposita confiança.
“Com o Brad e o Miguel, dois antigos companheiros de equipa reencontram-se e complementam-se perfeitamente, tanto ao nível das suas personalidades como dos seus estilos de pilotagem”, considera Sven Blusch, responsável da BMW Motorrad Motorsport. Para Binder, a ambição está claramente definida: lutar pelo Campeonato do Mundo.
A contratação ganha uma dimensão ainda maior tendo em conta a situação atual da BMW. O construtor procura recuperar uma dinâmica que lhe permita lutar de forma consistente pelas posições da frente, nomeadamente contra a Ducati.
Binder chega com sete temporadas de MotoGP, duas vitórias na categoria rainha e, sobretudo, uma reputação de piloto extremamente combativo. A sua adaptação à M 1000 RR provavelmente não será imediata, algo que a própria BMW reconhece. No entanto, terá na box ao lado um piloto que conhece desde praticamente o início da sua carreira internacional.
Dificilmente a BMW poderia ter imaginado um melhor ponto de referência para acompanhar Brad Binder nesta nova etapa. Em 2011, Binder e Oliveira eram dois adolescentes que procuravam conquistar o seu espaço nas 125 cc. Em 2027, vão reencontrar-se aos comandos de uma BMW com um objetivo muito mais ambicioso: serem campeões do mundo de Superbike. Dezasseis anos passaram, mas os dois acabarão novamente na mesma box.
















