No Campeonato de WSBK, a Ducati continua em destaque: venceu todas as rondas até agora com o seu piloto Nicolò Bulega, que também tem partilhado pódios com o seu companheiro de equipa e marca, Iker Lecuona. Talvez a marca italiana ainda tenha um “trunfo na manga”. Sobre isso, Marco Zambenedetti, uma peça-chave no projeto da Ducati, deu detalhes ao meio GPOne.
Estas foram as primeiras palavras de Zambenedetti sobre a Ducati que compete em 2026 no WorldSBK:
“É uma moto nova, na qual investimos muito esforço e recursos. Este é certamente um momento importante para a empresa e, se os resultados já aparecem desde o início, podemos estar confiantes. Mas o campeonato é longo: os adversários vão reagir, por isso temos de nos manter focados no nosso trabalho e ter objetivos claros.”
Fala-se que a filosofia da moto de MotoGP foi transferida para a Superbike, e o coordenador técnico respondeu:
“Diria que esse é um dos nossos pontos fortes. Mais do que ‘levar a MotoGP para uma Superbike’, prefiro dizer que trouxemos a nossa experiência para a nova Panigale V4. Daí deriva também a versão de Superbike, que beneficia de soluções já presentes na moto de produção.”
Já se dizia que a Panigale V4 no SBK era “a moto de Alvaro Bautista”, e agora questiona-se se é “a moto feita à medida de Bulega”. Zambenedetti respondeu:
“No início, Álvaro Bautista ajudou-nos muito, dando indicações fundamentais para evoluir. Mas a moto mudou bastante ao longo dos anos, entendemos os pontos fortes e as áreas a melhorar. Hoje é uma base muito sólida, que parece funcionar em diferentes circuitos e com vários pilotos. Ainda precisamos de mais algumas corridas para ter uma visão completa, mas os sinais são positivos.”
Tem-se falado de possíveis falhas em basculantes em algumas Ducati, após utilização no limite em competição. Sobre isso, Zambenedetti explicou:
“Na competição levamos a tecnologia e os componentes ao limite, por isso é normal surgirem problemas. Servem precisamente para melhorar e prevenir. Neste caso específico, é cedo para tirar conclusões — temos de analisar o histórico do componente, possíveis quedas, erros de utilização, etc.
Encontrámos algumas críticas em certas equipas, por isso já recolhemos algumas peças e substituímo-las. Agora vamos analisar tudo com calma para perceber as causas e avaliar possíveis soluções para as próximas corridas. A prioridade continua a ser a segurança dos pilotos.”
Questionado sobre a possibilidade de introduzir nova aerodinâmica nas próximas corridas, respondeu:
“Não está decidido. Vai depender das análises: se considerarmos necessário intervir, fá-lo-emos; caso contrário, poderemos concluir que não é preciso. Ainda é demasiado cedo para dizer.”
A Ducati continua a destacar-se no campeonato, algo que Zambenedetti também sublinhou:
“É sempre difícil encontrar equilíbrio entre marcas com filosofias diferentes. Mas também é preciso ter em conta os pilotos. Muitas vezes, os melhores pilotos estão nas melhores motos, e corre-se o risco de confundir o valor da moto com o do piloto.
Temos a sorte de ter muitos pilotos fortes e muitas motos em pista, o que nos permite recolher dados, ganhar experiência e melhorar continuamente. O Balance of Performance deve ser gerido com cuidado: não deve penalizar quem trabalha bem nem favorecer demasiado os outros. Isto é um desporto, e é justo que ganhe quem trabalha melhor e investe mais.”
Sobre a origem da atual V4 e se o projeto começou com Gigi Dall’Igna, Zambenedetti explicou:
“As ideias nascem com o tempo, com experiência e competências. O trabalho é sempre coletivo, partilhado por toda a Ducati. É preciso integrar design, tecnologia e desempenho — e acredito que essa é uma das nossas diferenças face aos outros. Quando conseguimos fazer uma moto bonita e rápida, naturalmente ficamos orgulhosos, e qualquer piloto fica satisfeito.”
















