Para a temporada de 2026, a equipa mais antiga do paddock de MotoGP terá um novo proprietário, Günther Steiner e um novo diretor de equipa, Richard Coleman.

A grande notícia do GP da Catalunha, em Barcelona, foi que Günther Steiner vai comprar a Tech3 Racing, confirmado numa conferência de imprensa.
A partir de 1 de janeiro de 2026, o co-fundador e proprietário Hervé Poncharal, que aos 68 anos há algum tempo se queria reformar, entregará o trabalho da sua vida à estrutura de Günther Steiner.
Para além do atual e futuro proprietário da Tech3 e de Carmelo e Carlos Ezpeleta, da direção da Dorna, esteve também presente Richard Coleman, bem conhecido nos automóveis mas quase desconhecido no mundo do motociclismo.
O inglês foi apresentado como o futuro manager da equipa Tech3, desde logo uma mudança significativa na configuração atual da Tech3, em que quase todos são franceses.
Embora Hervé Poncharal continue a assumir as funções de proprietário e chefe de equipa, as responsabilidades serão separadas no futuro.
Richard Coleman explicou a nova configuração: “Günther Steiner continuará a impulsionar vários projetos e não se concentrará apenas no MotoGP. O papel de chefe de equipa, por outro lado, exige 100% de empenho. Tal como Hervé, estarei presente em todos os Grandes Prémios, testes e eventos, e serei responsável por todas as operações diárias.”
Como foi referido na conferência de imprensa de abertura em Barcelona, nada mudará dentro da equipa por enquanto. Nicolas Goyon vai manter-se como chefe de equipa, e a localização da equipa, ativa no MotoGP e no Moto3, Em Bornes Les Mimosas, no sul de França, também está definida.

Coleman está envolvido no desporto automóvel desde jovem: “Comecei a minha aprendizagem aos 16 anos no departamento técnico da Mitsubishi, no departamento que geria o Campeonato do Mundo de Ralis da equipa de fábrica. Desde então, tenho viajado pelo mundo inteiro com o desporto automóvel.”
“Em retrospetiva, foi a escola perfeita. O rali é fantástico em todos os aspetos(…) e foi uma estrutura extremamente bem-sucedida que levou a quatro títulos mundiais”, diz Coleman.
A ligação à lenda da Fórmula 1, Günther Steiner, só se desenvolveu muito mais tarde, numa altura em que a carreira do inglês já tinha tomado um rumo diferente.
Richard Coleman: “Mais tarde, geri várias equipas de corrida em vários paddocks em Inglaterra. Rapidamente percebi que um grande fator limitante nas corridas é o orçamento. Por isso, tive de começar a procurar parceiros e patrocinadores. Isso acabou por se revelar um talento meu e, mais tarde, em 2014, fundei uma agência que lida com o patrocínio desportivo – e, no fundo, com corridas e Fórmula 1.”
Durante a entrevista, o futuro chefe de equipa esclareceu: “Claro que quero aprender e compreender o máximo possível agora, mas não vou atrapalhar o Hervé a tentar absorver todo o sistema. E o que é óbvio é que a Tech3 é uma equipa de primeira classe, com a maior tradição em todo o paddock. Sem dúvida, como equipa de corridas, são uma unidade funcional brilhante, que está a alcançar pódios no MotoGP. Por isso, não seria produtivo intervir aqui.”
O britânico vê necessidade de mais ação em relação à condução a longo prazo do MotoGP como um todo:
“A Tech3 faz exatamente o que se espera de uma equipa de MotoGP. Cuidam do desporto e fazem-no a um nível elevado. Mas no futuro, e esta é também a abordagem da Liberty para melhorar significativamente o MotoGP a nível global, o desporto terá uma presença muito mais ampla (…) exigindo novas competências – especialmente na área comercial.”
O gestor continuou: “Será uma questão de manter um olho nas tarefas de uma equipa de corridas – com foco nas vitórias – enquanto também expandimos o MotoGP como um negócio. E é por aí que vamos começar, (…) com uma forma completamente nova de pensar em alguns aspetos – mas só funcionará se houver uma base sólida na forma de uma equipa de topo. E o Günther e eu concordamos que a Tech3 cumpre perfeitamente este requisito.”















