Johann Zarco protagonizou no passado domingo um daqueles momentos que ninguém quer viver. O piloto da LCR Honda foi um dos afetados pelo brutal acidente de Alex Márquez, ao ser atingido no tornozelo por uma das peças da Ducati. Ainda assim, poucos minutos depois, Zarco voltou a subir à moto para enfrentar a segunda partida do dia.
Mal podia imaginar que, instantes depois de as luzes se apagarem, viveria a queda mais assustadora da sua carreira. O francês caiu na primeira curva, após embater na Honda de Luca Marini. Na sequência do acidente, acabou também por atingir Bagnaia, chocando com a Ducati de tal forma que a sua perna esquerda ficou presa na roda traseira da moto.
Depois de dar várias voltas, o francês ficou caído no chão, ainda com a perna presa. Rapidamente, Marini e Bagnaia correram para o ajudar, mas ao perceberem a gravidade da situação pouco puderam fazer além de levar as mãos à cabeça, acompanhar o piloto até à chegada dos serviços médicos e pedir imediatamente a bandeira vermelha.
Apesar da violência das imagens, as primeiras avaliações revelaram apenas lesões nos ligamentos cruzados anterior e posterior do joelho esquerdo, no menisco medial e uma pequena fratura no perónio, junto ao tornozelo. Depois de receber alta hospitalar na segunda-feira e regressar a França, Zarco será agora avaliado por um especialista para determinar a verdadeira extensão das lesões.
O piloto concedeu entretanto a sua primeira entrevista após o acidente ao jornal L’Equipe, onde revelou como viveu aqueles momentos dramáticos.
“Todos os que correram na minha direção tinham medo de me tocar para não agravar as minhas lesões”
O francês lamenta sobretudo ter regressado à pista depois do acidente de Alex Márquez, no qual o seu tornozelo já tinha sido atingido por destroços. “Já tinha o pé completamente roxo. Colocámos gelo na contusão e a dor aliviou um pouco. Foi aí que devia ter tomado a decisão de abandonar o resto da corrida”, recordou. “Entre as imagens do acidente do Alex e aquela pancada no pé, fui completamente abaixo. Já não estava concentrado quando voltámos à grelha. Estou zangado comigo mesmo por ter feito aquela segunda partida”, admitiu.
Zarco explicou também a dinâmica da queda. “Fiquei preso no cone de ar do Marini e não consegui travar a tempo para o evitar”, contou. Depois disso, acabou por embater também na Ducati de Bagnaia. “Comecei a dar voltas juntamente com a moto dele, e a minha perna esquerda ficou presa entre a roda, o assento e o escape.”
Mas o pior ainda estava para vir. “Fiquei preso na gravilha, a gritar de dores. A minha perna começou a arder e todos os que corriam na minha direção tinham medo de me tocar por receio de agravar as lesões. Então fui eu próprio que puxei pela minha perna, e só depois me ajudaram. Imobilizaram-me, cortaram o fato e colocaram-me uma via para aliviar a dor. Nunca tinha vivido algo assim e foi absolutamente aterrador.”
















