Neil Hodgson analisou a atualidade do MotoGP no podcast Gas It Out, comentando alguns dos principais protagonistas da temporada de 2026. O antigo piloto e comentador britânico falou sobre o momento de Marc Márquez após o complicado fim de semana em Assen, da ultrapassagem de Fabio Di Giannantonio que fez lembrar a polémica de 2015 com Valentino Rossi e da ascensão de Ai Ogura, que já considera um dos grandes candidatos ao título.
O Grande Prémio dos Países Baixos foi um dos fins de semana mais difíceis para Marc Márquez desde o seu regresso após a lesão sofrida em Mugello. O piloto da Ducati somou apenas 13 pontos entre a Sprint e a corrida principal, terminando em sexto e sétimo lugares, respetivamente, no circuito de Assen.
Embora o resultado tenha ficado longe dos objetivos habituais do nove vezes campeão do mundo, Hodgson considera que o contexto muda completamente a leitura do fim de semana. Para o britânico, Márquez conseguiu um resultado muito mais importante do que aparenta na luta pelo campeonato.
“Parecia mal-humorado depois da corrida, o que é uma reação normal porque Marc não está habituado a terminar tão atrás. Mas, na segunda-feira de manhã, deve ter acordado e pensado: ‘Uau, que fim de semana foi este.’”
O antigo piloto da Ducati recordou que Márquez chegou a Assen com uma vantagem que poderia facilmente ter desaparecido num circuito que não favorecia a sua condição física atual.
“Se pensarmos bem, foi um fim de semana vencedor de campeonato para Marc Márquez. Começou o fim de semana com 40 pontos de vantagem e terminou exatamente com os mesmos 40 pontos. Antes de começar a ronda, teria pago muito dinheiro por esse resultado.”
Uma das chaves para o desempenho de Marc nos Países Baixos esteve nas características do traçado. O Circuito TT de Assen exige muitas mudanças rápidas e constantes de direção, algo particularmente complicado para um piloto que ainda está a recuperar fisicamente.
Hodgson considera que a lesão condicionou claramente o espanhol, que teve de pilotar uma Ducati GP26 menos eficaz do que o habitual devido às suas limitações físicas:
“Sabíamos que seria uma pista complicada para ele. Todos os pilotos contra quem competiu sabiam que seria difícil para ele, e foi mesmo.”
O britânico explicou que o esforço físico exigido em Assen era demasiado elevado para Márquez nesta fase da temporada.
“Ele não está fisicamente apto nem suficientemente forte para pilotar no limite ali devido às rápidas mudanças de direção. Não se consegue fazer isso com um braço e meio, e ele demonstrou-o.”
Ainda assim, Hodgson insiste que um resultado menos conseguido não muda a avaliação de toda uma época.
“No geral, foi um fim de semana pouco brilhante, mas ninguém se lembra do que aconteceu em Assen. O que fica na memória é o nome gravado naquele belo troféu de prata. Márquez deu mais um grande passo para acrescentar outro ao seu palmarés.”
Outro dos temas analisados por Neil Hodgson foi o duelo entre Fabio Di Giannantonio e Marc Márquez, uma ação que gerou polémica e que, para muitos, recordou a histórica rivalidade entre Márquez e Valentino Rossi.
O piloto da VR46 efetuou uma ultrapassagem agressiva sobre o espanhol, uma manobra que Hodgson comparou diretamente com episódios protagonizados por Rossi:
“Foi mesmo. Parecia que estávamos a voltar atrás no tempo. Que ano foi? 2015? Vejam a manobra. Foi uma travagem tardia do Diggia.”
O antigo piloto considera que a ação teve semelhanças com o famoso episódio da chicane de Assen em 2015, embora reconheça que a ultrapassagem esteve dentro dos limites.
“Marc tentou aguentar a posição e foi praticamente uma cópia exata. Foi bom de ver.”
Hodgson também recordou que a relação entre ambos não é particularmente próxima e que a manobra teve uma forte carga competitiva.
“Sabemos que Diggia e Marc não se dão especialmente bem. Foi uma manobra agressiva e esteve no limite.”
Apesar da polémica, acredita que a penalização aplicada a Di Giannantonio foi justa, mas não pelo contacto com Márquez e sim por ter cortado a chicane.
“Se olharmos para aquilo que aprendemos na primeira corrida do ano, pensei que provavelmente era uma penalização mais por causa disso. Houve contacto, ele não conseguiu parar a moto e saiu da pista, mas no amor e na guerra vale tudo.”
O próprio Marc Márquez concordou com a decisão da Direção de Corrida, garantindo que a penalização não foi aplicada pelo toque, mas pela ação subsequente.
“A Direção de Corrida entendeu que foi um incidente de corrida, porque a penalização foi por cortar a chicane, não pelo contacto. Portanto, concordo com eles.”
















