O projeto de reconstrução da Yamaha Motor Racing continua a gerar movimentos relevantes na sua estrutura desportiva e, com eles, novas tensões no paddock de MotoGP. Um dos mais significativos afeta diretamente Alex Rins, cujo futuro dentro da marca japonesa já tem data de validade. O piloto espanhol terminará a sua etapa em Valência em 2026, encerrando assim um ciclo que não conseguiu corresponder às expectativas desportivas.
No seu lugar, a Yamaha decidiu apostar em Ai Ogura. Esta decisão implicará uma reestruturação da grelha dentro da marca, onde Ogura partilhará box com Jorge Martín, enquanto a saída de Fabio Quartararo para a Honda Racing Corporation completará o novo cenário do fabricante japonês.
A notícia não caiu bem no círculo de Rins, que mostrou o seu desagrado pela forma como foi gerido o seu futuro dentro da equipa. O piloto catalão, vencedor de seis grandes prémios em MotoGP, reconhece que a situação lhe causou frustração, especialmente pela falta de comunicação direta nos momentos-chave da negociação.
Após tomar conhecimento da notícia na imprensa, Rins decidiu procurar explicações dentro da equipa. Concretamente, contactou Massimo Meregalli, team manager da Yamaha, para tentar esclarecer a sua situação.
O próprio piloto explicou essa conversa:
«Isto saiu na imprensa há cerca de 12 dias. Há 11, liguei ao Meregalli e perguntei-lhe sobre a situação. Ele ficou em silêncio. Insisti, e ele simplesmente disse que, pela relação que tínhamos, só podia dizer-me que a Yamaha tinha contratado o segundo piloto.»
A passagem de Rins pela Yamaha tem sido marcada pela falta de competitividade e pelas dificuldades em adaptar-se ao comportamento técnico da moto. O piloto reconhece que o processo foi mais complexo do que o esperado desde a sua chegada.
«Têm sido anos duros. Custou-me muito adaptar-me ao motor de quatro cilindros em linha, e apostámos muito no motor em V para poder fazer uma moto mais adaptada ao meu estilo e levá-la ao topo. Mas não vai ser possível», explicou o piloto, deixando perceber que o desenvolvimento não atingiu os objetivos previstos.
Os resultados refletem essa realidade: a sua melhor posição recente foi um 14.º lugar no Brasil, longe das posições de referência na categoria rainha.
O desagrado de Alex Rins com a decisão da Yamaha Motor Racing também se reflete na sua avaliação pessoal do movimento de mercado que o afeta diretamente. O piloto não escondeu a sua deceção ao saber da chegada de Ai Ogura ao projeto japonês, dando a entender que esperava um cenário diferente após a sua contratação pela marca.
«Como é que me caiu saber que o Ogura vai para a Yamaha? Caiu-me bastante mal, para ser sincero. Quando estava na LCR, sentia-me confortável. Tive a oportunidade de vir para a Yamaha e pensava que teria mais oportunidades, mas não foi bem assim», explicou o catalão, sublinhando a sensação de uma oportunidade não concretizada dentro da equipa.
















