Há apenas algumas semanas, Raúl Fernández não sabia qual seria o seu futuro, apesar de os seus resultados esta temporada estarem a ser impressionantes. O piloto madrileno, no entanto, passou por alguns anos complicados, tanto a nível psicológico como em termos de resultados. Ainda assim, continuou a trabalhar arduamente e, aliado à grande evolução da Aprilia, esse esforço levou-o ao topo do pódio em várias ocasiões.
Apesar disso, o piloto mantém-se humilde, como explicou em declarações ao motogp.com.
«Nós não somos super-heróis, somos pilotos de motos que se dedicam a isto desde pequenos. Para mim, os Super-Homens são aquelas pessoas que fazem algo para mudar o mundo. Médicos, bombeiros que combatem incêndios. Sinto-me um privilegiado por fazer aquilo que quero e dedicar-me ao que amo, porque, no fundo, faço aquilo de que mais gosto no mundo: andar de moto», começou por dizer o piloto.
A competição representa toda a sua vida, mas o caminho não foi fácil.
«A minha vida a 100% baseia-se em treinos, sacrifício e em andar de moto. Primeiro porque é aquilo de que gosto e, segundo, porque, sabendo que é a minha paixão, também é o meu trabalho. Olhas um pouco para trás e vês tudo aquilo que conseguiste desde o ponto de onde partiste e percebes realmente o enorme esforço da família, o trabalho diário, e passas a valorizar ainda mais o facto de teres conseguido chegar ao MotoGP», afirmou.
O piloto da Trackhouse destacou que, apesar de o talento ser necessário para chegar ao MotoGP, o trabalho é uma componente fundamental.
«Existe uma parte muito importante de sacrifício e esforço. Sem sacrifício e esforço não te consegues preparar. Os nossos corpos não nascem a saber andar de moto a 360 km/h. É preciso educá-lo para conseguir fazê-lo. O mais difícil de ser piloto é saber gerir tantas emoções ainda tão jovem. E, além disso, subir para uma moto e andar depressa», explicou.
O objetivo de Raúl Fernández é claro: «ser campeão do mundo». Mas, para isso, teve primeiro de atingir o fundo.
«No meu caso, venho de estar bastante mal há alguns anos, de passar por momentos difíceis em que nada saía bem. Quando tudo corre mal e nada resulta, começas a questionar tudo. Há dois ou três anos, quando não tinha sequer a possibilidade de lutar por nada, custava-me fazer as últimas repetições no ginásio ou os últimos dez quilómetros de bicicleta; pareciam uma montanha impossível de ultrapassar.
Por isso, acredito que foi isso que mais mudou para mim. Todo o sacrifício, os bons momentos, mas sobretudo os maus, fazem com que agora perceba que tudo valeu a pena», concluiu.
















