Marc Márquez não precisa de uma moto perfeita para ser rápido. Esta é uma característica que o acompanha ao longo de toda a sua carreira e que os adeptos conseguem perceber a olho nu. Mas os dados também o comprovam. Pelo menos aqueles que a Öhlins recolhe, enquanto fornecedora de suspensões para equipas de MotoGP.
Jonas Torstensson, diretor da área de competição da marca sueca, falou sobre o tema e revelou o que os dados recolhidos por uma equipa de 13 técnicos nos circuitos mostram sobre alguns campeões do mundo de MotoGP, incluindo a lenda Valentino Rossi.
Numa entrevista ao jornal Marca, Torstensson destacou a capacidade única de Márquez.
“Marc Márquez provavelmente entende a moto melhor do que qualquer outro piloto. Consegue definir aquilo de que precisa para ser mais rápido e os seus comentários são muito bons. Ao mesmo tempo, se cometeres um erro ou não encontrares a melhor afinação, ele será rápido na mesma.”
O responsável da Öhlins recordou até alguns episódios durante sessões de testes.
“Já tivemos testes em que levámos componentes novos. Ele saía para a pista, fazia um grande tempo por volta e nós pensávamos: ‘Uau, este material é muito bom’. Depois regressava às boxes e dizia: ‘Não gosto disto’. Então perguntávamos: ‘Mas como é que foste tão rápido?’ E ele respondia: ‘Simplesmente forcei mais’.”
Torstensson comparou depois Márquez com o seu companheiro de equipa, Francesco Bagnaia.
“É diferente do Pecco. Ambos são muito sensíveis, mas de formas diferentes. Ser muito sensível pode ser algo positivo, mas também negativo.”
O dirigente considera que algumas críticas dirigidas ao italiano são injustas.
“Alguns meios de comunicação criticam o Pecco por ser demasiado sensível. Mas, do meu ponto de vista, ele é um piloto extraordinário. Quando testamos algo com ele, consegue definir exatamente o que sente e o seu feedback é excelente.”
No entanto, explica que Bagnaia precisa de uma afinação mais precisa para atingir o máximo rendimento.
“Também é verdade que ele é sensível de outra forma: precisa de ter a moto perfeitamente ajustada para ser rápido. Para um engenheiro, durante os testes, isso é muito valioso.”
Os maiores elogios foram reservados para Valentino Rossi.
“Ele tinha algo especial. Quando subia para a moto, era como se a moto falasse com ele.”
Segundo Torstensson, a grande qualidade de Rossi era transformar sensações em informação útil para os engenheiros.
“Ele conseguia traduzir tudo isso para os engenheiros e explicar exatamente o que era necessário fazer na moto para ser mais rápido.”
















