Danilo Petrucci queixou-se de problemas de aderência com a BMW no Mundial de Superbike, em declarações que fazem lembrar claramente as dificuldades relatadas por pilotos das equipas menos competitivas do MotoGP nos últimos anos.
O fim de semana do italiano até começou de forma promissora na ronda dos Países Baixos, com Petrucci a qualificar-se na segunda linha da grelha, sendo o melhor piloto não Ducati nas duas sessões de sexta-feira.
No entanto, o rendimento nas corridas ficou aquém do esperado. O piloto oficial da BMW terminou em 18.º na Corrida 1, após cumprir de forma incorreta uma “long lap penalty” devido a uma falsa partida com a qual não concordou. Depois, foi sétimo na Superpole Race e nono na Corrida 2.
Após a prova, Petrucci explicou que consegue ser competitivo quando roda sozinho, mas em contexto de corrida perde em áreas-chave que dificultam as ultrapassagens.
“Quando estou sozinho consigo fazer as minhas trajetórias e usar o meu estilo, e isso funciona bem. Mas quando estou com outros pilotos, perco sobretudo na aceleração e ganho na travagem, o que torna muito difícil ultrapassar”, afirmou ao WorldSBK.com após a Corrida 2 em Assen — numa análise muito semelhante às queixas feitas por pilotos da Yamaha e, em certa medida, da Honda no MotoGP nos últimos anos.
Tal como nessas equipas, também Petrucci sofre com limitações em ritmo de corrida. Mesmo quando há bom desempenho pontual, a falta de potência e, sobretudo, de aderência traseira compromete a aceleração e a capacidade de defender posição.
No caso do italiano, o problema principal foi precisamente a aderência traseira, especialmente à medida que os pneus se desgastavam.
“Sinceramente, depois da Superpole esperávamos um pouco mais. Mas estamos a enfrentar alguns problemas, especialmente à saída das curvas”, explicou.
“Quando temos um pneu traseiro com muita aderência, como na Superpole, a moto funciona bem. Mas volta após volta, quando perdemos aderência e tração, a moto torna-se muito instável.”
Na Corrida 2, a situação agravou-se nas voltas finais:
“Acabámos por destruir o pneu traseiro e depois também o dianteiro — nas últimas três voltas a situação foi muito difícil e fui ultrapassado pelo Andrea Locatelli na última volta.”
Apesar das dificuldades, Petrucci garante que a equipa continua a trabalhar intensamente, sobretudo na eletrónica e na afinação da moto.
“Estamos muito fortes na travagem em linha reta, mas quando inclinamos a moto e temos de travar, torna-se complicado. Precisamos de trabalhar na aceleração, porque a moto patina muito e, quando não patina, levanta a frente.”
O italiano reconhece ainda que Assen nunca foi uma pista favorável para a BMW, mas acredita que a situação pode melhorar nas próximas rondas.
“O próximo circuito é Balaton, que exige travagens fortes, por isso estou confiante de que podemos ser competitivos — no ano passado a moto funcionou muito bem lá.”
Petrucci mostrou também otimismo para Most, pista onde já obteve bons resultados no passado:
“Acho que nas próximas duas rondas podemos olhar para o lado positivo. Em Most já consegui vários pódios e fui sempre competitivo, por isso acredito que podemos voltar a estar fortes.”
















