Fermín Aldeguer está a atravessar um dos momentos mais delicados da sua temporada. O piloto espanhol continua a recuperar de uma fratura na vértebra T7, uma lesão que já o obrigou a falhar os Grandes Prémios de Assen e Sachsenring e que mantém em dúvida a sua participação em Silverstone.
Aldeguer está a aproveitar estas semanas na região de Múrcia, rodeado pela família e amigos, totalmente focado na recuperação e sem querer estabelecer prazos precipitados para o regresso à competição.
“Está a correr bastante bem. Os últimos exames mostraram progressos, mas é uma lesão que exige muito repouso. Estou bastante limitado, mas quando voltar quero fazê-lo a 100%. É preciso tempo e calma”, explicou à Onda Regional.
O piloto da Ducati garante que não irá arriscar apenas para marcar presença em Silverstone.
“Não quero correr riscos excessivos em Silverstone e, se tiver de esperar por outra corrida, já em Aragão, não há qualquer problema. Neste momento não estamos a lutar por nenhum objetivo específico, para além de nós próprios, de recuperar a confiança e continuar a crescer. O desafio é estar a 100% no final da temporada, quando chegar a altura de testar a moto do próximo ano.”
A lesão também levou Aldeguer a encarar o resto da época sob uma perspetiva diferente. Sem a pressão de lutar por posições importantes na classificação geral, o foco passa por recuperar as sensações positivas que começava a reencontrar antes da interrupção forçada.
“Aprendi que tudo pode mudar de um momento para o outro e que é preciso estar preparado para qualquer situação, mantendo sempre a calma. Daqui até ao final do ano espero recuperar essas sensações e voltar a lutar pelos pódios.”
O futuro de Aldeguer reserva mudanças importantes. Em 2027 continuará a pilotar uma Ducati, mas deixará a Gresini Racing para integrar a estrutura da VR46.
Para o espanhol, manter-se ligado à mesma marca será uma vantagem importante.
“Ajuda bastante continuar com a mesma marca. O facto de muitas coisas permanecerem semelhantes facilita a adaptação e devemos tirar partido disso. Terei de me adaptar à nova equipa, mas não tenho dúvidas de que serei muito bem recebido.”
Ainda assim, a entrada em vigor do novo regulamento técnico obrigará todos os pilotos a começar praticamente do zero.
“A adaptação será fundamental porque, apesar de continuar a ser uma Ducati, a moto será nova para todos. O importante será chegar, dar o tempo necessário ao processo, trabalhar com entendimento e continuar a evoluir.”
Questionado sobre o impacto das novas motos, Aldeguer acredita que, em teoria, as futuras MotoGP poderão adaptar-se bem ao seu estilo de pilotagem. No entanto, evita fazer previsões sobre quem estará na frente.
“Pelo que está escrito nos regulamentos, deverá ser uma moto que se adapte bem ao meu estilo de condução, mas isso também poderá acontecer com outros pilotos. Ainda é cedo para prever quem estará na frente.”
Há, porém, um nome que o jovem piloto nunca exclui das contas.
“Marc Márquez nunca pode ser descartado, mesmo depois de tantos anos a pilotar motos com características diferentes. Acredito que se vai adaptar. As novas regras vão abrir muitas oportunidades para outros pilotos, mas o Marc continuará a ser uma referência.”
A mudança para a VR46 permitirá também a Aldeguer trabalhar sob a orientação de Valentino Rossi. O espanhol admite que a figura do nove vezes campeão do mundo impõe respeito, mas acredita que a sua experiência poderá ser decisiva para a evolução da carreira.
“No início impõe algum respeito. Ele não estará presente em todas as corridas, mas disseram-me que posso ligar-lhe e contar com o seu apoio sempre que precisar a nível competitivo.”
Aldeguer quer aproveitar ao máximo os conhecimentos de Rossi.
“Há poucas pessoas melhores do que ele para me ajudar. Tenho de aproveitar essa oportunidade. Os seus conselhos vão permitir-me crescer e tornar-me um piloto melhor. Vai ajudar-me a compreender aspetos mais profundos da competição.”
Apesar da mudança para a VR46, o futuro de Aldeguer continua intimamente ligado à Ducati. Depois de ter assinado inicialmente para as temporadas de 2025 e 2026, a marca italiana prolongou a ligação até 2028, demonstrando a confiança que deposita no seu potencial.
O espanhol não esconde qual é o seu grande objetivo a longo prazo.
“Tenho muito tempo para chegar à equipa oficial da Ducati. Compreendo perfeitamente a escolha de Pedro Acosta, porque a Ducati quer ter os melhores pilotos. Já tinham o Marc Márquez, que continua muito forte, mas nunca se sabe quanto tempo mais irá competir ao mais alto nível.”
Aldeguer acredita que uma oportunidade poderá surgir no futuro.
“Com Acosta de um lado, com o Marc, que um dia poderá decidir parar, e com um Fermín Aldeguer pronto para dar esse salto… Ter uma moto oficial da Ducati dá-me confiança e faz-me sentir apoiado.”
O piloto espanhol vai mais longe e admite sonhar com uma futura dupla espanhola na equipa oficial da Ducati.
“Acredito que isso vai acontecer um dia. O meu objetivo é chegar à equipa oficial da Ducati e o Pedro ainda tem muitos anos de carreira pela frente. Porque não?”
Aldeguer acompanha também com atenção a nova geração de talentos espanhóis, destacando Álvaro Carpe e Máximo Quiles, que continuam a impressionar no Mundial de Moto3.
Sobre Carpe, destacou a evolução consistente.
“Está a trabalhar muito bem e a consolidar-se na categoria. Tem sido um pouco irregular, mas estou convencido de que essa vitória vai chegar.”
Já sobre Quiles, o elogio foi ainda mais expressivo.
“Há pouco a dizer quando olhamos para os resultados. Quando o vemos em pista transmite confiança e quase não comete erros. É impressionante o que estes jovens estão a fazer e devemos aproveitar este momento tão especial.”
Enquanto continua o processo de recuperação, Fermín Aldeguer mantém intacta a ambição para o futuro. Primeiro, regressar à competição em plena forma. Depois, iniciar uma nova etapa na VR46, adaptar-se às novas MotoGP e continuar a perseguir o grande sonho da carreira: conquistar um lugar na equipa oficial da Ducati e vestir um dia o emblemático vermelho de Borgo Panigale.
















