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Roteiro de fim-de-semana: Beira Alta (Viseu, Dão, Lafões e Maciço da Gralheira)

Redação por Redação
10 Setembro, 2021
em MOTO+
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Neste roteiro de fim-de-semana Motomais, vamos propor uma visita à Beira Alta, percorrendo Viseu, Dão, Lafões e o maciço da Gralheira. Bonitas paisagens, comida fantástica, boas estradas e locais pejados de história, sempre em duas rodas. Aproveitem!

Por Rui Pessoa

“Se algo de bom acontecer, viaje para comemorar… Se algo de ruim acontecer, viaje para esquecer… Se nada acontecer, viaje para que algo aconteça!”
 
Neste Roteiro vamos propor uma viagem região Viseu Dão Lafões e o Maciço da Gralheira
 
Vão ser cerca de 150 km, por uma região com historia, mas principalmente com muita paisagem natural.
 
Escolhemos como quartel general para esta escapadinha de duas noites, Vouzela
 
VOUZELA é um concelho que se diferencia pelo seu património especialmente rico em valores naturais, gastronómicos e históricos.
Aqui, ainda se preserva um bosque considerável de carvalho, fator decisivo para a imensa biodiversidade deste território.
 
A conjugação entre a vegetação e o relevo cria locais de grande beleza, como a Mata da Penoita e a Mata de N.ª Srª do Castelo, esta última repleta de vestígios de ocupações ancestrais.
É também no concelho de Vouzela que se localiza a maior população portuguesa de Rhododendron ponticum ssp. baeticum, vulgo loendro.
 
Embora ocorra disperso por vários cursos de água do concelho é na ribeira de Cambarinho que poderá contemplar uma das mais emblemáticas manchas. 
Esta relíquia da floresta Laurissilva floresce em maio e junho, altura ideal para visitar estes locais.
A existência de amplas manchas de carvalhos e outras folhosas autóctones é uma marca distintiva da floresta do concelho e justificaram recentemente a criação do Parque Natural Vouga-Caramulo (Vouzela), o primeiro com gestão local em todo o país.
 
Para entendermos a existência de tantos edifícios arquitetónicos brasonados existentes nesta linda Vila, comecemos por referir que Vouzela era um ponto de cruzamento de várias estradas romanas, fazendo com que fosse obrigatório por aqui passarem as gentes que as trilhavam.
Na Idade Média essas estradas foram utilizadas por almocreves para a realização dos seus negócios, a rua de S. Frei Gil, vulgarmente conhecida por Rua da Ponte, era denominada “a estrada do peixe”.
 
Com a evolução dos tempos, Vouzela ficava na rota das cortes de Lamego sendo lugar de passagem e paragem obrigatória na viagem até Lisboa.
No decorrer dos séculos, este fluxo de gente e a existência de algumas famílias ilustres nativas desta terra, deixaram até hoje vestígios da grandeza de outros tempos visíveis nos brasões das casas senhoriais, em toda a zona histórica.
 
IGREJA MATRIZ DE VOUZELA (Coord. GPS 40.429107, -8.095729)
 
A igreja de Nossa Senhora de Assunção de Vouzela é Monumento Nacional (decreto 8216 de 29 do VI de 1922). Guarda a memória de uma “baseliga” ou “monasterium” fundado na segunda metade do séc. XI por Cidi Davis – decerto moçárabe, que teria participado na reconquista cristã de Viseu (1058) levada a cabo por Fernando Magno, Rei de Leão. O edifício atual é românico – gótico, datado do séc. XIII.
Pela sua raridade destaca-se a torre sineira, a anteceder a fachada da igreja. Com duas ventanas providas de sinos, protege a frontaria dos ventos e das chuvas provindas do poente.
 
Igreja Matriz de Vouzela
PONTE ROMANA (Coord. GPS 40.721843, -8.112230)
 
Ponte com arco semi-circular em cavalete, localizada na Rua de S. Frei Gil sobre o rio Zela.
Embora frequentemente datada do período romano, esta construção deverá ser bastante mais recente (posterior ao séc. XVI).
Os elementos que abonam em favor desta hipótese cronológica são o bom afeiçoamento do aparelho que a constitui, a ausência de marcas de forfex, o mau acabamento das partes laterais e, ainda que não determinante, a existência da base dum cruzeiro inserida no corrimão da ponte.
Ponte Romana de Vouzela
PONTE DO CAMINHO DE FERRO (Coord. GPS 40.721223, -8.110348)
A ponte férrea de Vouzela, sobre o rio Zela, datada dos finais de 1913 é hoje um dos símbolos da vila.
A sua funcionalidade deu lugar à beleza, que se deve não só ao seu enquadramento, como à sua dimensão e estrutura.
Com 15 arcos em alvenaria, esta construção, parte integrante da Linha do Vouga, está hoje convertida em zona pedonal e é um dos pontos de passagem para quem visita Vouzela.
Esteve afecta ao tráfego ferroviário entre 1914 e 1990.
 
