Marc Márquez enfrenta este fim de semana um dos circuitos mais desafiantes da temporada, tendo em conta a sua atual condição física. Apesar das dificuldades, o piloto da Ducati conseguiu garantir o acesso direto à Q2 ao terminar a sessão de Treino (PR) na sexta posição, imediatamente atrás do seu companheiro de equipa, Francesco Bagnaia.
No entanto, o maior desafio poderá surgir na partida, devido à eliminação do dispositivo dianteiro de holeshot, uma das principais novidades regulamentares introduzidas este fim de semana em Assen.
Márquez explicou a estratégia que pretende adotar neste circuito:
“Modo de minimizar riscos, porque para mim Assen é uma das pistas mais seguras, mas ao mesmo tempo uma das mais perigosas, no sentido em que, se caíres, é a alta velocidade. E as pedras da gravilha, já as experimentei no ano passado, são grandes, duras e doem. Já na quinta-feira vi que as escapatórias continuam iguais. É um dos circuitos onde é preciso ter uma atenção especial. Nada de novo. Já era uma pista onde tinha dificuldades e este ano custa-me ainda mais. Mas cumprimos o objetivo, que era ficar no top 10, e amanhã tentaremos fazer uma boa qualificação.”
Questionado sobre o estado físico do seu irmão, Álex Márquez, após a queda sofrida durante a sessão, Marc tranquilizou os adeptos:
“Encontrei-o agora e vinha na scooter. Tem algumas escoriações, mas está bem.”
O mais rápido do dia foi Marco Bezzecchi, algo que não surpreendeu Márquez.
“Se o Bezzecchi não fizer um 1m31s aqui, então tem mesmo de o fazer”, comentou em tom descontraído.
Grande parte da conversa centrou-se na eliminação do holeshot dianteiro.
“Vamos adaptar-nos. Vamos usar a potência necessária. Para mim, da forma como o sistema traseiro está regulamentado, é muito mais perigoso do que utilizar os dois dispositivos. O problema é que o dianteiro consegues controlar. O traseiro não. Se fores capaz de pilotar com o sistema traseiro ativado, podes continuar a usá-lo porque não existe nenhum sensor que te obrigue a desativá-lo.”
Márquez explicou que o dispositivo traseiro continua a oferecer uma vantagem significativa nas partidas.
“Claro que é uma ajuda. É por isso que o usamos. Mas o problema, e é por isso que digo que é mais perigoso, é que em duas partidas de treino cheguei à Curva 1 para travar e a roda dianteira ainda não tinha tocado no chão. É normal, porque a moto comporta-se como uma chopper. Vais praticamente sem direção e tens de estar muito atento ao momento em que a roda dianteira volta a tocar no asfalto. Quando estás sozinho é fácil de controlar. Quando estás rodeado por outros pilotos, vamos ver quem é que fecha o acelerador a meio da reta para fazer a roda dianteira voltar ao chão.”
O piloto da Ducati admitiu não concordar com a mudança regulamentar.
“Não, acho que é muito perigoso. Mas eu já tinha dado a minha opinião. Tomaram esta decisão, por isso adaptamo-nos e seguimos em frente. Uma coisa é chegar à travagem e travar. Aí sim, travas de forma mais natural, porque já não tens de desativar o sistema dianteiro e evitar aquelas travagens agressivas. Mas o percurso até à primeira travagem é o que me preocupa. Acho que foi o Danilo Petrucci, em 2016 ou 2017, em Montmeló. Tivemos uma situação semelhante na reta e ele acabou por embater em mim. Se eu não estivesse ali, teria ido contra o muro. Por isso, é algo que pode acontecer facilmente.”
















