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MotoGP: Márquez, Acosta e o futuro da Ducati; Domenicali aborda os grandes temas em Misano

Miguel Fragoso por Miguel Fragoso
15 Setembro, 2026
em Autosport, Destaque Homepage, Moto GP, Newsletter
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MotoGP: Márquez, Acosta e o futuro da Ducati; Domenicali aborda os grandes temas em Misano

Fonte: Instagram/ducaticorse


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Claudio Domenicali, CEO da Ducati, pôde assistir na primeira fila, em Misano, ao espetáculo proporcionado pelo seu “Marc Márquez”. O campeão espanhol não só dominou a corrida, como também assumiu a liderança do campeonato, empatado em pontos com Jorge Martín. Um objetivo que há apenas alguns meses parecia impossível, mas que agora é uma realidade. Já não se trata de sonhar, mas sim de lutar nas próximas corridas.

“Será preciso ver corrida a corrida, dependendo de quanto a configuração do circuito tiver impacto. Em Misano teve algum impacto. Na minha opinião, isso ficou evidente tanto na Sprint como na corrida. Em determinadas fases, o Marc sofre uma quebra de rendimento e, por isso, precisa de ter alguma margem, porque tem de gerir mais. Em Silverstone e Assen teve dificuldades, portanto vai depender realmente de corrida para corrida. Em Misano, o Alex e o Fermín ajudaram-nos, foram muito rápidos e permitiram-nos tirar mais pontos ao Jorge. Se eles não estivessem lá, não estaríamos empatados em pontos. O Jorge teria terminado em segundo sem o Fermín, o Alex e também o Pedro.”

“Sem dúvida. É um atleta extraordinário, não apenas em termos de talento, mas também pela sua capacidade mental, por isso é um grande problema para os outros. Nas pistas onde venceu, o braço não lhe causou problemas, porque não é possível conseguir isso apenas com a cabeça. Falámos de Assen e Silverstone, onde teve dificuldades porque, nas curvas longas para a direita, em apoio, não consegue exercer a força que gostaria. Vamos manter os dedos cruzados.”

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“Na minha opinião, no desporto devemos procurar sempre fazer o melhor por nós próprios. Por isso, hoje teríamos preferido ver uma corrida com o Bez e vencê-lo em pista. Cada um tem o seu estilo. Nós tentamos, tanto quanto possível, obter o melhor resultado, vencendo os adversários, e nada mais. Por isso, não me envolveria nesse tipo de comentários. Tentaria manter-me um pouco acima disso.”

“Muito preocupados, porque o Pecco tinha feito testes de inverno muito bons, mas depois, nas corridas, já não era o mesmo dos testes e não percebemos o que tinha acontecido. Já tínhamos visto que o Marc não estava bem nos testes de inverno, ainda com sintomas da recuperação do acidente na Indonésia. Havia algumas coisas que nem sequer eram bem compreendidas e os médicos não conseguiam perceber. Por isso, tivemos um início de temporada muito complicado. Os nossos adversários tinham feito um trabalho muito bom durante o inverno e continuaram da mesma forma que tinham terminado em Valência, com o Bez a conquistar poles e a vencer corridas partindo da frente. Nós não conseguíamos vencer, por isso estávamos muito preocupados.”

“A queda do Marc em França, mais uma, que o convenceu a antecipar aquela intervenção que já estava programada. Era uma intervenção um pouco às cegas, porque não era totalmente claro o que se passava, embora houvesse certamente coisas que precisavam de ser tratadas. Havia aquele parafuso, havia um nervo que estava a ser afetado… mas a medicina não é uma ciência exata. E os tempos de recuperação não eram claros, não eram certos.

“Quando regressou em Mugello, num circuito que é complicado e que não é propriamente um dos seus favoritos, teve dificuldades. Depois, assim que chegou aos seus circuitos, percebemos que a situação era diferente e que a moto tinha melhorado. Tínhamos alterado a aerodinâmica, os rapazes não baixaram os braços e continuaram a tentar melhorar a moto. Quando o Marc chegou aos seus circuitos, a partir de Balaton, percebemos que havia uma ténue esperança.”

“O nível é muito elevado e bastam pequenas coisas para alterar os equilíbrios.”

“É claro que somos apaixonados por corridas, apaixonados pelo desporto, mas também somos gestores. Aquilo que fazemos em pista tem impacto nos resultados da empresa em geral. Sempre que conseguimos um resultado deste género, penso nas 2000 pessoas que trabalham em Bolonha. Produzimos motos aqui e, por isso, talvez, em vez de vendermos 50.000 motos, vendamos 52.000. Essas duas mil motos adicionais ajudam-nos num momento que, de uma forma geral, é complexo.”

“Além do facto de ainda não ter sido tomada qualquer decisão sobre isso, a única coisa certa é que existe um plano no qual o grupo, no âmbito de um processo de concentração nas suas principais atividades, que são os automóveis, poderá decidir que algumas das empresas que adquiriu ao longo do tempo, e não apenas a Ducati, poderão encontrar um novo acionista.

“Não há nada de particularmente estranho nisso, no sentido de que é independente do facto de a empresa estar a funcionar bem ou mal. Neste momento, a Ducati está talvez no melhor momento da sua história em termos de desempenho desportivo e tecnologia dos produtos, mas num contexto em que existem as tarifas norte-americanas e a China está a atravessar dificuldades. Por isso, todos os que trabalham no mundo das motos têm o vento contra.

“Nós estamos a ter bons resultados num momento que, de uma forma geral, é complexo, e não há nada de particularmente estranho se uma multinacional decidir racionalizar o seu portefólio. Se e quando esta situação for confirmada, o nosso papel será encontrar, juntamente com o Grupo, a melhor solução para garantir o melhor futuro a uma empresa que já tem cem anos e que queremos que tenha mais cem, continuando a investir como estamos a fazer e a fazer crescer a marca.”

“A Volkswagen, através da Audi, tem sido um excelente acionista desde 2012, porque permitiu manter a empresa focada num produto de enorme qualidade e com uma tecnologia de topo. Permitiu-nos investir e ajudar a criar a Ducati de hoje, que é muito diferente da Ducati de há dez anos.

“No entanto, fizemos tudo isto com os recursos financeiros gerados pela própria Ducati, ou seja, ganhámos dinheiro nestes anos e reinvestimos esses lucros na empresa. Por isso, o mais importante é encontrar outro acionista que tenha vontade, caso esta decisão seja tomada, de continuar a desenvolver a marca, deixando os recursos que ela gera dentro da própria empresa.”

“Não sei. Têm surgido muitas ideias fantasiosas. A Ferrari é uma marca extraordinária, talvez a marca automóvel mais prestigiada do mundo. Por isso, qualquer tipo de associação seria certamente extremamente interessante. No entanto, neste momento, parece-me um pouco fantasioso.”

“Há fantasias piores! (risos). Digamos que já li várias coisas fantasiosas.”

Tags: Claudio DomenicaliDucatiMarc MárquezMotoGPPedro Acosta
Miguel Fragoso

Miguel Fragoso

Jornalista para o site motosport que estuda e escreve sobre todas as novidades do mundo motorizado. Nasci no mundo das “duas rodas” por culpa da família que sempre esteve associada a este meio. Conseguir trabalhar nesta área e falar sobre o mundo das motos é um privilégio enorme.

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