FONTE DA NOGUEIRA (Coord. GPS 40.721424, -8.111504)
É uma construção do séc. XVI, mandada construir por D. Luís filho, de D. Manuel I, por esse motivo, ostenta um brasão com as armas do Infante.
No entanto, este fontanário está um pouco desvirtuado devido a obras realizadas posteriormente.
Diz a lenda que esta fonte é um verdadeiro cupido, por isso, quem beber da sua água vai apaixonar-se por alguém de Vouzela e aqui casará.
 
TORRE MEDIEVAL DE VILHARIGUES (Coord. GPS 40.715635, -8.129323)
Torre medieval de planta quadrangular, localizada num outeiro a norte da aldeia de Vilharigues.
Apenas subsistem duas das quarto paredes onde é possível observar no seu interior o negativo dos três pisos que possuía.
Nas paredes exteriores tem dois mata-cães assentes sobre quatro mísulas. Recentemente foi alvo de obras com o intuito de a recuperar e valorizar.
 
Vouzela tem também uma gastronomia tão rica e variada como a sua paisagem!
Desde a Sopa Seca de Alcofra, iguaria única proveniente desta freguesia caramulana, à afamada Vitela de Lafões IGP, uma carne suculenta e confecionada de várias e saborosas maneiras, terminando nos doces com o incomparável Pastel de Vouzela e o Folar de Vouzela.
Apure os seus sentidos e delicie-se!
 
Seguimos neste roteiro para as Termas de São Pedro do Sul
 
  • São Pedro do Sul
  • São Pedro do Sul
TERMAS SÃO PEDRO DO SUL (Coord. GPS 40.739173, -8.091090)
Perdem-se no tempo, os primeiros vestígios da utilização das águas termais de São Pedro do Sul com fins curativos e de bem-estar, mas são dos romanos os mais importantes vestígios patrimoniais que chegaram até aos nossos dias e que são o que resta do balneum romano ali construído no princípio do séc. I da era cristã.
A sua primeira designação – Balneum, terá dado origem ao topónimo Banho, nome porque é conhecida a povoação no séc. XI
(o que dele resta é hoje Monumento Nacional), sobre cujas ruínas mandou D. Afonso Henriques edificar o balneário e, bem mais tarde (em 1894) foram criadas, a seu lado, novas instalações termais.
Nestas águas tão especiais da então designada Vila do Banho, terá D. Afonso Henriques vindo recuperar de uma fractura sofrida em batalha.
São muitos anos de tratamentos e de bem-estar conseguidos com estas águas num local também já designado por Caldas de Lafões e Caldas da Rainha D. Amélia, atestando a importância que lhes atribuíram outros monarcas.
Ramalho Ortigão, conhecido escritor português, referiu-se-lhe assim:
“Em São Pedro do Sul, a natureza capricha em exuberância, num complexo de colorido e fertilidade, bordejando os meandros do rio e trepando pelas folhas dos montes que descem, suaves, para a água …”
 
De São Pedro do Sul, seguimos e preparar para começar a subir às “Alturas”, o Maciço da Gralheira
 
