Raúl Fernández está a viver, sem dúvida, uma das melhores temporadas da sua carreira no motociclismo. O piloto madrileno conquistou este fim de semana a sua primeira vitória de 2026, a segunda da sua carreira na categoria rainha.
Há apenas um mês, Raúl ainda não tinha um lugar garantido para a próxima temporada, apesar de ocupar posições cimeiras no campeonato e de ser uma ameaça constante em cada fim de semana de corrida. No entanto, graças às suas boas prestações, acabou por renovar contrato com a Trackhouse Racing, equipa liderada por Davide Brivio e integrada na estrutura da Aprilia.
Fernández prepara-se para disputar a sua sexta temporada no MotoGP, naquela que parece ser uma das mais promissoras da sua carreira, depois de vários anos a lutar habitualmente por posições intermédias. Em declarações ao site italiano Moto.It, o espanhol falou sobre o seu percurso até 2026 e comentou a situação atual do campeonato.
Raúl quis agradecer a Massimo Rivola, diretor da Aprilia, pelo apoio que lhe deu ao longo dos anos.
“Ajudou-me especialmente quando terminei o Moto2. Trabalhou sempre muito para me trazer para a Aprilia, embora no primeiro ano eu ainda estivesse bastante ligado à KTM. Foi uma pessoa importante porque foi o primeiro a acreditar em mim e a querer levar-me para a Aprilia. Tenho de dizer que, mesmo quando o projeto não era como é agora, ele estava comprometido em trazer-me para cá, em manter o foco e em tirar o máximo desta moto. É uma relação que nunca tive a oportunidade de desenvolver trabalhando diretamente com ele, mas ele esteve sempre presente para mim.”
O piloto também falou sobre Jorge Martín, atual líder do campeonato e piloto da Aprilia, garantindo que não existe uma rivalidade exacerbada entre ambos, apesar do incidente em Montmeló, onde Fernández provocou a queda do espanhol.
“Somos todos rivais. No final, todos estamos aqui pelo mesmo sonho. A questão está relacionada com o que aconteceu em Barcelona, mas não gosto de entrar nesse tipo de assuntos. Faz parte do desporto, pode acontecer. Por isso digo que não muda nada. Vejo o Jorge como um profissional, um campeão do mundo, tal como todos os que arriscam a vida na pista.”
O piloto da Trackhouse explicou também a importância da chegada de Davide Brivio à equipa. O responsável italiano descreveu-o recentemente como um piloto “explosivo, instintivo, mas que precisa de manter a calma”.
“Quando ele chegou, a moto não era como é agora. Era um projeto bastante novo. Chegou numa altura em que a equipa estava apenas a começar no MotoGP. Tudo era novo. Somos jovens, pessoas entre os 20 e os 25 anos, a pilotar as melhores motos do mundo. Às vezes precisamos de alguém que nos ajude a controlar algumas emoções. Para mim, estar ‘sob controlo’ significa que, por vezes, precisamos de acalmar, porque estou sempre muito focado em fazer tudo na perfeição. E temos de perceber que este é um desporto onde é preciso saber esquecer os erros.”
As palavras de Fernández deixam perceber que o seu perfeccionismo excessivo poderá ter prejudicado o seu rendimento em anos anteriores.
Continuando a falar sobre Brivio, o espanhol fez questão de destacar a importância do italiano na transformação da equipa.
“No ano passado foi também a primeira vez que tivemos uma moto verdadeiramente competitiva. A equipa estava pronta para lutar. Antes era sobretudo a equipa oficial que conseguia ser competitiva. Até Davide Brivio chegar à Trackhouse, nem tudo estava preparado para vencer.”
E acrescentou:
“A relação com a Aprilia melhorou em todos os aspetos. Não é a mesma equipa e eu também não sou o mesmo piloto que era em 2023 ou 2024.”
Quanto à luta pelo campeonato, Raúl Fernández mostrou-se cauteloso e considera que a pressão deve recair sobre os pilotos oficiais das equipas de fábrica.
“Sou jovem e estou a aproveitar ao máximo o tempo que passo em cima da moto. Como já disse, foram três anos com resultados difíceis, porque sabemos que o MotoGP é muito duro. Quero desfrutar deste momento. A pressão e a luta pelo campeonato devem estar do lado dos pilotos oficiais das equipas de fábrica, não do Ai Ogura nem do meu.”
Apesar de ocupar posições de destaque na classificação, Fernández não se considera um verdadeiro candidato ao título.
“Estamos lá na frente, mas também porque os outros cometeram muitos erros. Continuo sem acreditar que sejamos verdadeiros candidatos. Penso mais no Marco Bezzecchi, no Jorge Martín, no Márquez, talvez também no Di Giannantonio, que é o segundo piloto Ducati, e no Pecco Bagnaia. Somos nós que, por vezes, complicamos a vida aos pilotos que estão realmente a lutar pelo campeonato.”
















