Poderá a Husqvarna ameaçar a ‘irmã’ KTM?

Por a 29 Dezembro 2015 17:18

Não é inédito vermos duas marcas do mesmo grupo empresarial a disputarem a mesma competição. Porsche e Audi são rivais nas 24 Horas de Le Mans e no WEC, tal como Citroën e Peugeot disputam a primazia na categoria R5 dos ralis. Mas a opção do grupo KTM em colocar a Husqvarna no Mundial de Moto3 e, agora, no Dakar assume contornos particularmente interessantes.
Na prática, a Husqvarna FR 450 Rally de Ruben Faria, Pela Renet e Pablo Quintanilla (na foto) é uma KTM com outra decoração. A própria estrutura técnica da marca sueca no Dakar deriva da equipa de fábrica da KTM. Só mudam mesmo os emblemas, as cores e… o main sponsor, já que aqui desenrola-se um curioso duelo entre dois gigantes das bebidas energéticas: a parceria das austríacas Red Bull e KTM estende-se também ao Dakar, enquanto a Husqvarna celebrou uma ligação à norte-americana Rockstar.

Só que a opção do grupo liderado por Stefan Pierer pode ter consequências muito para além de uma acção de marketing. A Husqvarna é uma verdadeira ameaça à KTM na luta pela vitória no Dakar (tal como a Honda e Yamaha), sobretudo numa conjuntura em que a marca austríaca ficou sem um verdadeiro ‘ponta-de-lança’ quando perdeu Marc Coma já depois de ter visto Cyril Despres mudar-se para a Yamaha em 2014 (ainda antes da transição para os automóveis).

A mesma moto, vários candidatos

A lesão de Sam Sunderland no Rali de Merzouga em outubro deixou a KTM sem um verdadeiro líder neste Dakar, já que o britânico radicado no Dubai combinava a rapidez e a experiência necessárias para enfrentar uma maratona de duas semanas em alguns dos terrenos mais inóspitos do mundo. É lícito afirmar que Toby Price é o ‘herdeiro’ natural para a KTM, depois do surpreendente 3º lugar logo na estreia em 2015. Só que o australiano, embora inegavelmente talentoso e rápido, terá de provar que consegue aguentar a pressão de lutar pela vitória etapa após etapa, contra pilotos igualmente apetrechados e com outra experiência na navegação, factor que normalmente decide a vitória no Dakar.

O mesmo se pode aplicar ao jovem austríaco Matthias Walkner, outra agradável surpresa do Dakar de 2015 e que depois se sagrou campeão do Mundo de Ralis TT, batendo nomes como Sunderland ou Paulo Gonçalves.

Só que a ofensiva da KTM deverá ficar verdadeiramente limitada a Price e Walkner, já que pilotos como Casteu, Svitko, Viladoms ou Jakes não parecem ter argumentos para entrar na luta pela vitória.

Por outro lado, a Husqvarna também tem um estreante promissor nas suas fileiras, Pierre Alexandre ‘Pela’ Renet, o campeão do Mundo de Enduro e Motocross (MX3), que poderá ser uma surpresa nas etapas mais técnicas.

E depois surgem Ruben Faria e Pablo Quintanilla. O português continua a ser um dos nomes mais respeitados do pelotão e tem aqui talvez uma das últimas oportunidades para voltar ao pódio do Dakar. O chileno, por outro lado, tentará mostrar que o 4º lugar em 2015 e a vitória no último Atacama Rally não foram por acaso. Quintanilla poderá mesmo ser o principal rival ‘interno’ dos pilotos da Red Bull KTM. E, a julgar pelas palavras de Ruben Faria ao Motosport em novembro, não parece haver uma hierarquia definida entre KTM e Husqvarna para o Dakar.

Estratégia de longo prazo?

Qual poderá ser, então, a estratégia do grupo KTM ao promover a entrada da Husqvarna no Dakar? A marca austríaca é uma referência incontornável na maior prova de TT do mundo, ganhando o Dakar consecutivamente desde 2001 (!). A forma como, por exemplo, o projeto milionário da Honda fracassou até ao momento face ao poderio e experiência da KTM mostra o quão difícil é quebrar a hegemonia das motos construídas em Mattighofen.

Só que também é um facto que a KTM está apostada em provar que é muito mais do que um construtor de motos off road, estando plenamente envolvida no seu novo projeto para o MotoGP, onde deverá entrar em força em 2017 e, quiçá, com algum wild card já em 2016.

Assim, é perfeitamente possível que na mente dos responsáveis da KTM possa estar uma progressiva passagem de testemunho para a Husqvarna, essa sim uma marca puramente ligada ao motocross e enduro, adquirida por Stefan Pierer à BMW em 2013 com o intuito de prosseguir um legado histórico iniciado há mais de um século.

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