Serra da Arada
Serra da Gralheira, ou Maciço da Gralheira, são designações atribuídas a um conjunto montanhoso acidentado e situado no distrito de Viseu.
O Maciço da Gralheira é o conjunto montanhoso que integra a Serra da Freita, a Serra da Arada, a Serra de São Macário e a Serra do Arestal.
Este complexo conjunto de elevações encontra-se situado entre o rio Douro, o rio Paiva e o Sul do rio Vouga.
Um sistema de cordilheiras de montanhas muito irregulares, onde o xisto e o granito modelam a paisagem, e as diversas falhas geológicas que o atravessam lhe conferem um estatuto especial, e caoticamente belo.
Uma sucessão de vales profundos e alinhamentos montanhosos, cujo ponto mais alto de encontra na Serra da Arada, a 1119 metros de altitude.
Com uma extensa mancha natural, o Maciço da Gralheira possui zonas de forte densidade florestal que sofreram com os incêndios dos últimos anos.
Agora, regeneram-se a cada dia entre planaltos e os numerosos vales de baixa altitude.
Assistir ao seu esforço é uma viagem recompensadora e a nossa maneira de lhes prestar a merecida homenagem.
Guarda em si paisagens únicas, um património incontornável e muitas estradas de sonho para percorrer de mota. 
Está situado maioritariamente nos distritos de Aveiro e Viseu e este conjunto de elevações separa, e alimenta, as bacias hidrográficas dos rios Paiva, Douro e Vouga.
 
A R326 leva-nos a subir à Serra da Arada.
A Serra da Arada é a porta de entrada subir às alturas.
É a partir dela que iniciamos a descoberta de um património geológico de importância internacional e um roteiro panorâmico digno das melhores estradas de Portugal.
Na subida fazemos uma paragem no Baloiço do Miradouro da Serra da Arada (Coord. GPS 40.828165, -8.087399), de onde podemos começar a perceber a paisagem que nos espera.
 
Continuamos a subida da Serra da Arada, onde Drave será a nossa próxima paragem.
 
Aldeia de Drave
DRAVE, a Aldeia Mágica (Coord. GPS 40.860380, -8.119907)
Os caminhos da serra estão sinalizados.
A aldeia protegida pelas montanhas, aninhada nas suas encostas. Drave é a chamada ”Aldeia Mágica”.
Um local ainda sem electricidade, água canalizada, telemóvel ou qualquer outro tipo de infraestrutura.
Feita de casas de xisto, a rocha dominante em redor, é atravessada pelas águas da ribeira que escoa das montanhas.
Para lá chegar é necessário percorrer 4 km de uma estrada (sem pavimento) que rasga a colina em zigue-zagues sucessivos.
Nota: O acesso é complicado a motos com pneus de estrada, motos turísticas e até Maxi Trails onde é exigido aos condutores grande percia de condução fora de estrada.
 
Voltando À estrada, continuamos a subir pela CM1123 em direcção ao Santuário de São Macário e o ponto alto da serra
 
  • Monte São Macário
  • Monte São Macário
O MONTE DE S.MACÁRIO com 1052 metros de altitude (Coord. GPS 40.87606, -8.06068), constitui um fantástico ponto de observação das serras e vales das Montanhas Mágicas, serra do Caramulo e Estrela, um local onde assistir ao nascer do sol é simplesmente incrível…
É também na serra de S. Macário que se encontra um dos mais peculiares Santuários de Montanha do território, constituído por duas ermidas:
a de São Macário de cima, e a de São Macário de baixo, erguidas em memória de um eremita que, segundo a lenda, se tornou santo e padroeiro desta serra.
É aqui que está localizado também um dos mais adoráveis santuários de montanha do território, dedicado a São Macário.
Diz a lenda que Macário, cuja profissão o obrigava a ausentar-se muitas vezes de casa, um dia, regressou mais cedo do que era esperado e encontrou um homem a dormir na sua cama.
Cego pelo ciúme, matou o homem, que dormia, no entanto, verificou que tinha acabado de matar o próprio pai, que a esposa tinha acolhido em casa, enquanto ele estava fora.
Para se penalizar, Macário fez-se eremita e foi viver para uma gruta, onde passou o resto dos seus dias, em jejuns e oração.  
 
Diz ainda a lenda que S. Macário terá morto uma serpente que aterrorizava os habitantes da Pena e de Covas do Rio.
Agradecidos os habitantes daquela região construíram uma capela, no alto do monte – como eremita Macário viveu na cova da serpente e, mais tarde, então na capelinha.
 
Do topo de São Macário, seguimos para a Aldeia da Pena.
 
Aldeia da Pena
Os picos pontiagudos de xisto avistam-se ao longe e são um convite para seguir viagem.
Instalada num profundo vale, o acesso por estrada à Aldeia da Pena representa um vertiginoso percurso.
Lá no fundo, está o casario de xisto que parece emoldurar o vazio.
 
