A FIA tomou uma decisão inesperada ao levantar a proibição que impedia os russos de competir no desporto motorizado, uma medida que estava em vigor desde os primeiros meses do conflito na Ucrânia.
Tal como outras entidades reguladoras do desporto, a FIA reagiu rapidamente à invasão da Ucrânia pela Rússia, impondo restrições a atletas russos e bielorrussos, que deixaram de poder competir sob as respetivas bandeiras nacionais. Os pilotos passaram a competir sob a bandeira da FIA e os seus hinos nacionais não podiam ser tocados em caso de vitória.
Contudo, a FIA decidiu agora levantar essas restrições, em vigor desde março de 2022. A decisão foi ratificada pelo Conselho Mundial do Desporto Motorizado (WMSC) a 3 de agosto e confirmada através de uma comunicação enviada pelo departamento jurídico da FIA a 13 de agosto.
“Esta decisão surge na sequência das medidas anteriormente adotadas pelo WMSC relativamente ao conflito na Ucrânia, refletidas nas circulares de 10 e 27 de fevereiro de 2023, que definiam o âmbito das medidas de emergência aplicáveis, entre outros, aos Estados russo e bielorrusso, aos pilotos russos e bielorrussos, equipas nacionais, concorrentes individuais, oficiais e eventos realizados na Rússia e Bielorrússia”, refere a comunicação.
“Após consulta, o WMSC decidiu rever as medidas de emergência da FIA para eliminar as restrições à participação de pilotos russos e bielorrussos, equipas nacionais, concorrentes individuais e oficiais, bem como as limitações relacionadas com a exibição dos seus símbolos nacionais, cores, bandeiras e hinos.”
A FIA esclarece ainda que pilotos, equipas nacionais, concorrentes individuais e oficiais poderão participar em competições sem qualquer restrição, deixando também de ser necessária a assinatura do compromisso de neutralidade que era exigido até agora.
Apesar desta alteração, a FIA mantém a proibição de realização de competições internacionais na Rússia e na Bielorrússia “até nova ordem”.
A comunicação sublinha ainda que as federações nacionais devem respeitar esta decisão:
“Os clubes, associações e federações membros da FIA são recordados da sua obrigação, nos termos do artigo 5.3 dos Estatutos da FIA, de aceitar, respeitar e aplicar todas as decisões tomadas pelos órgãos da FIA, incluindo o WMSC.”
Esta decisão contrasta com a posição da FIM, entidade que regula o motociclismo mundial, que mantém em vigor todas as restrições atualmente aplicadas a pilotos e equipas russas e bielorrussas.
A FIA acrescenta que a medida entrou imediatamente em vigor a 3 de agosto de 2026 e permanecerá válida até indicação em contrário.
Além disso, qualquer recusa em cumprir a decisão poderá resultar em sanções disciplinares ao abrigo dos regulamentos da FIA.
Por fim, a federação esclarece que a participação de pilotos, equipas e oficiais russos e bielorrussos continua sujeita às leis nacionais e locais de cada país anfitrião, mantendo-se também a monitorização da situação na Ucrânia e a possibilidade de futuras alterações às medidas em vigor.
















