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A história do BELL Star

Paulo Araújo por Paulo Araújo
17 Janeiro, 2019
em MOTO+
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A história dos primeiros capacetes integrais de moto passa inevitavelmente por uma marca fabricada na pequena vila de Santa Cruz, na California. Foi aí que nasceu o primeiro integral do mundo, o inónico Bell Star, que mudaria o conceito de proteção da cabeça dos motociclistas para sempre.

Um dos principais marcos na segurança em moto, todos provavelmente usamos um diariamente, sem pensar como e aonde teve origem. Há pouco, celebrou-se o 55º aniversário da sua invenção, pois foi em 1963 que se começou a fabricar e vender o primeiro capacete integral de motos, concebido e desenvolvido nos Estados Unidos pela Bell Helmets.

Um jet não oferecia a mesma proteção de um integral

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Naquela época, os motociclistas (bem como os pilotos de dragsters, carros e barcos) tinham uma escolha limitada em capacetes de segurança. Tudo o que havia eram capacetes três quartos abertos, ou jets, com diferentes graus de proteção e segurança. Alguns pilotos de carros e motociclistas ainda usavam capacetes feitos de couro ou cortiça!

De acordo com a Bell, na verdade foram os próprios motociclistas a pressionar por um melhor design de capacete e, como resultado, os seus engenheiros voltaram para a prancheta e criaram o primeiro capacete de motocicleta integral, que a empresa batizou de Bell Star.

Tinha uma calote exterior rígida, construída a partir de tela de fibra de vidro, como era usado na indústria aeronáutica. A direção da trama foi crucial para garantir a máxima resistência em toda a superfície do capacete e foi colada com uma resina de poliéster de alto impacto que foi então revestida com um revestimento epóxi resistente a arranhões. Dentro, havia um forro de esverovite convencional, não tão diferente assim do tipo que ainda se encontra nos capacetes de hoje.

Laboratório da Bell nos anos 60

Na década de 1960, a Bell fez mesmo questão de divulgar que os forros usados ​​em todos os seus capacetes eram feitos do mesmo material usado pelos militares norte-americanos nos seus capacetes de voo HGU 2P, e pela NASA em capacetes para astronautas. Para a altura, com cerca de 1,700 Kg, o Bell Star também era relativamente leve.

A empresa sediada em Santa Cruz começou, como vimos, a vender o Bell Star em fevereiro de 1963 e descreveu o capacete no seu catálogo como sendo revolucionário, com máxima proteção facial, melhor visibilidade e respiração para o utilizador do que um capacete convencional. Nos primeiros, não havia uma viseira de abrir como as que conhecemos hoje, mas uma lente de plástico à prova de choque que precisava de ser removida da sua moldura de borracha para limpeza ou substituição.

O famoso slogan

Por 59,50 dólares, o capacete Bell também era muito caro, o mais caro no mercado, mas a Bell resolveu isso com o seu famoso slogan da época: “Se tem uma cabeça de 10 dolares, use um capacete de 10 dolares” (!!)  Mais, para demonstrar a segurança intrínseca do novo capacete, e como todos os capacetes da Bell na época, o Star passou nos exigentes critérios de colisão estabelecidos pela organização independente americana de segurança, a Snell Foundation.

O critério, há 50 anos, para um capacete receber a aprovação de segurança da Snell era ter de passar por um teste de colisão simulado sem causar sérios danos ao capacete ou potencialmente à cabeça do utente. O teste de impacto envolvia suportar um choque de 16,5 Kg/m, o equivalente a um peso de 8 Kg atingir o capacete a 26 Km/h.

A Bell viria a expandir a gama com o famoso Moto III

A Bell rapidamente encontrou um grande número de seguidores para o seu modelo, apesar do custo, entre os entusiastas da moto, incluindo os melhores pilotos, bem como muitos dos principais pilotos de corrida de carros do mundo. Kenny Roberts tornou a marca conhecida nos EUA e na Europa, Barry Sheene era famoso por usar um coberto de autocolantes de outra marca patrocinadora…

Todos os capacetes integrais de alta tecnologia de hoje estão a anos-luz de distância do Bell Star 1963 original em termos de design, construção e dos materiais usados ​​para os fabricar. Mas todos devem a sua existência ao pioneiro modelo da Bell.

Tags: BellCaliforniaCapacetesEUAfibraintegralRobertsSanta CruzSheeneSnellStar
Paulo Araújo

Paulo Araújo

Jornalista especialista de velocidade, MotoGP e SBK com mais de 36 anos de atividade, incluindo Imprensa, Radio e TV e trabalhos publicados no Reino Unido, Irlanda, Grécia, Canadá e Brasil além de Portugal

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