ALDEIA DA PENA (Coord. GPS 40.87765, -8.07886)
A aldeia da Pena, no coração do maciço da Gralheira, perto de São Pedro do Sul, é um tesouro escondido no fundo de um vale.
Conta-se que nestas terras vivia uma serpente dragão e é pelo seu lombo que vai a estrada que nos leva de Macieira até ao lugar da Pena.
É pelas escamas de xisto do monstro rochoso que vamos fazer os sete agrestes quilómetros de uma estrada municipal onde, muitas vezes, só pode passar um carro de cada vez.
É percurso para ser feito devagar, com mais atenção à paisagem do que deleite na condução
A aldeia enquadra-se num cenário natural de rara beleza. Estende-se por um viso que vai morrer à ribeira da Pena, a cerca de 600 metros de altitude.
As suas águas são cristalinas, embora bastante frias dadas a sua proximidade da nascente e do facto de correr sobre terrenos rochosos.
Esta ribeira dá muita vida à aldeia, pois é a partir dela que os campos são regados.
O seu caudal nunca seca, sendo por isso aproveitado, nos meses mais quentes do ano, pelos habitantes locais e por alguns visitantes, para banhos.
Pena será lugar natural para os amantes da Natureza e da Montanha, e uma uma das mais belas aldeias de xisto portuguesas.
A aldeia da Pena e as sumptuosas serras que a envolvem compõem um dos mais belos quadros paisagísticos do município de S. Pedro do Sul e de todo o território das Montanhas Mágicas.
Ao longo da estrada sinuosa que lhe dá acesso é possível contemplar as maravilhosas paisagens da serra de S. Macário e o admirável vale do Deilão.
Já na aldeia, o destaque recai sobre as pequenas casas de xisto decoradas com flores coloridas, os típicos canastros e as tradicionais colmeias.
aldeia típica de xisto com seis habitantes e 10 casas de habitação,
Os inimitáveis sabores da cozinha serrana, desde o cabrito e a vitela assados no forno de lenha ao arroz de cabidela, passando pelos deliciosos petiscos e enchidos preparados de forma artesanal, tornam a visita à aldeia da Pena uma experiência única e memorável.  
 
Aldeia da Pena
A Ribeira de Pena corre cristalina e, apoiada pelo silêncio que é tão fácil de encontrar aqui, é o burburinho que parece ser a voz do xisto.
À entrada da aldeia, a Adega Típica da Pena é o tapete de boas vindas para o visitante e serve presunto, queijo da serra, feijoada e o cozido à portuguesa à moda da Pena.
Aqui ou nas outras lojas de artesanato local, não se esqueça de se abastecer de mel, porque este aqui vale mesmo a pena.
Moram nesta aldeia 6 pessoas: Ana e Alfredo Brito com as duas filhas aqui nascidas e um casal de reformados.
Fazem mel de urze, licores, e enchidos quando matam os animais.
Ocupam-se da agricultura, têm animais e gerem a Adega Típica da Pena, onde servem boa comida caseira.
A Livraria da Pena é outro ponto de interesse a não perder, trata-se de um local de interesse geológico com mais de 480 milhões de anos, são fragas dispostas verticalmente que lembram livros, em que cada “livro” corresponde a um estrato quartzítico.
O caminho faz-se encosta abaixo, ao longo do ribeiro da Pena, no “Caminho do Morto que Matou o Vivo”, uma lenda muito conhecida localmente
Caminho do morto que matou o vivo
Hoje já existe um cemitério (pequeníssimo) na Aldeia da Pena.
Antigamente, porém, quando morria alguém, era preciso ir a pé até ao da aldeia vizinha de Covas do Rio, com o caixão aos ombros, por um caminho íngreme e estreito, onde agora há um trilho que percorremos parcialmente.
O nome do caminho deve-se a uma lenda, segundo a qual um dos homens que carregava o caixão escorregou e este, caindo sobre si, matou-o.
 
Por estas serras encontramos aldeias perdidas no tempo como Drave ou a Aldeia da Pena, quedas de água majestosas, edifícios históricos, miradouros de cortar a respiração.
Todos unidos por uma rede de estradas sugestiva, entre os grandes contrastes das serras.
Do relevo áspero e imponente, ao austero planalto onde só florescem matos rasteiros.
Dos profundos vales atapetados por denso arvoredo aos picos montanhosos com belas vistas panorâmicas.
 
Voltamos à estrada, e desta temos a “respeitada” Estrada do Portal do Inferno.
 
