Desde o anúncio da dupla Marc Márquez–Pedro Acosta para a temporada de 2027, a Ducati tem sido alvo de uma dupla crítica: por um lado, ter abandonado a sua tradição de apostar na formação de jovens talentos; por outro, ter renunciado à sua identidade italiana ao alinhar uma equipa oficial composta por dois pilotos espanhóis. Para Luigi Dall’Igna, estas críticas não têm qualquer fundamento. O diretor-geral da Ducati Corse reagiu de forma firme ao tema.
Durante a World Ducati Week, Dall’Igna descartou as críticas sem rodeios. “São disparates”, afirmou à revista Motosprint. Segundo ele, contratar dois dos pilotos mais cobiçados do MotoGP não significa, de forma alguma, abandonar a filosofia que tem guiado a Ducati nos últimos anos.
Dall’Igna recordou que a Ducati continua a investir fortemente na nova geração de pilotos. Como exemplo, destacou Fermín Aldeguer, acompanhado pela marca italiana há várias temporadas, e Daniel Holgado, integrado no programa de desenvolvimento da Ducati.
“Continuamos a investir nos jovens pilotos. O Aldeguer é um exemplo claro disso. O Holgado é outro jovem talento que estamos a ajudar a crescer. Esta é a nossa filosofia há muito tempo.”
Ou seja, para a Ducati, não existe incompatibilidade entre desenvolver jovens talentos e procurar o máximo desempenho desportivo.
Para Dall’Igna, o mercado obriga por vezes a tomar decisões excecionais. Quando surgiu a oportunidade de garantir um piloto como Marc Márquez e, posteriormente, um talento geracional como Pedro Acosta, a Ducati considerou que seria irresponsável deixar escapar essa possibilidade.
“Com o Marc, acredito que fizemos a escolha certa. E fiquei muito feliz por contratar o Pedro, porque estou convencido de que será uma das grandes figuras do motociclismo nos próximos anos.”
A mensagem é clara: a estratégia da Ducati não mudou, mas a marca sabe adaptar-se quando aparecem pilotos fora do comum.
Outra crítica frequente prende-se com a ausência de um piloto italiano na equipa oficial, algo que não acontecia desde 2010.
Este debate não é novo. Tanto Claudio Domenicali como Davide Tardozzi já admitiram que gostariam de voltar a ver um italiano na equipa de fábrica, desde que estivesse ao mesmo nível competitivo dos restantes candidatos.
No entanto, a Ducati insiste que o principal critério continua a ser o desempenho. O objetivo é simples: alinhar os dois pilotos com maiores probabilidades de vencer.
A resposta de Luigi Dall’Igna resume a estratégia atual de Borgo Panigale. Formar a próxima geração continua a ser uma prioridade, mas isso não impede a Ducati de contratar os melhores pilotos disponíveis quando surge uma oportunidade única.
Com Marc Márquez no auge da sua experiência e Pedro Acosta apontado como uma das futuras referências do MotoGP, a Ducati acredita ter encontrado o equilíbrio ideal entre presente e futuro, mesmo que isso continue a alimentar o debate.
Na prática, a Ducati transformou-se: passou de construtora italiana que procurava afirmar-se através da ousadia para uma potência que dita as regras do mercado. Luigi Dall’Igna não sente necessidade de justificar uma alegada “traição”, porque sabe que, no momento em que esta dupla conquistar a primeira vitória em 2027, muitas das críticas atuais acabarão por desaparecer.
















