O GP de França foi um resultado histórico por várias razões
O desfecho do GP de França foi, além de inusitado, recheado de múltiplos significados que perdurarão muito para lá do duelo pelo título de 2026.
Primeiro, claro, e sem dúvida o mais significante, a Aprilia teve um resultado perfeito com a vitória de Martin e segundo de Bezzecchi e colocou 3 motos no pódio pela primeira vez na história – coisa que tinha falhado por pouco nos EUA e no Brasil.
Segundo, e corolário da primeira, as Ducati ficaram de fora, diretamente pelas quedas que excluíram, primeiro Marc Márquez, que após a sua queda na Sprint não participaria na corrida principal, e depois, Pecco Bagnaia, que vinha a mostrar forma, mas caiu de segundo a poucas voltas do fim. O lugar de melhor Ducati caberia mais uma vez a DiGiannantonio, também não por acaso, pois pela terceira vez foi o melhor das Ducati. Mais grave, longe de traduzir o que poderia ser uma circunstância pontual com os seus dois pilotos a não terminar, por detrás dessa falha está o que parece ser ultimamente uma Ducati a perder a iniciativa que a tem mantido no topo do mundial nas últimas épocas.

Voltando às positivas, o 3º lugar de Ai Ogura é igualmente auspicioso: o japonês veio de trás para conseguir o seu primeiro pódio na categoria rainha, primeiro dum piloto japonês após uma seca de 14 anos e a peça do puzzle que confirma o bom momento de forma da Aprilia… já antes sugerido pelos bons resukltados de Raul Fernández, que não por acaso, está judstamehte agora a 5 pontos de Ogura na 6ª posição do Campeonato… o que também significa que as 4 Aprilia da grelha estão entre os primeiros seis! Num aparte, se Davide Brivio está mesmo de partida para a Honda, o resultado é mais uma estrela dourada no seu CV.
Até o facto de que Bezzecchi, que liderou a corrida por 24 das 27 voltas, se queixou da moto não estar do seu agrado, expressando surpresa por ter conseguido aguentar a liderança tanto tempo, mostra que a moto de Noale é, neste momento, simplesmente superior. Bezzecchi ainda lidera a classificação, por um ponto sobre Martin, o que coloca o interesse nas próximas corridas ao rubro, mesmo que a ausência forçada dum mais uma vez lesionado Márquez possa remover algum suspense da equação…

É sempre bom quando uma marca antes ‘na mó de baixo’ parece começar a ressurgir, e isto é tanto verdade da vencedora Aprilia como da mais modestamente qualificada Honda… independentememnte do resultado final, a HRC brilhou no fim de semana, com Marini a encabeçar o primeiro treino, Zarco a sessão de Practice e Mir a ficar 6º na Sprint antes de mais uma vez, tem de ser dito, previsivelmente, cair na corrida principal. Nesta, Zarco poderia ter feito um muito melhor resultado se não tivesse sido acometido na chicane à primeira volta, baixando para 15º e levando muitas voltas a chegar a 11º, embora rodando a meio segundo dos homens da frente. Até a Yamaha da cauda do pelotão teve todos os seus pilotos a acabar nos pontos, e Quartararo deu espetáculo, liderando à segunda volta e aguentando posições perto do pódio na primeira parte da corrida. Fica no ar a pergunta até que ponto as marcas estarão preparadas para investir muito mais a desenvolver motos que estão destinadas ao museu daqui a 6 meses e não preferirão investir tudo no novo formato para 2027 de 850cc… caso em que poderia haver grandes surpresas na primeira corrida do ano que vem!
