Portal do Inferno
Avistando este local ao longe, imaginamos uma estreita estrada que ondula fortemente pela estreita zona mais alta da montanha que atravessa.
Um sítio de íngreme passagem que amedrontou por muitas gerações todos os que por ali passaram.
O local é rodeado por duas ribeiras que drenam em sentidos opostos: ribeira de Covas do Monte e ribeira de Palhais.
E é na Primavera que os panoramas se encontram no auge da sua avassaladora beleza. Tudo em redor fica pintado de amarelo e rosa, porque a carqueja, o tojo e a urze estão em flor.
No limite entre os municípios de Arouca e São Pedro do Sul, no extremo oriental do Maciço da Gralheira, situa-se o Portal do Inferno
O Portal do Inferno é uma espécie de abismo, onde a Estrada Municipal 567 estreita ao passar por duas vertentes íngremes.
Pelas vertigens, pelas curvas e contracurvas, dizem que o Diabo andou por aqui, amedrontando durante muito tempo todos os que por ali passaram, existindo mesmo a lenda “do morto que matou o vivo”.
Este local é referenciado como um Geosítio do Arouca Geopark, nomeadamente as rochas que foram moldadas pelos agentes de geodinâmica externa, os vales escarpados no xisto e especialmente “a garra”, que não é mais que montanha cortada por diversas linhas de água profundas que lembram a separação de dedos de uma garra de uma ave.
 
A estrada do Portal do Inferno e Garra (Coord. GPS 40.873137, -8.109456), atravessa um dos mais espetaculares locais de Portugal, e é um dos pontos altos deste roteiro, principalmente para nós Motociclistas
Trata-se de um local com elevado interesse panorâmico, especialmente para “a garra” que não é mais que montanha cortada por diversas linhas de água profundas que lembram a separação de dedos de uma garra de uma ave.
A primavera é a estação do ano em que a vista é mais espetacular pois a “Garra” parece ficar pintada de amarelo e rosa por causa da floração da carqueja e do tojo e da urze, respetivamente.
 
Marco da Galinha
Marco da Galinho do Portal do Inferno (Coord. GPS 40.873628, -8.114059)
Um marco com uma inscrição curiosa
“Neste Idilico Portal, a Galinhola Pôs o Ovo Dourado”
Não se sabe a razão deste marco, mas deste ponto podemos ter uma vista fantástica desta paisagem
 
Até agora, este roteiro tem nos levado a desfrutar de estradas e paisagens fantásticas, onde o Motociclista sente-se parte da paisagem.
 
Minas de Regoufe
Minas de Regoufe (Coord. GPS 40.879066, -8.134493)
Da estrada do Portal do Inferno desviamos para visitar a Aldeia de Regoufe, onde se encontra o complexo mineiro agora descativado e em ruinas
Tal como as suas vizinhas Minas de Rio de Frades, o volfrâmio era o principal minério extraído daquelas montanhas.
Também conhecido como tungsténio a sua exploração intensiva foi conhecida em meados do século passado como a Febre do Ouro Negro.
Actividade que teve o auge da sua exploração durante a II Guerra Mundial.
Regoufe uma exploração inglesa e Rio de Frades uma alemã.
Dois grandes complexos mineiros esquecidos em redor de uma riquíssima área natural, irreversivelmente modificada pela sua intervenção.
 
Tomamos novamente a M567 (Estrada do Portal do Inferno), onde a próxima paragem é no Miradouro São Pedro Velho (Coord. GPS 40.874845, -8.281386)
Estamos no coração da Serra da Freita e em S. Pedro Velho, encontrará um vértice geodésico de 1.ª Ordem, constante da Rede Geodésica Nacional, com data de 1955.
 
