A temporada de MotoGP continua a mostrar um contraste cada vez mais evidente entre a Aprilia e a Ducati, com Marco Bezzecchi a liderar o Mundial e a fábrica de Noale em plena ascensão competitiva. Nesse contexto, as palavras de Valentino Rossi à Sky Italia voltaram a colocar o foco na figura de Marc Márquez, num momento especialmente delicado para o piloto espanhol.
O nove vezes campeão do mundo, que igualou os títulos de MotoGP de Rossi em 2025 ao conquistar a sua sétima coroa na categoria rainha em Motegi, vive agora uma das fases mais complicadas da sua carreira recente.
A situação de Márquez mudou radicalmente após o Grande Prémio de Mandalika, onde sofreu uma lesão no ombro direito que arrasta desde então. A partir daí, a temporada transformou-se numa corrida contra o tempo para tentar regressar ao seu melhor nível.
O piloto da Ducati ainda não conseguiu subir ao pódio num Grande Prémio este ano e o seu rendimento tem estado claramente condicionado pelos problemas físicos. A queda na Sprint de Le Mans agravou ainda mais a situação, ao ponto de o obrigar a passar duas vezes pelo bloco operatório: uma intervenção ao pé direito e outra ao braço, onde lhe foi removido um parafuso que lhe estava a provocar problemas nervosos. Um cenário que explica a irregularidade dos seus resultados e a falta de continuidade em pista.
Na sua análise para a Sky Italia, Valentino Rossi referiu-se diretamente à situação do espanhol, enquadrando-a numa temporada em que, segundo ele, a sorte não tem acompanhado os principais pilotos da Ducati.
“Márquez teve azar com o braço”, afirmou o italiano, em referência aos problemas físicos que o piloto enfrenta desde o seu regresso à competição.
O antigo piloto de Tavullia, rival histórico de Márquez em pista, quis também contextualizar o rendimento da Aprilia, que deu um claro salto em frente com Marco Bezzecchi como líder sólido do campeonato.
Rossi também quis afastar a ideia de que a Aprilia tenha ultrapassado a Ducati em termos de rendimento puro. Para o italiano, a chave está mais na combinação piloto-moto do que numa superioridade técnica evidente.
“Não acredito que a Aprilia seja melhor do que a Ducati, é uma moto ligeiramente diferente”, explicou.
Segundo a sua análise, o atual momento da Aprilia entende-se melhor através do rendimento individual dos seus pilotos, especialmente Bezzecchi, que assumiu a liderança do projeto com enorme consistência.
“O Bezzecchi fez esta moto evoluir muito no ano passado, sente-a como sua e chegou muito motivado”, apontou Rossi.
Também destacou o papel de Jorge Martín, ainda que com algumas reservas devido à sua recente ausência por lesão, dentro de uma dupla que elevou o nível do fabricante de Noale.
Na sua leitura do campeonato, Rossi também incluiu os pilotos da Ducati, salientando que o rendimento da marca continua elevado, mas que alguns dos seus principais nomes não têm conseguido transformar esse potencial em resultados consistentes.
“Os melhores pilotos da Ducati tiveram alguns problemas, algum azar: Márquez com o braço e Pecco, que mostrou potencial mas nem sempre conseguiu concretizá-lo”, resumiu.
Um diagnóstico que encaixa na realidade de uma temporada em que a Ducati já não domina com a mesma autoridade de anos anteriores, enquanto a Aprilia se tornou a referência do momento.
O Mundial entrou numa fase em que o equilíbrio e as condições físicas dos pilotos estão a fazer mais diferença do que a pura superioridade técnica. Márquez, que chegava como um dos grandes protagonistas após o título de 2025, viu-se travado pelas lesões, enquanto Bezzecchi lidera com autoridade um campeonato que mudou de hierarquias.
E, no meio de tudo isto, Rossi volta a colocar o debate no mesmo ponto de sempre: não é apenas a moto, mas sim quem a conduz.
















