O britânico Brad Freeman tornou-se campeão mundial de EnduroGP e E1 na presente temporada. Uma figura bastante discreta e relativamente desconhecida, Freeman surgiu no enduro há três anos. Ao derrotar regularmente os compatriotas Steve Holcombe e Danny McCanney, o piloto Beta Boano acaba de entrar no grupo dos melhores.”Estou tão feliz por ter podido entrar neste mundo e viver esta vida. Foi com isto que sonhei quando olhei para os meus heróis quando era jovem… e agora faço a mesma coisa. Sinto-me tão abençoado”, disse o piloto.
“Acho que não é segredo que a minha equipa e eu temos uma relação
especial! E são muito mais do que apenas a minha equipa. Somos todos muito bons
amigos e isso reflecte-se nos resultados! A atmosfera dos nossos stands é a
melhor do paddock e o que fizemos este ano contribuiu para a história do
Enduro! Tudo isto porque há três anos, eles correram o risco de me mandar para
o Campeonato do Mundo”, explicou Freeman, acrescentando ainda que se orgulha de
ter recebido esta oportunidade de braços abertos.
“Eu nunca tinha feito uma temporada completa antes, mas eles acreditaram em
mim e me deram a chance de me apresentar. Aprendi tudo o que pude com eles e
acreditei no seu trabalho a 100%, o que também considero uma parte muito
importante! Eu nunca duvidei do que eles diziam e agora temos 4 campeonatos
mundiais em 3 anos. Acho incrível o que fizemos juntos, mas não é nada menos do
que o que merecemos depois do trabalho que fizemos durante este tempo! Devo a
minha carreira a esta equipa pelo que fizeram por mim e é por isso que a nossa
relação é tão forte. Mesmo que eu mudasse de equipa no futuro, nada mudaria…
eles são a minha família para toda a vida!”
Para se conseguir vencer um campeonato do mundo nem tudo tem de ser perfeito
e existirão sempre obstáculos pelo caminho. Foi precisamente isso que aconteceu
com Brad Freeman, que nunca desistiu do seu objectivo. “O primeiro momento
em que percebi que podia ganhar o EnduroGP foi depois do primeiro dia do GP de
Itália. Na semana anterior, na Grécia, parti a clavícula e durante toda a semana
perguntámo-nos se correr seria a coisa certa a fazer ou não. Depois de correr
sábado com a clavícula partida no GP mais duro da época, surpreendi muita gente
e até a mim próprio. Eu surpreendi-me porque percebi o quanto eu queria ganhar
o campeonato e que faria qualquer coisa para alcançar meu objetivo. Depois do
Grande Prémio de Itália, eu sabia que podia ganhar o campeonato, sabia que era
a minha vez de ganhar”.
“Ganhar o Campeonato do Mundo”. Esta frase
sempre pareceu a descrição de um sonho distante para o piloto britânico. No
entanto, Brad Freeman conseguiu provar a si próprio que os sonhos também se
tornam realidade. “É algo que uma criança poderia dizer numa mini-moto, a olhar
para os seus heróis e sonhar em que um dia poderia ser como eles. Então, de repente,
chega o dia em que percebemos que, ao contrário da grande maioria dos outros
pilotos com quem competimos na nossa vida, este pensamento aparentemente infantil
se tornou uma realidade.”
O britânico recordou ainda o momento em que soube que
tinha garantido o título mundial. “O momento em que cruzei a linha de chegada
na última etapa do ano foi uma sensação indescritível! Senti imediatamente que
um peso enorme tinha saído de cima dos meus ombros: tínhamos conseguido, éramos
os melhores do mundo! Que sentimento… um momento que nunca esquecerei. Muito
especial.”
O jovem de apenas 23 anos diz já ter excedido os seus objectivos iniciais mas que o seu objectivo é continuar focado e conseguir mais vitórias. “É incrível… Ultrapassei os meus objetivos iniciais e é difícil de realizá-los novamente. Sonhava em ser campeão do mundo e agora somos os melhores do mundo com 4 títulos mundiais! É uma loucura, tenho muita sorte e ainda estou a tentar assimilar tudo. Honestamente, não sei qual é o próximo passo… Tentar defender o meu título de campeão do mundo de EnduroGP, acho eu! Mas não sou o tipo de pessoa que conta estes títulos… Aprecio cada um deles como se fossem os primeiros e isso é muito importante! Continuar humilde e ver até onde posso ir neste desporto! Esse é o meu próximo objectivo.”
Foto: Dario Agrati