Miradouro de São Pedro Velho
De acordo com a cartografia militar, este marco define uma altitude de 1077 metros, um dos pontos mais altos da serra da Freita.
Na verdade, esta posição altaneira deve-se ao facto de localizar-se sobre um domo rochoso de granito da serra da Freita, uma rocha dura e resistente, face à erosão provocada pelos agentes de geodinâmica externa que aqui atuam.
É, por isso, que a partir desta geoforma granítica é possível obter-se uma panorâmica de 360 graus para grandes unidades geomorfológicas que a rodeiam e se estendem por todo o norte e centro de Portugal continental, bem como, sobre a superfície aplanada da serra da Freita.
Na superfície plana da serra, destacam-se inúmeras aldeias tradicionais, que vão bordando a paisagem do planalto, o santuário da Senhora da Laje, as múltiplas linhas de água que se unem para formar o rio Caima, o Parque Eólico da serra da Freita, a maioria dos restantes geossítios integrados neste itinerário e outros locais de interesse natural e cultural, identificados nos painéis interpretativos da paisagem que aqui encontramos.
A paisagem que a vista alcança a partir de São Pedro Velho é imponente.
Um olhar sobre o Norte permite observar o majestoso vale de Arouca, as elevações do Gamarão, o vale do Paiva, a serra de Montemuro, o vale do Douro e as demais serranias a norte deste rio, como as de Valongo e as minhotas até ao Gerês.
Rodando o olhar, na direção Sul, o vale do Vouga, a serra do Caramulo, o vale do Mondego e a serra da Estrela.
E quando parece que a vista já alcançou tudo, há ainda na direção ocidental uma franja de mar, que se estende aproximadamente desde a Póvoa de Varzim até à serra da Boa Viagem (Figueira da Foz), com particular destaque para os braços da ria de Aveiro. Imperdível.
 
Deste miradouro seguimos por mais cerca de 4 km e temos outro ponto alto deste roteiro
 
Frecha da Mizarela
Frecha da Mizarela (Coord. GPS 40.863941, -8.285645)
Frecha da Mizarela na povoação de Albergaria da Serra.
Ali, encontramos um espéctaculo natural digno de ser apreciado e uma estrada de acesso ao miradouro que estimula os nossos batimentos cardíacos.
Estamos no ponto da Serra da Freita onde o rio Caima se projecta a mais de 60 metros de altura, criando uma das mais altas e belas cascatas de Portugal.
A Serra do Alvão está para as Fisgas do Ermelo como a Serra da Freita está para a Frecha da Mizarela.
Um espetáculo natural digno de ser contemplado, à escuta das águas que correm pelas rochas graníticas.
Do miradouro observa-se, a três dimensões, o granito da serra da Freita, uma rocha mais dura e resistente à erosão fluvial do que a generalidade dos micaxistos localizados a jusante.
Estas rochas metamórficas ante-ordovícicas, por serem mais brandas e macias, tornam a erosão fluvial mais eficaz, algo que é bem visível na paisagem, devido ao rebaixamento topográfico que apresentam.
A Cascata da Frecha da Mizarela é considerada por muitos como a mais bela, além de ser a mais alta de Portugal continental. 
 
Continuando neste nosso roteiro, para podermos contemplar um dos geossítios mais emblemáticos do Arouca Geopark. Aqui, vai ser surpreendido por um fenómeno único no mundo: as Pedras Parideiras (Coord. GPS 40.850633, -8.282971)
 
Pedras Parideiras
Fenómeno único em Portugal e muito raro no mundo inteiro e que consiste no facto de pedras crescerem e se soltarem da “pedra-mãe”, daí terem ganho a designação popular de “pedras parideiras”
Do ponto de vista geológico, esta rocha designa-se «granito nodular da Castanheira» e estende-se por uma área de cerca de 1 km2.
O granito é de cor clara e apresenta um grão médio, com duas micas e uma invulgar quantidade de nódulos biotíticos (mineral de cor negra), de forma discoide e biconvexa, marcadamente alinhados.
Apresenta, como minerais essenciais, quartzo, ortoclase, albite, biotite e moscovite.
Por ação da erosão, os nódulos libertam-se e acumulam-se no solo, deixando no granito uma cavidade, cujas paredes estão revestidas por uma capa biotítica.
É por isso que os habitantes da aldeia da Castanheira chamaram a esta rocha «Pedra Parideira», por ser «a pedra que pare pedra».
As datações mais recentes K-Ar (obtidas em moscovites e biotites dos nódulos) apontam para idades entre 320 e 310 milhões de anos. Chegou, portanto, a um geossítio de características únicas no mundo.
 
Continuando o nosso roteiro, voltamos a subir na Serra, e vamos pela estrada que passa por Albergaria a Velha (Coord. GPS 40.868442, -8.2769032), e rumamos a mais um Miradouro.
 
