Durante anos, Jack Miller encontrou sempre forma de relançar a sua carreira. Honda, Ducati, KTM e, mais recentemente, Yamaha: o australiano foi sempre capaz de encontrar uma nova oportunidade para continuar no MotoGP. Desta vez, porém, o cenário parece diferente.
Não só o seu lugar na Pramac Yamaha deverá desaparecer no final da temporada, como o seu plano B no Mundial de Superbikes também se está a tornar mais complicado. E a Yamaha já lhe enviou um primeiro sinal bastante claro.
A saída de Miller da Pramac parece cada vez mais inevitável. A chegada da nova geração de pilotos, liderada por nomes como Izan Guevara, está a obrigar a Yamaha a renovar a sua estrutura. Aos 31 anos, o australiano enfrenta também a realidade dos resultados: apesar da sua experiência e do importante papel no desenvolvimento da YZR-M1, os resultados desportivos já não justificam a sua permanência na categoria.
O objetivo da Yamaha passa por manter a base da equipa:
- Andrea Locatelli já renovou contrato;
- Remy Gardner também tem vínculo assegurado;
- Stefano Manzi faz parte dos planos futuros;
- Xavi Vierge possui uma opção de renovação que a Yamaha pode ativar até setembro.
Ou seja, se Miller esperava garantir rapidamente um lugar no projeto da Yamaha no WorldSBK, percebe agora que poderá ter de esperar… ou procurar alternativas.
Segundo várias informações oriundas do paddock, Jack Miller gostaria de continuar ligado à Yamaha.
O problema poderá ser financeiro.
O salário que recebia no MotoGP está muito acima dos padrões normalmente praticados no Mundial de Superbikes. Caso pretenda continuar com a marca japonesa, o australiano deverá aceitar uma redução salarial significativa.
É uma situação comum para pilotos que deixam a categoria rainha, mas que costuma dificultar as negociações.
Enquanto a Yamaha ganha tempo, há outros construtores que podem aproveitar a situação. A BMW deverá precisar de encontrar um substituto para Danilo Petrucci, enquanto a Honda continua a investir no crescimento do seu projeto no WorldSBK.
Ambas as marcas poderão dispor dos recursos financeiros necessários para atrair um piloto com a experiência de Miller. Além disso, a capacidade do australiano para desenvolver motos continua a ser vista como uma das suas maiores qualidades, especialmente para equipas em fase de evolução.
O caso de Miller ilustra uma situação pouco habitual no motociclismo moderno. Raramente tantos pilotos experientes do MotoGP ficaram simultaneamente sem lugar garantido para o futuro.
Entre os nomes frequentemente associados ao mercado encontram-se:
- Brad Binder;
- Franco Morbidelli;
- Alex Rins;
- Jack Miller;
- e, em menor escala, Maverick Viñales.
Todos procuram atualmente oportunidades semelhantes, tornando até o mercado do WorldSBK bastante mais competitivo.
Ao contrário de outros pilotos que começam a aproximar-se do final da carreira, Miller continua a demonstrar total motivação para competir.
A questão já não parece ser se vai continuar a correr, mas sim onde o fará. O MotoGP, salvo uma surpresa de última hora, parece cada vez mais distante. O WorldSBK continua a surgir como o destino mais lógico.
No entanto, depois de perceber que a Pramac já não conta com ele para o futuro, Jack Miller enfrenta agora uma segunda realidade: até o seu plano B deixou de estar garantido.
















