Com a confirmação, vêm detalhes do percurso
A confirmação do arranque do Dakar no nosso país, dada há minutos, permite agora divulgar também a rota, que sai de Loulé e ruma a Bouarfa em Marrocos após uma primeira etapa no nosso país.

Loulé/Faro > Loulé/Faro 09/01/2027 – Prólogo 129 km (troço cronometrado > 29 km)
O prólogo é um desafio curto, mas promete ser intenso no Algarve. Será marcado por um reencontro com Portugal, perante um público apaixonado pelo desporto automóvel em geral — e pelo Dakar, em particular. O entusiasmo popular deverá atrair adeptos de toda a Europa, que se posicionarão ao longo dos 29 quilómetros cronometrados. Para os concorrentes, o prazer será redobrado, uma vez que o percurso entre as árvores foi desenhado para valorizar, acima de tudo, a habilidade na pilotagem e na condução. O maior desafio será, certamente, manter a cabeça fria para garantir boas posições de partida para a etapa do dia seguinte.
Loulé/Faro > Loulé/Faro 10/01/2027 – Etapa 1 300 km (troço cronometrado > 100 km)
A primeira etapa é uma verdadeira travessia, tanto no sentido literal como figurado. O percurso divide-se em três partes. Primeiro, cem quilómetros de troço cronometrado em Portugal, onde os concorrentes vão precisar de entrar no ritmo rapidamente, tal como fizeram no dia anterior. É mais uma oportunidade para os concorrentes mais ágeis, seguida de uma segunda fase de resistência: a deslocação até ao Mediterrâneo, onde passarão a noite a bordo de um navio, rumo a África.
O terceiro dia marca uma primeira pausa na contagem do cronómetro. O percurso segue em direção ao nordeste de Marrocos, para a montagem do primeiro bivaque na extremidade oriental do país, alcançando um terreno propício para a competição, que será retomada no dia seguinte. É um último momento de acalmia para os concorrentes, que vão precisar de se habituar rapidamente às temperaturas matinais de janeiro. A deslocação para norte da cordilheira do Atlas servirá, também, como período de aclimatação.

Bouarfa > Bouarfa 12/01/2027 – Etapa 2 490 km (troço especial > 390 km)
Partindo pelo planalto de Rekkam, os concorrentes vão enfrentar um território selvagem, composto por trilhos pouco marcados que fazem lembrar os que se encontram na Arábia Saudita. O terreno é propício a desafios de navegação, que entrarão em cena logo de imediato. Com 390 km de troço especial, este será um dia de adaptação fundamental para avaliar o que virá pela frente nos dias seguintes. Afinal, com exceção da etapa final, todas as distâncias dos troços especiais a partir de agora ultrapassarão os 350 km diários.
Bouarfa > Bouarfa 13/01/2027 – Etapa 3 490 km (troço especial > 410 km) A marca dos 400 km num troço especial é superada neste segundo e último circuito em torno de Bouarfa. A partida ocorre em vastos planaltos, inicialmente mais rápidos do que no dia anterior, tornando-se, na sequência, mais técnicos e, por vezes, mais acidentados. É a meio do troço especial — momento que coincide com o reabastecimento — que o dia entra numa nova fase. Seja em terrenos arenosos ou rochosos, em subidas ou descidas, encontrar o ritmo ideal — bem como o trilho correto — não será tarefa fácil. Trata-se de uma região pouco conhecida do Reino, que pode muito bem reservar surpresas. A primeira paragem de reabastecimento para automóveis e camiões irá adicionar um tempero extra a um dia já bastante exigente.

Elizabete Jacinto fez sensação em 2007- A veterana assegura-nos que não há perigo de regressar para esta edição
Bouarfa > Zagora 14/01/2027 – Etapa 4 750 km (troço especial > 490 km)
O troço especial mais longo da primeira semana aproxima-se dos 500 km. O ritmo será mais constante e elevado, interrompido apenas pela única passagem da prova pelas dunas de Merzouga. Uma escolha deliberada para continuar a oferecer um percurso extraordinário. Um troço de vegetação rasteira (conhecida como “relva de camelo”) obrigará aqueles que não querem ficar presos durante muito tempo na segunda paragem da prova — situada no sopé da “Múmia” — a preservar os seus veículos. Trata-se de uma fortaleza natural que deve o seu nome ao filme de terror homónimo, rodado precisamente neste cenário. O percurso total de 750 km até ao segundo bivaque, em Zagora, não deverá assustar os estreantes; a grande variedade do percurso serve como uma excelente amostra do que foi a primeira semana.
Zagora > Zagora 15/01/2027 – Etapa 5 540 km (troço cronometrado > 365 km)
Antigo ponto de encontro de caravanas comerciais — situado a uma distância de 52 dias a pé de Timbuktu —, Zagora é também a porta de entrada para o maior maciço dunar de Marrocos. O Erg Chegaga, o mais selvagem deles, fica no coração da especial, com cerca de cinquenta quilómetros de travessia de dunas, divididos em dois troços separados por uma parte rochosa. Na região por onde corre o rio Drâa predominam as pistas de areia, cujos sedimentos tendem a suavizar o terreno. O percurso é sinuoso e exige bastante navegação, que será o outro ponto-chave do dia. Uma especial puramente desértica: os pneus não tocarão no asfalto em momento algum.

