Evento especial comemora o domínio americano nas 500
Os Estados Unidos já dominaram o motociclismo de Grande Prémio. Agora, não têm nenhum piloto no MotoGP e apenas um no WorldSBK. Então, para onde foram todos os americanos velozes?
Seis campeões mundiais americanos de 500cc reúnem-se em Laguna Seca este fim de semana. É uma lembrança comovente de algo que praticamente desapareceu do motociclismo moderno: americanos velozes no topo do desporto.
Houve uma altura em que ver um piloto americano na frente dum Grande Prémio era algo quase normal– era simplesmente o esperado. Aliás, durante um período notavelmente longo, pode argumentar-se que os EUA foram a força dominante no motociclismo de velocidade.
Este fim de semana, seis dos homens responsáveis por esta era reúnem-se em Laguna Seca: Kenny Roberts, Freddie Spencer, Eddie Lawson, Wayne Rainey, Kevin Schwantz e Kenny Roberts Jr. O evento especial contará com os pilotos a assinar autógrafos, a participar em voltas de demonstração e a aparecer juntos numa sessão de perguntas e respostas com os fãs.

Kevin Schwantz – Lucky Strike Suzuki
É uma coleção notável de talentos. Roberts conquistou três campeonatos mundiais consecutivos em Yamaha de 500cc de 1978 a 1980. Spencer conquistou o título em 1983 e 1985 na Honda, tornando-se o único piloto a vencer os campeonatos de 500cc e 250cc no mesmo ano.
Lawson venceu quatro títulos na categoria principal. Tornando-se o único a fazê-lo consecutivamente com duas marcas quando passou da Yamaha Marlboro para a Honda Rothmans, e Rainey conquistou três títulos consecutivos para a Yamaha entre 1990 e 1992; Schwantz sagrou-se campeão em 1993 e Roberts Jr. completou a história da família ao vencer em 2000. Juntem tudo isto e os números são impressionantes. Entre 1978 e 2000, os pilotos americanos venceram 14 dos 23 Campeonatos do Mundo de 500cc.
É um contraste gritante com a era moderna do MotoGP, embora a presença americana não tenha desaparecido de um dia para o outro.

Wayne Rainey, Eddie Lawson, Kenny Roberts, Takuma Aoki Foto: Suzuka Circuit
Nicky Hayden carregou a bandeira para a era moderna das 4 tempos no MotoGP, conquistando o Campeonato Mundial de 2006 com a Repsol Honda, enquanto Colin Edwards se tornou um piloto de topo regular tanto no Mundial de Superbike (2 títulos com a Honda Castrol) como no MotoGP.
Houve também John Hopkins, que passou grande parte da década de 2000 no MotoGP, antes da chegada de Ben Spies, que venceu o Campeonato Mundial de Superbike de 2009 antes de migrar para o MotoGP com a Yamaha. Mesmo após o campeonato de Hayden, os Estados Unidos continuaram a produzir pilotos capazes de competir ao mais alto nível. Hayden manteve-se no MotoGP até 2015, enquanto Spies, Hopkins e Edwards tiveram passagens pela categoria principal. Desde então, porém, o fluxo praticamente secou. É isso que torna a situação atual tão estranha. Os EUA não pararam de produzir pilotos talentosos, mas os dias em que um piloto americano era presença constante na liderança dos maiores campeonatos de motociclismo do mundo parecem agora muito distantes.

Freddie Spencer com Erv Kanemoto
Não há um único piloto americano em MotoGP ou Moto3, com apenas Joe Roberts a representar os EUA em Moto2. No Mundial de Superbike, há apenas Garrett Gerloff; o texano é agora o único norte-americano no campeonato, tendo assinado recentemente para permanecer na Kawasaki até 2027. Chegou ao WorldSBK depois de competir na MotoAmerica, onde já se tinha afirmado como um dos pilotos mais rápidos dos Estados Unidos.
É particularmente estranho porque os EUA não pararam de produzir pilotos de motociclismo velozes. A MotoAmerica conta ainda com um bom número de pilotos a competir nas categorias de Superbike e Supersport, e o país possui uma cultura de corridas rica e um panorama nacional extremamente competitivo.
O problema é que poucos destes pilotos estão a conseguir dar o salto do sucesso nos Estados Unidos para o sucesso no panorama mundial. E isto não se resume a um simples desinteresse dos americanos pelas corridas de motos, mas sim ao facto de os caminhos para chegar ao MotoGP serem hoje muito diferentes do que eram há 20 ou 30 anos.
Se observarmos os seis pilotos homenageados em Laguna Seca, nenhum deles surgiu através do campeonato europeu de base. Em vez disso, seguiram a combinação tipicamente americana de corridas em pistas de terra batida, como foi o caso de Roberts e Roberts Jr., Schwantz, Lawson e Rainey, enquanto Freddie Spencer preferiu o caminho estritamente das corridas em circuito, através da AMA.
Há aqui paralelos também com o motociclismo britânico. A Grã-Bretanha tem uma longa história de produção de estrelas de Grande Prémio, desde Stan Woods, Mike Hailwood e Barry Sheene a nomes como Carl Fogarty, James Toseland e Cal Crutchlow, mas os pilotos britânicos também se tornaram cada vez mais raros no topo do desporto.
Crutchlow foi o último britânico a vencer uma corrida de MotoGP, e atualmente não há nenhum piloto britânico na grelha de MotoGP – desde que o seu papel de super-substituto da LCR terminou. Assim como nos Estados Unidos…
















