A época 2026 do FIM MotoJunior, e inscrições abertas para 2027

Houve um tempo em que se chamava CEV, depois JuniorGP, e hoje chama-se FIM MotoJunior World Championship. O nome mudou duas vezes, mas a função continua a mesma: é a escola onde os miúdos aprendem a ser pilotos antes de chegarem ao Mundial. Em 2026 teve sete fins de semana de corridas, de maio a outubro, quatro classes, passou pelo Estoril e acabou em Misano, a 18 de outubro, com todos os campeões coroados.

Moto3 Junior World Championship A classe rainha da casa, a que serve de antecâmara direta ao Moto3 do Mundial, teve em Carlos Cano o campeão. O espanhol da CFMoto Aspar Junior Team ganhou em Jerez, em Magny-Cours, em Valência e em Aragão, e fechou o título em Misano com um sexto lugar na primeira corrida, ao fim de uma época em que o título esteve em aberto até às duas últimas corridas.
Fernando Bujosa, da AC Racing Team, ganhou as duas corridas de Misano, a segunda por seis milésimas de segundo. No Estoril, o indonésio Kiandra Ramadhipa (32) da Honda Asia-Dream, ganhou a sua primeira corrida de Moto3 Junior, numa prova com Travis Borg, de Malta, e o próprio Cano no pódio.

Moto2 European Championship O polaco Milan Pawelec, (44) da AGR Team, a bordo de uma Kalex, repetiu o título e levou a cabo uma época quase perfeita, com oito vitórias, a última em Misano, à frente de Francesco Mongiardo e de Facundo Llambias. Já tinha o campeonato garantido em Aragão, a 27 de setembro. No Estoril, as duas corridas foram divididas entre Pawelec e o espanhol Eric Fernández, da Boscoscuro.
Stock European Championship O francês Lorenzo Fellon, da SF Racing, ganhou o título com um quinto lugar em Misano, numa história de regresso depois de anos marcados por problemas físicos e pela tragédia da perda do pai. Jacobo Hinojosa venceu a última corrida, à frente de Yeray Ruiz. No Estoril, Ruiz ganhou por um milésimo de segundo a Miguel Bernal, na corrida mais apertada do fim de semana.

Momoven Moto4 European Cup A antiga European Talent Cup, hoje Moto4, de motos Honda e para pilotos mais novos, pertenceu ao espanhol Álvaro Lucas, da CFMoto Aspar Junior Team, que ganhou em Barcelona e as duas corridas do Estoril, e foi campeão em Misano depois de um sexto ou sétimo lugar, sobrevivendo a uma penalização por limites de pista na última volta. A corrida foi ganha pelo italiano Lorenzo Pritelli, em casa, por mais de sete segundos, e Pritelli ficou em segundo na geral. O britânico Ethan Sparks fez o primeiro pódio da carreira. Afonso Almeida (10) fez o que pôde, pontuando no Estoril, Jerez e Misano para acabar 23º na tabela.

O Estoril em junho A ronda portuguesa, a 12 e 14 de junho, teve sete corridas no domingo e seis pilotos portugueses em pista, todos em “modo de treino”, como notou a FMP, para os campeonatos que correm a tempo inteiro. Afonso Almeida e Alexandre Cabá alinharam na Moto4. No Europeu de Stock correram Gonçalo Capote, (76) de regresso de uma lesão, que não terminou, mas viria a pontuar em Jerez, Magny Cours, Aragón e Misano a caminho de 13º no Campeonato.
Martim Jesus foi também 23.º, e Isaac Rosa, 25.º, depois de recuperar cinco lugares em relação à grelha. A grande história foi a de Pedro Nuno Romero, que, chamado à última hora para substituir David Real na Kalex do Team Stylobike Yamaha, se estreou numa Moto2 e fez o 23.º tempo da qualificação, numa grelha de 29, terminando em 20.º e 22.º. O piloto de Vila Franca escreveu o fim de semana como uma aprendizagem gigante.

Os que lá passaram, e hoje estão no MotoGP Quem quiser ver para onde isto leva só tem de olhar para a grelha. Fabio Quartararo foi campeão do CEV Moto3 em 2013 e 2014 e é hoje uma das caras do MotoGP. Nicolò Bulega foi campeão do CEV Moto3 Junior em 2015 e, depois de um desvio por Moto2 e Supersport que já contámos, chega em 2027 à classe rainha pela VR46. María Herrera, a primeira mulher a ganhar uma corrida do CEV, em 2013, é hoje bicampeã do Mundial Feminino de Velocidade. Mais perto no tempo, o actual Moto3 está cheio de caras desta escola: Máximo Quiles, o campeão de 2026, Álvaro Carpe, campeão de JuniorGP em 2023, Valentín Perrone e Guido Pini, entre outros.
Inscrições para 2027 abertas Quem quiser fazer parte da grelha de 2027 já pode marcar a data: as candidaturas ao Moto3 Junior World Championship, ao Moto2 European Championship, ao Stock European Championship e à Moto4 European Cup abrem a 4 de novembro de 2026 e fecham a 15 de janeiro de 2027. Os pilotos selecionados serão avisados por e-mail até 2 de fevereiro e têm de se inscrever online até 2 de março. As idades mínimas são 14 anos para a Moto4 e 16 para as restantes, com o limite máximo de 19 anos na Moto4 e de 25 no Moto3 Junior, ambos a 1 de janeiro. Cada piloto corre sob a sua bandeira nacional, e, no Moto3 Junior e na Moto4, quem pertencer a uma nacionalidade que represente menos de 10% da grelha tem um desconto de 30% na taxa de inscrição, o que pode ser uma boa notícia para os portugueses. O formulário está em fimmotojunior.com.
O calendário provisório tem sete fins de semana em cinco países, e começa em Portugal: a 2 de maio, no Estoril. Recomeça a 5 de setembro em Aragão, e Brno estreia-se na lista, enquanto Jerez fica de fora por obras. Para os portugueses que sonham com o Mundial, é uma boa ocasião: o primeiro fim de semana é em casa.
No fundo, o FIM MotoJunior é uma escola de poucas palavras: sobe-se de classe ou fica-se pelo caminho, e quem passa pelo Estoril numa manhã de junho sabe que, daqui a uns anos, pode ver os mesmos nomes na televisão. Quem tiver idade, e coragem, tem até 15 de janeiro.


















