Receitas que funcionaram nos carros podem ter de ser revistas nas motos

A Liberty Media está a começar a abrir os olhos. Depois de transformar com sucesso a Fórmula 1 numa máquina de entretenimento global, depara-se agora com uma realidade diferente. O MotoGP não é a mesma história.
Segundo o analista Diego Lacave, as preocupações começam a crescer dentro da própria Liberty. Por quê? Porque o MotoGP é muito mais difícil de prever. Mais perigoso. Mais imprevisível emocionalmente. Tudo o que torna a F1 fácil de comercializar — dramas bem estruturados ao longo da temporada, rivalidades controláveis, estratégias técnicas bem definidas — não é assim tão simples de replicar no paddock do MotoGP.

A maior força do MotoGP vem precisamente da sua essência. Corridas reais, de cortar a respiração. Risco visível, resultando em acidentes frequentes e espetaculares. As personalidades explosivas dos pilotos em pista. Essa é a sua identidade. E esta identidade não pode ser reproduzida usando o modelo da F1.
Muitos acreditam agora que a primeira tarefa da Liberty não é imitar. É compreender. O MotoGP precisa de crescer à sua maneira, não se tornando uma sombra da série sua irmã de quatro rodas. A Liberty quer que o MotoGP brilhe como a F1. Mas talvez a resposta não seja a imitação.
Porque se o MotoGP perder a sua essência, poderá perder também os seus leais fãs. O espetáculo pode ser abrilhantado e as estrelas podem ser fabricadas. Mas a alma do desporto, essa não pode ser projetada.
















