Enquanto o MotoGP atravessa a pausa de verão, Johann Zarco continua o seu processo de recuperação, dois meses depois de ter sofrido uma grave lesão no Grande Prémio da Catalunha. Recorde-se que o piloto francês sofreu lesões nos ligamentos cruzado anterior e posterior, bem como no menisco medial, além de uma pequena fratura no perónio, ao nível do tornozelo.
Zarco anunciou entretanto que não será submetido a cirurgia e que aponta o seu regresso à competição para setembro, embora admita que ainda tem um longo caminho pela frente. Paralelamente ao trabalho físico de recuperação, o piloto francês tem vindo também a desenvolver um importante trabalho psicológico, iniciado no começo da temporada.
Numa entrevista com a psicóloga Elizabeth Clapés, gravada antes do acidente mas divulgada recentemente nas redes sociais, Zarco falou sobre os principais aspetos em que tem trabalhado: a separação entre a vida pessoal e a profissional, bem como a gestão da frustração quando os Grandes Prémios não decorrem como gostaria.
“Há sete ou oito meses senti vontade de falar mais com um psicólogo, mas sobre temas gerais, não sobre motos, nem apenas sobre trabalho. Tentei abordar assuntos mais pessoais e isso fez-me bem. Percebi que misturava demasiado a vida pessoal com a profissional. Tentei separá-las, mas estão muito ligadas. Ainda continuo a trabalhar nisso”, explicou.
O piloto da Honda também revelou que controlar a sua irritação foi um dos maiores desafios da sua carreira.
“O mais difícil foi deixar de me zangar. Esse era o meu problema. O passo mais importante foi perceber que queria ter uma boa relação com a minha equipa. Ficar zangado não te ajuda a evoluir. Apenas te faz abrandar ou até dar passos atrás. Agora consigo controlar-me porque não quero destruir a relação que tenho com as pessoas da equipa.”
Zarco destacou ainda a importância do trabalho coletivo nos resultados alcançados em pista.
“Não existe apenas o piloto e a moto. Para que ambos funcionem bem em conjunto, há muitas coisas que precisam de ser consideradas. A maturidade e a experiência permitem compreender que, quando tudo isso funciona corretamente, então consegues sentir-te bem em cima da moto.”
















