As discussões sobre a controversa regra de apenas uma moto por piloto no MotoGP da próxima temporada parecem ter chegado ao fim em Silverstone.
Segundo uma reportagem detalhada do El Periódico, a recusa da KTM impediu que a associação de fabricantes MSMA alcançasse a unanimidade necessária para avançar com a alteração regulamentar.
Aprilia e Ducati apoiavam a medida, apresentada como uma forma de reduzir custos, e terão estado perto de convencer KTM, Honda e Yamaha a juntarem-se à proposta.
No entanto, quando surgiram notícias sobre as negociações, rapidamente apareceram preocupações quanto ao impacto no espetáculo. Com apenas uma moto disponível, os pilotos seriam obrigados a esperar nas boxes enquanto uma moto acidentada fosse reparada, podendo perder sessões inteiras ou até corridas.
Também ficaram evidentes as complicações para as corridas flag-to-flag, em que os pilotos trocam de moto devido a mudanças nas condições meteorológicas.
Como uma segunda moto continuaria, na prática, a ter de existir sob a forma de peças e componentes sobresselentes, surgiram igualmente dúvidas sobre a real poupança financeira que a proposta poderia proporcionar.
Um alegado compromisso, que permitiria uma moto suplente apenas a partir da qualificação, foi visto como uma solução confusa para um problema que, na opinião de muitos, nem sequer precisava de ser criado.
Entretanto, começou também a surgir uma possível motivação adicional por detrás da proposta.
Embora ainda não tenham sido divulgados tempos oficiais, os testes privados realizados até agora com as motos de 850 cc e pneus Pirelli sugerem que Ducati e Aprilia continuam em posição forte para a próxima temporada.
Com todos os fabricantes a iniciarem 2027 no mesmo nível de concessões, uma regra de apenas uma moto poderia limitar a capacidade dos rivais reduzirem eventuais diferenças de desempenho, já que os pilotos deixariam de poder realizar comparações diretas de novas peças ou afinações durante os treinos.
Seja como for, segundo o El Periódico, Aprilia e Ducati mantiveram o apoio à medida. A KTM, que inicialmente teria sido convencida a apoiar a proposta, acabou por mudar de posição. Honda e Yamaha parecem ter permanecido indecisas.
Talvez o mais surpreendente tenha sido a revelação do jornalista Emilio Pérez de Rozas de que alguns responsáveis da MSMA tentaram defender que uma votação de 4-1 ainda deveria ser considerada unanimidade.
No entanto, o CEO do MotoGP, Carmelo Ezpeleta — contrário à regra de uma só moto — terá respondido de forma categórica:
“Unanimidade significa ‘sem discordâncias, unanimemente’. Cinco em cinco.”
















