Depois de um início de temporada extremamente sólido, durante o qual dominou o Campeonato do Mundo de MotoGP aos domingos, apesar de alguns erros nas corridas Sprint, Marco Bezzecchi viveu um cenário completamente oposto nos últimos quatro Grandes Prémios disputados antes da pausa de verão.
Como se sabe, o italiano foi abalroado por Jorge Martín na Hungria, caiu no sábado na República Checa e acabou suspenso no domingo depois de ter dado uma bofetada a um comissário. De regresso aos Países Baixos, voltou a cair na corrida principal e foi transportado para o hospital para exames complementares, que não revelaram qualquer lesão grave. Já na Alemanha, chegou sem estar a 100% fisicamente e sofreu nova queda violenta, desta vez durante a qualificação.
Vítima de uma fratura na clavícula esquerda, Bezzecchi não participou no restante fim de semana do Grande Prémio, somando assim seis resultados em branco nas últimas oito corridas. A pausa de verão surgiu, por isso, no momento ideal para recuperar fisicamente e também para reorganizar ideias.
O piloto italiano atravessou um período muito complicado, mas ainda pode inverter a situação quando o campeonato regressar na próxima semana, em Silverstone. E se há alguém que o defende e recusa falar em «quebra sob pressão», esse alguém é Francesco Bagnaia. Grande amigo de Bezzecchi, o piloto da Ducati fez questão de recordar que este tipo de momentos pode acontecer a qualquer piloto e que isso não retira ao compatriota a capacidade de lutar pelo título esta temporada.
«Os jornalistas adoram a expressão ‘sob pressão’», afirmou Bagnaia com um sorriso. «Eu próprio vivi situações diferentes, como na última corrida de Valência em 2022, quando lutava pelo título e terminei apenas em oitavo. Disseram que estava a sentir a pressão, mas na corrida anterior estava igualmente a lutar pelo campeonato e tinha vencido. Tudo depende da forma como cada piloto gere a situação.»
O bicampeão do mundo acredita que o azar teve um papel determinante nas dificuldades recentes de Bezzecchi.
«Penso que o Marco teve muito azar nestas últimas corridas, porque foi atingido no Balaton. Este ano também tem tido algumas dificuldades nas corridas Sprint, mas eu não posso dizer grande coisa porque já passei exatamente pela mesma situação. É preciso compreender e aprender.»
Bagnaia destacou ainda que esta é a primeira vez que Bezzecchi se encontra verdadeiramente na luta pelo título mundial.
«É a primeira vez que está a disputar um campeonato desta dimensão. Na minha opinião, tem um potencial enorme e há circuitos mais favoráveis do que outros. O Sachsenring certamente não é um dos seus melhores circuitos. Assen era um deles, mas aí faltou-lhe sorte.»
Por fim, o piloto da Ducati rejeitou a ideia de que o compatriota esteja a sucumbir à pressão da luta pelo campeonato.
«Falar de pressão é algo muito subjetivo e, na minha opinião, não é isso que está a acontecer neste momento.»
















