O Diretor Sénior de Tecnologia de Produção de Media do MotoGP Group, Sergi Sendra, falou com o meio de comunicação ‘SpeedWeek’ para dar mais detalhes sobre a futura rádio do MotoGP, que, em algum momento, será utilizada pelos pilotos e que muitos deles já testaram em testes oficiais. A expectativa é que os pilotos comecem a utilizá-la já na temporada de 2027.
Sendra começou por explicar como surgiu a ideia de implementar a rádio no MotoGP: «Em 2020, Carlos Ezpeleta, que nessa altura ainda trabalhava no departamento desportivo e que agora é diretor-geral adjunto, pediu-nos pela primeira vez que fizéssemos um teste no qual os pilotos pudessem ouvir as informações enquanto pilotavam».
Além disso, Sergi explicou a ideia inicial e o principal objetivo do projeto da rádio desde os primeiros testes: «Lembro-me de que, no início, estávamos preocupados com as frequências de rádio e com a cobertura. Além disso, precisávamos de algo suficientemente pequeno para caber na ‘corcunda aerodinâmica’ do fato dos pilotos e, ao mesmo tempo, permitir transmitir mensagens. O nosso principal objetivo e prioridade continuava a ser conseguir enviar mensagens aos pilotos por razões de segurança».
O Diretor Sénior explicou também por que razão a rádio do MotoGP é algo único: «Quando se envia uma mensagem através de uma bandeira vermelha, esta tem de chegar a todos os pilotos ao mesmo tempo e sem qualquer atraso. Para isso, é necessária uma transmissão de áudio digital através de IP e não analógica. Não é possível simplesmente comprar algo deste género já como equipamento acabado. É preciso inventá-lo».
Pilotos como Pedro Acosta ou Diogo Moreira já testaram o sistema em testes oficiais e não estão descontentes com o projeto da rádio do MotoGP. O piloto que não ficou particularmente convencido foi Brad Binder, que durante o GP de Aragão destacou: «São absurdamente ruidosas».
Sergi Sendra não vê a situação dessa forma, explicando a sua perspetiva: «Quando todas as motos estão prestes a atingir a velocidade máxima na grelha de partida, isso é intenso. Por isso, é bem-vinda a ajuda adicional através dos tampões para os ouvidos, que também desempenham essa função».
Sendra especificou ainda outros detalhes sobre o sistema de rádio: «O projeto é enorme porque temos 22 pilotos, ou seja, 22 opiniões e preferências. E a opinião deles é o mais importante, porque têm de transportar o equipamento e reagir ao mesmo. Temos 11 equipas que precisam de renovar a sua tecnologia, porque aquilo que utilizam atualmente é antigo e obsoleto. Tudo tem de estar ligado e, ao mesmo tempo, ser útil. Se quisermos falar apenas com a Ducati, precisamos de um canal da Ducati. Se quisermos falar com todos, também temos de ser capazes de o fazer».
O responsável revelou ainda mais informações sobre o desenvolvimento do projeto: «O primeiro nível era o piloto e um sistema de comunicação independente. Depois surgiu-nos a questão: como podemos colocar microfones e tampões para os ouvidos sem afetar a homologação do capacete? Isto foi um enorme obstáculo, porque a FIM tem os seus novos padrões de segurança e procura garantir a melhor proteção possível no mundo. Isto é perfeitamente normal e temos de respeitá-lo».
Para terminar, Sergi Sendra revelou que não são apenas os pilotos que competem atualmente no campeonato que estão a testar a rádio. Também os pilotos de testes de várias equipas do Mundial de Motociclismo têm participado no desenvolvimento do sistema.
«Se queres testar alguma coisa, tens de o fazer num Grande Prémio, quando toda a tecnologia e infraestrutura estão disponíveis. Tivemos oportunidades limitadas. Por isso, tivemos de realizar muitos testes privados, com Dani Pedrosa e Michele Pirro. O Pirro ajudou-nos muito, assim como os irmãos Espargaró e Lorenzo Savadori».
















