O campeonato de MotoGP entra na sua fase decisiva com várias incógnitas ainda por resolver. O desempenho da Ducati, a situação de Marc Márquez, a luta pelo título e o desgaste provocado pela reta final do calendário são alguns dos fatores que podem marcar as próximas corridas.
Neste contexto, Jové analisou no programa Duralavita o momento atual do campeonato e colocou em cima da mesa duas questões particularmente relevantes: uma possível mudança de ciclo na Ducati e o futuro de Marc Márquez ao lado de Pedro Acosta na equipa oficial.
Jové considera que os resultados das últimas corridas podem indicar uma mudança no domínio do MotoGP, embora sublinhe que ainda é cedo para tirar conclusões definitivas.
“Temos de avaliar até que ponto o ciclo da Ducati já terminou e se começou um novo ciclo. Pode ser. Porque se são quatro motos e as quatro estão na frente, então alguma coisa está a acontecer.”
O analista recorda que o campeonato já assistiu a várias mudanças de ciclo ao longo dos anos. Por isso, pede prudência antes de decretar o fim da era Ducati.
“Pode ser que a Ducati já tenha tido o seu momento, tal como a Honda teve o dela e a Yamaha também. Já vimos centenas de mudanças de ciclo.”
A prestação de Marc Márquez também entra nesta análise. Jové destaca que o piloto, considerado uma das principais referências da Ducati, não esteve ao seu melhor nível num circuito como Sachsenring.
“Além disso, o principal expoente na obtenção de resultados com a Ducati não esteve particularmente forte neste circuito. Por isso, parece que podemos estar a viver uma mudança de ciclo, algo que terá de ser confirmado nas próximas dez corridas.”
Jové destaca ainda as enormes diferenças que um circuito pode provocar quando um piloto não encontra a confiança necessária na moto.
“Falava ontem com um piloto e, se não estás a 100% com a frente da moto e a traseira também não ajuda, não perdes apenas um décimo por setor. Perdes três ou quatro décimos em cada parcial. Ficas completamente para trás.”
Por isso, acredita que um resultado isolado não deve servir para avaliar o estado real de um piloto ou de um fabricante.
“Não há motivo para tanto alarmismo. Não podemos analisar tudo apenas pelos resultados. Jorge Martín não estava acabado em Sachsenring e agora Marc também não está.”
Além disso, recorda que ainda faltam dez corridas e que o calendário apresenta desafios muito diferentes.
“Ainda faltam dez corridas. Há circuitos de todos os tipos, mais favoráveis ou menos favoráveis ao estilo do piloto ou da moto. Vai acontecer de tudo.”
Na sua opinião, a regularidade continuará a ser um fator decisivo na luta pelo campeonato.
“E a regularidade, mais uma vez. O bonito é que continuamos a ter pelo menos quatro pilotos com hipóteses de lutar pelo título. E ainda vêm aí muitas corridas muito diferentes.”
Jové alerta também para o facto de a dinâmica do campeonato poder mudar quando começarem as sequências de corridas em fins de semana consecutivos.
Depois de quase um mês de pausa, pilotos e equipas terão de enfrentar uma convivência muito mais intensa.
“Vimos de quase um mês em que toda a gente esteve em casa, na praia, a relaxar. Esperem até chegarem as jornadas duplas e triplas, em que estás constantemente a ver as mesmas pessoas: hotel, carro, circuito. Se houver algum atrito, multiplica-se por 25 mil.”
Segundo o analista, esse contexto pode trazer à superfície problemas que até agora passaram despercebidos.
“Se existir alguma questão por resolver, as arestas que ainda não foram limadas vão aparecer.”
Ainda assim, acredita que a ambição de vencer acabará por prevalecer.
“Espero que nessa altura todos estejam concentrados no mesmo objetivo. Todos querem ganhar e é nisso que se devem focar.”
Jové evita comentar quando Marc Márquez deverá terminar a carreira, considerando que essa é uma decisão exclusivamente do piloto.
“Sempre defendi que não devo dizer quando Marc se deve retirar. Isso é uma decisão dele, não minha.”
No entanto, levanta um cenário que poderá ser determinante para o futuro do espanhol.
“No próximo ano, Marc também estará a jogar muito. Uma coisa é retirar-se quando quiser. Outra é sentir que é o teu companheiro de equipa quem te empurra para a retirada, porque te está constantemente a bater durante a temporada.”
Para Jové, existe um exemplo claro na história recente do MotoGP que ilustra esse cenário: a rivalidade entre Jorge Lorenzo e Valentino Rossi.
“Aquilo que Jorge Lorenzo fez a Rossi na altura é algo que pode voltar a acontecer no próximo ano. É apenas uma hipótese que coloco em cima da mesa.”
















