Em 2026, a BMW enfrenta novos desafios no Campeonato do Mundo de Superbike (WorldSBK). A saída de Toprak Razgatlioglu para a MotoGP, depois de conquistar dois títulos mundiais, e as novas regras do campeonato abrem um novo capítulo para a marca de Munique. O desafio passa por demonstrar que a M 1000 RR dispõe de uma base suficientemente sólida para continuar competitiva, independentemente do piloto que esteja aos seus comandos, redefinindo as suas referências enquanto prossegue o desenvolvimento da moto.
Entre os dias 4 e 6 de setembro, no circuito de Magny-Cours, o site Paddock GP acompanhou de perto a ronda francesa do Campeonato do Mundo de Superbike dentro da garagem da BMW Motorrad. A oportunidade serviu para realizar uma série de entrevistas com Christian Gonschor, diretor técnico da BMW Motorrad Motorsport, e Sven Blusch, responsável máximo da BMW Motorrad Motorsport, sobre a reconstrução da equipa depois dos anos de sucesso vividos com Toprak Razgatlioglu.
Se perdeu a primeira parte da nossa entrevista com Christian Gonschor, pode encontrá-la através deste link.
Christian Gonschor, vamos agora falar das mudanças desta temporada no Superbike. A redução do fluxo de combustível penalizou mais a BMW do que as concessões ajudaram os seus rivais?
O fluxo de combustível é uma ferramenta de equilíbrio de desempenho, mas não facilita as coisas para nós. É preciso colocar as coisas em perspetiva: vínhamos de uma temporada vitoriosa, pelo que recebemos uma penalização. Começar uma nova temporada com novos pilotos, por vezes em circuitos que eles não conheciam, e manter essa penalização obviamente não facilitou a nossa capacidade de atingir imediatamente o mesmo nível do ano passado.
Sim, o fluxo de combustível foi um grande desafio para nós, sobretudo no início da temporada, e causou-nos alguns problemas. Mas, no final, faz parte da estrutura deste campeonato e é uma coisa positiva: existe uma ferramenta para equilibrar o desempenho.
No próximo ano vão beneficiar das vantagens desta regulamentação…
Infelizmente, sim, devido aos resultados dececionantes desta temporada. Na próxima época, vamos partir novamente de uma situação mais equilibrada face aos nossos concorrentes. Aqueles que não tinham esta penalização para manter puderam naturalmente evoluir de imediato.
Nós demos um passo atrás, os outros deram um passo em frente e também chegou uma nova moto ao paddock. Faz parte do jogo. E continuamos a lutar.
Como estão a encarar a chegada da Michelin ao campeonato de Superbike?
Testes, testes e mais testes. Penso que a Dorna (agora MotoGP SEG) e a Michelin organizaram bem as coisas, dando a todos os fabricantes a possibilidade de experimentar os mesmos pneus, no mesmo dia e com as mesmas especificações.
Já tivemos algumas jornadas de testes esta temporada. Está prevista outra em Cremona e, depois, haverá naturalmente o primeiro grande teste após o final da temporada, em Jerez.
A abordagem perante pneus novos é simples: testar, compreender e fazer pequenos ajustes na moto de acordo com as necessidades desses novos pneus.
Prefere um pneu muito performante, capaz de permitir bons tempos por volta, ou um pneu muito fiável e versátil?
É uma decisão comercial que cabe ao fabricante. No final, os construtores que participam no campeonato não têm liberdade para escolher a direção a seguir.
Enquanto técnico, claro que prefere ter um pneu fiável. Dessa forma, pode trabalhar de maneira consistente e evoluir. Um tempo por volta perfeito parece apelativo, mas se todos utilizarem o mesmo material, pouco importa se fazemos 1m35s ou 1m40s em Magny-Cours: se for assim, é assim para todos.
Para o fabricante, o objetivo pode naturalmente passar por ser o mais rápido possível face aos restantes fabricantes. Mas, para nós, desde que o pneu seja igual para todos, prefiro ter pneus fiáveis. Isso não torna necessariamente a vida mais fácil, mas torna-a mais clara.
O que esperam desta transição para a BMW no Superbike?
É também um desafio muito interessante para nós. Gostamos dele, porque temos agora a oportunidade de experimentar dois pneus, Michelin e Pirelli, e aprender.
Com cada nova informação, aprendemos alguma coisa. E, enquanto engenheiro, isso é simplesmente incrível. Estamos ansiosos pela temporada de 2027.
















