Chris Vermeulen foi um piloto regular da grelha de MotoGP entre 2006 e 2009. O australiano, no entanto, continua muito atento a tudo o que acontece em pista. Esta temporada, a luta pelo título de Campeão do Mundo está mais equilibrada do que nunca, embora com a Aprilia um passo à frente dos seus rivais. Sobre tudo isto falou Vermeulen no podcast ‘Motorsport Republica’.
Vermeulen estará presente no Grande Prémio da Austrália esta temporada, o último que será disputado em Phillip Island. Isso torna a ocasião ainda mais especial. A decisão de transferir a prova para Adelaide, por outro lado, tem sido bastante comentada.
«Sei que muitas pessoas ficam tristes por não voltarmos a Phillip Island. Vimos isso até nos meios de comunicação europeus: Pedro Acosta foi um dos que se pronunciou com mais clareza. Dizia: ‘Adoro aquele lugar, não consigo acreditar que não vamos voltar’. É icónico. Houve corridas fantásticas ao longo dos anos, por isso é uma pena que o MotoGP vá sair de lá. Espero que tenhamos uma daquelas corridas especiais para nos despedirmos, porque foram muitas», lamentou.
O australiano recordou também a sua corrida mais especial no circuito australiano.
«Phillip Island 2006 foi o meu primeiro pódio no MotoGP. Fui segundo. Foi aquela corrida especial que o Melandri venceu, fazendo aquele derrapanço com uma mão à entrada da reta, porque nos ganhava imenso tempo, e o Rossi foi terceiro. Bati o Valentino por um segundo e meio, não sei. Bem, não foi muito, foi uma diferença bastante curta. É algo que não se esquece, sobretudo quando consegues estar lá em cima com um dos teus heróis e acabas à frente dele. É um momento muito especial».
Quanto à atual situação do campeonato, Vermeulen destacou o excelente trabalho da Aprilia.
«É, de longe, a melhor moto. Quatro dos seis primeiros do Mundial são pilotos da Aprilia. Isso diz-te que é a melhor moto do mundo e, se estás numa Aprilia e não estás perto do pódio, não estás a fazer um bom trabalho neste momento. Tem uma pequena vantagem sobre a Ducati», afirmou.
Os pilotos da Ducati, por outro lado, também não atravessam o seu melhor momento.
«Acho que o maior problema da Ducati este ano é que o Marc [Márquez] não está em plena condição física, embora esteja a começar a recuperar. O ritmo do Diggia e o do Alex [Márquez], quando esteve bem, demonstraram que a moto é capaz. O Pecco [Bagnaia] está perdido, não sei o que se passa por lá», lamentou.
Entre as surpresas da temporada está, sem dúvida, Ai Ogura. O japonês foi crescendo ao longo do ano e entrou de forma plena na luta pelo título.
«A primeira vez que cometeu um erro foi em Silverstone. O Ogura tem sido consistente e está a começar a melhorar a sua qualificação, embora pense que a sua posição média na grelha seja oitava ou nona. Vai ser difícil ganhar um Mundial a partir do oitavo ou nono lugar, tal como o MotoGP está atualmente. Há alguns anos, o Rossi conseguia fazê-lo, mas as corridas eram muito diferentes», explicou.
Ainda assim, nem tudo tem corrido a favor da Aprilia esta temporada.
«O Márquez disse que a Aprilia deveria ter uma vantagem muito maior neste Mundial, mas isso é típico do Marc, a jogar um pouco com os meios de comunicação a seu favor. As coisas começaram fantasticamente para o Bezzecchi e correram muito mal a meio da temporada. Acho que nesta altura deveria estar a liderar o Mundial com alguma margem. Mas isso são as corridas. Acontecem situações, as coisas mudam, há quedas, dás uma pancada num comissário, seja o que for, e tudo muda», contou.
A gestão da pressão é fundamental nestas situações.
«É difícil, mas obviamente estes pilotos sabem andar muito depressa e isso não significa que saibam gerir bem a pressão. Já vimos os grandes pilotos cometerem erros. Na era MotoGP, só houve duas ocasiões em que o líder do Mundial chegou à última corrida e não ganhou, e foi o grande Valentino Rossi nas duas vezes. Por isso, até pilotos muito, muito bons podem cometer erros quando existe pressão e determinadas situações acontecem», concluiu.
