Zagora > Agadir 16/01/2027 – Etapa 6 760 km (troço cronometrado > 365 km) Alguns podem até esfregar os olhos ao ver que a 6ª etapa conta também com 365 km de troço cronometrado. Seria um grão de areia de Chegaga preso na pálpebra? Nada disso: a distância da especial é idêntica à do dia anterior, e mais cinquenta quilómetros de dunas estão no menu. Um dia fisicamente exigente encerra a primeira semana. Isto porque, desta vez, o caminho até Agadir inclui também troços mais tradicionais. No final, após um total de 760 km — a maior distância percorrida num só dia nesta primeira semana —, os concorrentes encontrarão um merecido descanso.
Agadir 17/01/2027 – Dia de descanso Agadir > Smara 18/01/2027 – 7ª Etapa 790 km (troço especial > 500 km)
Que surpresa para o recomeço! A segunda semana traz o troço especial mais longo da 49ª edição: 500 km. Um longo percurso cronometrado em pistas rápidas, exigindo muita navegação. Este é o segundo grande desafio após a 4. ª etapa — um momento que traz a prova de volta à rota histórica do Dakar, quando a competição seguia em direção à Mauritânia. Rumo ao extremo sul, com as suas fachadas caiadas de branco e portas azuis. Um tipo de deserto completamente diferente aguarda os concorrentes nos próximos dias. O Dakar abre um novo capítulo ao deixar as praias para trás.

Smara > Bivaque de refúgio 19/01/2027 – 8ª Etapa 525 km (troço especial > 355 km)
Os concorrentes partem de Smara e vão reencontrar as suas equipas de apoio na noite seguinte. Neste intervalo, enfrentam a desafiante etapa “maratona-refúgio”: evitar qualquer erro é a regra de ouro. Sem uma equipa de apoio, os concorrentes têm de confiar no seu próprio engenho — ou na solidariedade de outros participantes — para seguir viagem. A lagoa de Dakhla, com as suas velas de kitesurf, servirá de pano de fundo longínquo para o bivaque, onde as “khaimas” (pronuncia-se “ra-i-ma”) — tendas tradicionais feitas de pelos tecidos por nómadas — já estarão montadas. Para experienciar uma noite berbere tradicional, os concorrentes terão, antes, de superar uma combinação de pistas arenosas antigas e pouco utilizadas, pequenas dunas e vastos planaltos. Todos os elementos típicos do extremo sul de Marrocos, que não apareciam no roteiro desde Bouarfa.
Bivaque > Smara 20/01/2027 – Etapa 9 625 km (troço especial > 390 km)
Regressar em segurança, sem sobrecarregar excessivamente os veículos após este interlúdio que funciona como uma espécie de “travessia transatlântica” solitária pelas areias, é um momento crucial da prova. Este ano, o troço ganha um significado simbólico adicional: marca a viragem da segunda semana, dando início à viagem de regresso ao norte. Mas Smara ainda está longe — mais longe, até, do que estava ontem! A distância do troço especial é logo abaixo da marca dos 400 km, e as dunas continuarão a ondular como ondas em alto-mar. O labirinto de trilhos a sul ainda reserva surpresas para os navegadores.

Smara > Smara 21/01/2027 – Etapa 10 560 km (troço especial > 470 km)
O troço especial em circuito em torno de Smara é o terceiro mais longo de todo o percurso. Como é habitual, isto implica um ritmo mais acelerado. Planaltos rápidos, areia e pequenas dunas: as paisagens do sul diversificam-se e revelam-se mais uma vez. É também aqui que os concorrentes encontrarão a maior concentração de ‘wadis’ (leitos secos dos rios) e de desfiladeiros arenosos. Um último périplo pelas vastidões infinitas do deserto, antes de reencontrar a Cordilheira do Atlas — um marco importante no caminho rumo ao bivaque final, em Marraquexe.
Smara > Marraquexe 22/01/2027 – Etapa 11 1.035 km (troço especial > 455 km)
A viagem rumo a norte, em direção a Marraquexe, ultrapassa os 1.000 quilómetros, sendo a etapa mais longa da competição. Mas, antes de chegar à “Cidade Vermelha”, ainda há muita areia pela frente. O primeiro terço do troço especial é dedicado à pilotagem pura, antes de seguir por terrenos mais sinuosos e, finalmente, contornar o Oceano Atlântico por um trilho costeiro. O troço de cerca de vinte quilómetros pela ‘Plage Blanche’ (Praia Branca), percorrido a toda a velocidade sobre a areia, será a imagem marcante do dia. A brisa marinha traz um toque do Mar Vermelho, mas os concorrentes não devem entusiasmar-se demasiado cedo. Um verdadeiro labirinto de trilhos estende-se até ao final da especial, apresentando terrenos e cenários inéditos aos quais os participantes terão de se adaptar — evitando, assim, cair num ritmo que pode ser enganador.
Marraquexe > Marraquexe 23/01/2027 – 12ª Etapa 240 km (troço cronometrado/especial: 22 km)
Antigo ponto final das caravanas comerciais, a “Cidade Vermelha” deve o seu nome às suas muralhas de terra batida. Uma última fortaleza — uma especial de 22 km — ainda separa os troféus Touareg dos seus pretendentes. Dada a fama mundial deste destino, a especial final pode até fazer lembrar um Grande Prémio de Marraquexe. O espírito festivo típico de Marraquexe, presente na cerimónia de entrega de prémios, será o ponto alto desta passagem por Marrocos.














