Enquanto a Ducati já prepara o período pós-2026 com uma profunda renovação do seu alinhamento de pilotos, uma decisão poderá passar quase despercebida. No entanto, diz muito sobre o atual contexto económico da marca italiana. Segundo vários meios de comunicação espanhóis, Fermín Aldeguer deixará de ser diretamente remunerado pela Ducati a partir de 2027. Uma medida que não coloca em causa o seu futuro no MotoGP, mas que reflete a vontade de Borgo Panigale em reduzir custos num cenário financeiro mais exigente.
Oficialmente, a Ducati ainda não confirmou a informação. Contudo, de acordo com o Motorpasion Moto, apenas Marc Márquez e Pedro Acosta manterão contratos diretamente financiados pela fábrica italiana em 2027. Os restantes pilotos Ducati que competirem por equipas satélite deixarão de receber salários pagos por Borgo Panigale, passando a ser remunerados pelas respetivas equipas. No caso de Aldeguer, isso significa que a VR46 Racing Team assumirá integralmente o seu salário.
Esta mudança surge numa altura em que o Grupo Volkswagen, proprietário da Ducati através da Audi, continua a implementar um vasto plano de contenção de despesas.
Nos últimos meses, vários meios têm noticiado uma reflexão estratégica sobre os ativos do grupo, chegando mesmo a alimentar especulações sobre uma eventual venda da Ducati. Recentemente, Claudio Domenicali garantiu que não existe qualquer negociação concreta nesse sentido, embora tenha reconhecido que esse tipo de decisão cabe exclusivamente aos acionistas.
Neste contexto, rever a estrutura contratual dos pilotos das equipas satélite surge como uma medida lógica para reduzir despesas sem comprometer a competitividade desportiva.
Ainda assim, esta decisão não deve ser interpretada como uma perda de confiança em Aldeguer. Pelo contrário. O espanhol continua a ser visto como uma das maiores promessas da Ducati. Apesar de não ter conseguido o lugar na equipa oficial, que acabou por ser atribuído a Pedro Acosta, o seu futuro continua a fazer parte dos planos de Borgo Panigale.
Na prática, Aldeguer poderá continuar a beneficiar de um apoio técnico muito próximo daquele que é dado a um piloto oficial, apesar de ter um estatuto contratual diferente. Esta nova situação poderá até trazer algumas vantagens ao jovem espanhol. Ao deixar de estar diretamente vinculado à Ducati, ganhará maior liberdade de negociação caso surja uma oportunidade interessante junto de outro fabricante. Num mercado de transferências cada vez mais movimentado, essa flexibilidade poderá revelar-se valiosa.
Para já, o principal objetivo de Aldeguer passa por regressar à competição. Lesionado durante os treinos livres em Assen, o piloto falhará o Grande Prémio da Alemanha, depois de já ter sido obrigado a falhar a ronda inaugural da temporada na Tailândia devido a uma fratura no fémur.
Apesar dos contratempos, o estreante espanhol ocupa atualmente o 10.º lugar do campeonato, com 76 pontos, tendo como melhor resultado um segundo lugar no Grande Prémio da Catalunha.
Caso esta reorganização contratual se confirme, ficará demonstrada uma nova realidade dentro da Ducati: mesmo na equipa que continua a dominar o MotoGP, o controlo dos custos tornou-se um fator tão importante quanto a procura pelo desempenho máximo.
















