A rivalidade entre Jorge Lorenzo e Valentino Rossi foi uma das mais intensas dos últimos 20 anos no MotoGP, marcada por quedas decisivas, ultrapassagens na última volta e tensões dentro da mesma equipa. No entanto, algumas das diferenças entre ambos eram muito menos evidentes.
Quando se pensa nos duelos entre Lorenzo e Rossi, surgem imediatamente corridas memoráveis como Brno 2009, Catalunha 2009 ou Motegi 2010.
Nos primeiros anos dessa rivalidade, era normalmente Rossi quem levava a melhor sobre o seu jovem colega de equipa quando ambos estavam no auge das suas capacidades. Ainda assim, no final, o balanço de títulos conquistados enquanto partilharam a garagem da Yamaha ficou empatado: dois campeonatos para cada um.
As carreiras dos dois pilotos também deixaram imagens diferentes na memória dos adeptos. Quando se fala de Rossi, recordam-se imediatamente as rivalidades com Max Biaggi, Sete Gibernau, Casey Stoner, Jorge Lorenzo ou Marc Márquez. Já Lorenzo é frequentemente lembrado pela sua técnica de pilotagem extremamente suave e precisa, mais do que pelos conflitos que protagonizou.
Essa técnica era precisamente uma das diferenças que o distinguiam de Rossi. O espanhol privilegiava uma elevada velocidade em curva, enquanto Rossi tinha uma afinidade especial pelas travagens tardias.
Foi precisamente na travagem que Lorenzo identificou uma diferença física entre ambos.
“Quando estava com o Valentino, tentei aprender algumas coisas com ele”, contou Jorge Lorenzo no podcast Fast & Curious.
“Mas havia certas coisas impossíveis de imitar. Por exemplo, quando ele seguia a fundo em sexta velocidade, antes de fechar completamente o acelerador já começava a aplicar ligeiramente o travão dianteiro. Reduzia apenas cerca de 5% do acelerador, mas já estava a trabalhar no travão da frente. Quando tentei fazer o mesmo, percebi que não era fisicamente possível para mim, porque ele tem mãos muito maiores. Para ele era muito mais fácil.”
Naturalmente, Lorenzo encontrou as suas próprias formas de ser rápido. Fê-lo com enorme sucesso na Yamaha e também na Ducati, embora nesta última apenas tenha começado a obter os resultados desejados quando já tinha assinado com a Honda para a temporada de 2019.
Esse acabou por ser o seu último ano como piloto a tempo inteiro no MotoGP. Valentino Rossi retirou-se dois anos mais tarde, após quatro temporadas e meia sem conquistar qualquer vitória.
