A Panorâmica do Detrelo da Malhada (Coord. GPS 40.885429, -8.255108)
 
Detrelo da Malhada
A Panorâmica do Detrelo da Malhada é um miradouro a perder de vista na localidade de Moldes, em plena Serra da Freita e a 1099 metros de altitude.
Em Portugal temos paisagens fantásticas e contrastantes como as planícies do Alentejo e a Norte serras rasgadas por vales e cascatas.
O distrito de Aveiro não é diferente e consegue oferecer paisagens diversas, desde o mar até à montanha.
E visitar Arouca não é só uma sugestão, mas quase como que uma obrigação para quem gosta de contacto próximo com a natureza.
Eu visitei a Panorâmica do Detrelo da Malhada depois da minha visita aos Passadiços do Paiva. São pouco mais de 40 minutos em estradas deliciosas de curvas e contracurvas que perfazem menos de 30 km de distância.
 
Embora seja um local de muito vento, não é à toa que foi criado um parque eólico no topo da Serra da Freita, em dias sem nevoeiro a paisagem é de cortar a respiração com a vista a conseguir alcançar as elevações do Gamarão, o vale do Paiva, a Serra de Montemuro, o encaixe do vale do Douro e serras da região de Valongo até ao Gerês.
A Oeste, mais fácil de identificar, é possível alcançar o Oceano Atlântico, a Ocidente, a região litoral entre Espinho e o Porto, e, a Oriente, o Côto do Boi, a Serra da Arada, São Macário e ainda a Serra do Marão.
O miradouro, ao contrário do que muitos levam a pensar, não tem vista de 360 graus, mas algo a rondar os 180 graus numa plataforma suspensa que é mais que suficiente para nos perdermos por serras, vales, rios e um oceano.
Para além do miradouro, vais ainda encontrar no local uma pequena torre de vigia.
 
Trata-se de uma plataforma suspensa sobre a vertente norte da serra, assente em rochas de xisto, que lhe coloca aos pés o vale da Arda e a vila de Arouca.
Para ocidente, consegue-se alcançar a região litoral entre Espinho e o Porto, enquanto que, a oriente, a vista alcança as serras da Arada e do Marão.
Ainda a norte, espreitam na paisagem as elevações do Gamarão, o Vale do Paiva, a Serra de Montemuro e as zonas serranas entre Valongo e o Gerês.
 
De seguida este roteiro leva-vos a Manhouce pela M612
 
Ponte Romana Manhouce
Manhouce é uma freguesia portuguesa do concelho de São Pedro do Sul, situada no maciço da Gralheira, centro de um polígono de Santos Populares: S. Macário, Santa Mafalda, Senhora da Saúde e até o Senhor da Pedra.
Manhouce era atravessado por uma via romana que, saindo do Porto, passava por ali, rumo a Viseu.
Sensivelmente a meio caminho entre as duas cidades, esta aldeia era local obrigatório de pernoita de recoveiros e almocreves que por lá passavam e estabeleciam o intercâmbio sócio-cultural entre as gentes do litoral e do interior.
Já o topónimo Manhouce, parece advir do termo manho (terra inculta, baldio) ou de uma variação de amanhouce (terra amanhada).
 
Ponte Romana de Manhouce (Coord. GPS 40.825439, -8.213387)
A Ponte de Manhouce, construída pelos romanos entre os séc. II a.C. e o séc. I d.C., integrava a Via Cale, a Estrada imperial que ligava Emérita Augusta (Mérida) a Bracara (Braga), com passagem por Viseu.
Uma via que adiante na História ficaria aqui conhecida como estrada dos almocreves, os itinerantes comerciantes que da Idade Média ao séc. XX ligaram gentes, culturas e territórios com as suas histórias e mercadorias.
Em termos arquitetónico é uma ponte de arco simples de volta inteira, que assenta diretamente no alicerce da rocha emergente do rio.
 
Poço Negro
Perto de Manhouce, estão localizados os poços de Manhouce localizam-se no troço mais alto do rio Teixeira, onde abundam as quedas de água e os poços ou piscinas naturais.
O Poço Negro no rio Teixeira, os poços da Cilha e da Barreira na ribeira da Vessa, e o poço da Gola na ribeira de Manhouce, são alguns dos mais conhecidos e frequentados, e todos eles foram esculpidos na rocha dura pela força das águas.
Muitos destes poços são precedidos de cascatas, o que os torna pequenos pedaços de paraíso que surpreendem pela sua beleza e enquadramento.
 
Propomos uma visita à Cascata e Lagoa do Poço Negro (Coord. GPS 40.816226, -8.227460)
Cascata e Lagoa do Poço Negro, um verdadeiro pedacinho do paraíso escondido em Manhouce, São Pedro do Sul.
A força das águas do rio Teixeira, um dos rios mais selvagens de Portugal, esculpiram a preceito, uma lagoa de águas cristalinas, precedida duma das cascatas mais bonitas de Portugal.
E se o Poço Negro encanta, o luxuriante bosque em que está inserido apaixona!
É mesmo um pedacinho do céu na terra, que não só nos permite estar em total comunhão com a natureza, como ainda propicia refrescantes mergulhos nos dias quentes do ano.
E não se deixe enganar pelo nome de Poço Negro. As águas não são negras, mas sim de um encantador verde-esmeralda.
O nome deve-se unicamente ao facto do Poço Negro ser mesmo muito profundo.
Para ir até ao Poço Negro terá de fazer um pequeno percurso pedestre.
Se conseguir descer a estrada de terra batida, irá chegar a uma zona mais plana, junto a um portão, que tem largura suficiente para estacionar em segurança.
Após estacionar, siga a pé pelo estradão até chegar a um pequeno parque de merendas (localizado no lado esquerdo), que fica imediatamente antes dum açude para aproveitamento hidroelétrico.
No parque de merendas, terá de seguir por um trilho à esquerda até chegar ao Poço Negro. No total só terá de percorrer cerca de 400 metros a pé.
 
Baloiço de São Pedro do Sul
Seguindo Viagem, temos como proxima paragem o Miradouro do Baloiço de São Pedro do Sul (Coord. GPS 40.794475, -8.224129)
Sugerimos uma paragem aqui para esticar as pernas, ver as vistas e porque não baloiçar um pouco.
 
Após esta paragem, continuamos a descer a serra, e vamos ter mais uma paragem obrigatória, a Ponte sobre o Rio Gralheira (Coord. GPs 40.773220, -8.170127)
 
Ponte de Gralheira
Seguindo por mais cerca de 3km, vamos então encontrar o Poço Azul (Coord. GPS 40.781020, -8.165029)
O Poço Azul é uma obra inacabada da Natureza.
É um refúgio em construção há milhares de anos e que está em permanente evolução.
Oferece-nos o encanto selvagem de uma piscina natural e a frescura da água da ribeira.
A ribeira da Landeiras na ânsia de se juntar ao rio Vouga, passa por caminhos estreitos, selvagens, ultrapassa rochas graníticas, vai moldando as pedras e afunda numa pequena lagoa de dois a três metros de profundidade.
A densidade reforça o azul e a água é de tal forma cristalina que vemos sem dificuldade o fundo da lagoa.
Pouco depois, a ribeira passa por outra cascata muito pequena e esconde-se de novo entre o denso arvoredo.
São penedos e mais penedos e depois tem dois socalcos, do género de poças grandes, e a água é azul. Tem recantos extraordinários e mesas para se merendar.
O acesso ao Poço Azul é feito a pé.
Cerca de meio quilómetro por um caminho que revela a vegetação luxuriante com pinheiros, castanheiros e também videiras. Ajuda no verão a ter sombras e a refrescar.
 
Poço Azul
Estamos já no final deste roteiro e a rumar ao nosso destino final e quartel general escolhido para este Roteiro, Vouzel.
 
Do Poço Azul e pela CM1237, passamos por Gralheira, Paredes, Oliveira de Frades, para finalmente chegarmos a Vouzela.
 
 
Restaurantes em Vouzela
 
Margarida Restaurante (Coord. GPS 40.723894, -8.109552)
 
Quinta da Cavada (Coord. GPS 40.722025, -8.104327)
 
Tasquinha de Lafões (Coord. GPS 40.723027, -8.110571)
 
Restaurante Eira dos Sabores (Coord. GPS 40.705251, -8.132591)
 
Adega Do Ti Joaquim (Coord. GPS 40.737912, -8.091358)
 
 
Dormir em Vouzela
 
Refúgio da Vila – Refuge of the Village (Coord. GPS 40.723036, -8.110580)
 
BIKEINN (Coord. GPS 40.723672, -8.110318)
 
Apartamentos Cimo de Vila (Coord. GPS 40.723734, -8.109428)
 
Penthouse – Low Cost (Coord. GPS 40.722792, 8.112300)

Tags: Beira AltaDãogastronomiaLafõesMaçiso da GralheiraRoteiro de fim de semanaViseu
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